Português na Rede - Seu tira-dúvidas de língua portuguesa na internet

Se eu ver João ou Se eu vir João?


Se eu ver João, eu te aviso.

Quando eu ver Maria, vou dar um abraço nela.


Se eu rever o assunto mais uma vez, tenho certeza que tiro 10.


É assim que o povo diz.

Mas a gramática ensina que é diferente.

O problema está numa armadilha: o futuro do subjuntivo, que geralmente é precedido de "se" ou "quando", na maioria das vezes é igual ao infinitivo: para eu cantar (infinitivo), se eu cantar (futuro do subjuntivo), para eu vender (infinitivo), quando eu vender (futuro do subjuntivo).

Há, porém, os verbos irregulares, que não seguem esse paradigma.

No caso deles, o infinitivo é bem diferente do futuro do subjuntivo: para eu fazer (infinitivo), se eu fizer (futuro do subjuntivo), para eu ter (infinitivo), quando eu tiver (futuro do subjuntivo).

Por isso é muito importante saber que, entre os verbos, há os tempos primitivos e os derivados.

O futuro do subjuntivo, por exemplo, é derivado do pretérito perfeito.

Precisamente, da terceira pessoa do plural menos as duas últimas letras.

Vejamos isso com o verbo "ver".

Vamos pegar a terceira pessoa do passado desse verbo: eles viram.

E tirar as duas últimas letras: vir.

Nasce, dessa forma, a primeira pessoa do futuro do subjuntivo: se eu vir.

E, a partir dela, fica mais fácil conjugar as outras pessoas desse futuro: se tu vires, se ele/você vir, se nós virmos, se vós virdes, se eles/vocês virem.

Convém observar que os derivados de "ver" conjugam-se da mesma forma: se eu revir, quando eu previr, se ela antevir.

O verbo "prover", contudo, é uma exceção: se eu prover, quando ele prover, se nós provermos.
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Dia do Trabalho ou do Trabalhador?


É mais uma questão de preferência, pois as duas formas são corretas. 

Em Portugal, por exemplo, é mais comum Dia do Trabalhador. 

No Brasil, talvez por influência de outros países (na Espanha, Día del Trabajo; na França, Fête du Travail; na Itália, Festa del Lavoro; nos Estados Unidos, Labor Day), Dia do Trabalho tem forte uso. 

E não vale criticar a preferência brasileira sob o argumento de que na data em questão o homenageado é o trabalhador, e não o trabalho.

Bobagem.

Em Dia do Trabalho, trabalho está por trabalhador. 

Ou seja, há neste caso uma relação de metonímia, figura de linguagem que consiste no emprego de uma palavra no lugar de outra por haver entre elas alguma associação de sentido. 

Em resumo: tanto faz dizer Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador. 
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Abençôe, abençõe ou abençoe?


Muita gente pensa que há acento no "o" de "abençoe".

Uns pensam que é com circunflexo, por isso escrevem "abençôe".

Outros pensam que é com "til" e grafam "abençõe".

Mas não há nenhum acento e a grafia correta é "abençoe".

E mais: em toda a conjugação do verbo "abençoar", não existe nenhum acento no "o":

eu abençoo

tu abençoas

ele abençoa

que eu abençoe

que tu abençoes

que ele abençoe

que vós abençoeis

que eles abençoem...



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Dicas para você interpretar melhor um texto

Interpretação de texto é o "terror" para muitos candidatos que disputam vagas em concursos e vestibulares.

Não é de se estranhar, afinal cada vez mais se lê menos neste país.

Então, esta é a primeira dica para quem quer melhorar a interpretação de texto: leia.

E não é para ler pouco.

É para ler muito e de forma diversificada: literatura, jornais, revistas, sites, gibis,,,

Afora a leitura, existem alguns "macetes" que ajudam na hora de interpretar um texto:

1. Leia o texto no mínimo duas vezes. Na primeira leitura, atenha-se ao conteúdo, na segunda, veja como o texto está articulado, desenvolvido. 

2. Observe as relações interparágrafos. Um parágrafo geralmente mantém com outro uma relação de continuação, conclusão ou falsa oposição. Identifique muito bem essas relações. 

3. Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou seja, a ideia mais importante. 

4. Leia com muito cuidado os enunciados das questões, sem pressa, para entender bem a pergunta. 

5. Grife palavras como correto ou incorreto, evitando, assim, uma confusão na hora da resposta. 

6. Não dê muito valor ao que o autor quis dizer, mas sim ao que ele disse, expressou no texto. 

7. Identifique os personagens principais e secundários e centre-se nas características físicas e psicológicas deles. 

8. Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia principal, leia com atenção a introdução e/ou a conclusão.

9. Se o enunciado focar o item argumentação, concentre-se no desenvolvimento. 

10. Olhe com especial atenção os pronomes relativos, pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, etc., chamados vocábulos relatores, porque remetem a outros vocábulos do texto.
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A pronúncia de "gratuito"


"Gratuito" é palavra paroxítona.

E observe que ela se escreve sem acento no "i".

Isso significa que a vogal tônica é o "u" da penúltima sílaba.


Logo, a pronúncia correta é "gratUito", e não "gratuÍto".
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A origem da palavra "nicotina"

Em meados do século 16, o comerciante francês Jean Nicot levou o tabaco para a cidade de Paris.

Rapidamente o cigarro virou moda na capital francesa e se expandiu por toda a Europa. 

Nicot ganhou fama, ficou rico e virou embaixador da França em Portugal. 

À época, desconhecia-se o mal que o cigarro causa à saúde. 

Somente no século 19 descobriram que o cigarro tem um veneno muito nocivo à saúde, e sobrou para Nicot: o veneno descoberto foi batizado de "nicotina".

Em tempo: o nome científico da planta tabaco é Nicotiana tabacum, também uma homenagem a Jean Nicot.
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Apartir, concerteza e agente ou a partir, com certeza e a gente?


Vamos logo começar dizendo que "a partir" e "com certeza" se escrevem separados.

Não existem as grafias "apartir" e "concerteza", juntas.

"A partir" é a preposição "a" mais o verbo "partir": "Traduzo textos a partir de R$ 40,00".

E "com certeza" é a preposição "com" mais o substantivo "certeza": "Com certeza, irei à sua casa domingo".

E quanto à dúvida "agente" e "a gente"?

As duas formas existem.


"Agente", junto, é substantivo e significa aquele que age, que pratica a ação: o agente causador da doença, o agente da polícia, o agente secreto.

"A gente", separado, é forma de tratamento, o mesmo que "nós": 

"A gente vai à praia amanhã"; 

"Estão maltratando a gente".

Olho vivo! Com "a gente", forma de tratamento, o verbo fica sempre na terceira pessoa do singular.

Assim, na língua culta é erro grave dizer/escrever "A gente vamos à praia".



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Português na Rede agora é Record/ R7.com


Nosso Português na Rede inicia uma nova etapa em sua trajetória.

É com enorme satisfação que a partir de hoje somos parceiros de uma das maiores empresas de comunicação do Brasil, a Rede Record, por intermédio de seu portal, o R7.com.

Agora todo o conteúdo de Português na Rede estará disponível para os leitores do R7, que tem uma das maiores audiências da internet brasileira.



O blogue Português na Rede foi criado em outubro de 2007 e hoje tem uma das maiores audiências no segmento de blogues educacionais.

São mais de 300 mil pageviews por mês.

Por dia, já houve picos de mais de 20 mil acessos.

E o mais importante: tem um riquíssimo conteúdo sobre assuntos da língua portuguesa.

É por isso que muitos têm Português na Rede como um tira-dúvidas de língua portuguesa na internet.

A parceria já está no ar: Português na Rede/ Record/ R7.

Um novo tempo se inicia para todos nós - editores, parceiros e leitores do blogue e do portal R7.

Divulgue você a boa-nova!

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Questão de gênero: a herpes e a verme ou o herpes e o verme?

Muitos dizem "a herpes".

O correto, porém, é "o herpes".

Trata-se, portanto, de palavra do gênero masculino.

Por que as pessoas dizem "a herpes"?

Talvez contaminadas pela ideia de doença.

Problema semelhante ocorre com a palavra "verme".

Ela é masculina: "o verme".

Mas é comum as pessoas dizerem "a verme".
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Recurso x recursos

A palavra "recurso" não tem o mesmo significado da palavra "recursos".

Ou seja, são duas palavras.

"Recurso", sem "s" no fim, significa invocação de ajuda, de socorro, meios para vencer dificuldades:

Ele está estudando muito para passar e seu único recurso são os livros.

"Recurso", sem "s" no fim, ainda significa "meio para provocar a revisão de uma decisão judicial desfavorável":

O advogado entrou com um recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo.

A outra palavra, "recursos", com "s" no fim, significa "aptidões naturais, dons, talentos; meios pecuniários, bens materiais, posses, riquezas, meios de que se pode dispor".

Ou seja, quando houver ideia de dons, de dinheiro, de riqueza, de posses, usa-se sempre "recursos", com "s" no fim:

Ela é linda e tem maravilhosos recursos estéticos.

O bom escritor é possuidor de recursos estilísticos.

O Brasil é um país rico em recursos naturais.

O Ministério da Educação investe mal seus recursos.

A corrupção é a principal causa do desvio de recursos.


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Regência: Ele foi socorrido "para" o hospital ou "no" hospital?


Pela norma culta (e pela lógica), pessoas são socorridas "no" hospital.

Portanto, "Ele foi socorrido 'no' hospital".

Se você quer empregar "para", use o particípio de um verbo de movimento, como "levar", que rege as preposições "a" e "para":

"Ele foi levado ao/para o hospital".
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Ziguezague ou zigue-zague?

A grafia atualizada é  "zigue-zague", com hífen.

Isso porque, na nova ortografia, escrevem-se com hífen as expressões onomatopeicas com termos repetidos, com ou sem alternância vocálica ou consonântica, inclusive seus derivados: 

Assim sendo, escreve-se lenga-lenga, lenga-lengar, zum-zum-zum, zum-zunar, zigue-zague, zigue-zaguear...
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Bem feito, bem-feito e benfeito (atualizado)

Segundo o novo acordo ortográfico, "bem" se agrega com hífen a palavras que com ele formam uma unidade semântica (adjetivo ou substantivo composto): bem-aventurado, bem-criado, bem-humorado, bem-educado, bem-nascido, bem-sucedido, bem-vindo, bem-visto (estimado).

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) da Academia Brasileira de Letras, em sua quinta edição, publicada logo depois do início da vigência do novo acordo, registrava "benfeito", valendo tanto para o substantivo como para o adjetivo.

No entanto, a Academia Brasileira de Letras voltou atrás e ressuscitou a forma "bem-feito", que é adjetivo. 

Agora "benfeito" é apenas substantivo, o mesmo que "benefício", "benfeitoria": "O benfeito da prefeitura ajudou a comunidade". 

Em resumo:

"Benfeito" = substantivo: "O benfeito dele foi de grande valor para o país".

"Bem-feito" = adjetivo: "Achei o serviço muito bem-feito".

"bem feito" = quando "bem" é advérbio e não está agregado a "feito": "O serviço foi [bem] feito por Mariana"; e quando é uma expressão interjetiva: "Ele escorregou na gramática. Bem feito!"
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Concordância: Eram perto das 12 horas ou Era perto das 12 horas?

Indicando horas e seguido de locuções como "perto de", "cerca de", "mais de", o verbo "ser" tanto pode concordar no singular como no plural.

Em termos de correção gramatical é, portanto, indiferente dizer “Eram perto das 12 horas” ou “Era perto das 12 horas”.

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A pronúncia de "rolos"


Como se pronuncia o plural da palavra "rolo": rolos (ó), com "o" aberto, ou "rolos" (ô), com "o" fechado?

Da mesma forma que se pronuncia  "bolos" e "tolos", ou seja, o "o" da penúltima sílaba é fechado:

Ela comprou quatro rolos (ô) de papel-alumínio. 

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O alface, o couve e a tomate ou a alface, a couve e o tomate?

Basta ir a uma feira para perceber como as pessoas desconhecem o gênero das palavras "alface", "couve" e "tomate".

É por isso que resolvemos publicar este post e, assim, informar o correto gênero dessas palavras a quem por aqui passar.

A palavra “alface” pertence ao gênero feminino.

O correto, portanto, é “a alface”: "A qualidade da alface não está boa".

Couve é feminina.

Ou seja, é “a couve”: “O preço da couve subiu muito esta semana”.

E "tomate" é nome masculino. 

Logo, "O tomate é rico em licopeno".

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Ele comeu uma maçã e duas pêras ou uma maçã e duas peras?


O correto é "Ele comeu uma maçã e duas peras", sem acento em "peras".

Antes do novo acordo ortográfico, escrevia-se "pêra", com acento, no singular, e peras, sem acento, no plural.

O acordo eliminou o acento diferencial no singular dessa palavra.

Portanto, atualmente se escreve "pera(s)", sem acento, seja no singular, seja no plural.
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Ortografia: reuso e multiuso ou reúso e multiúso?


Ambas as palavras são acentuadas, ou seja, escreve-se "reúso" e "multiúso".

Isso porque, pela regra, recebem acento o "i" e "u" tônicos que são a segunda vogal de um hiato e formam sílaba sozinhos ou acompanhados de "s": Luís, país, saída, saí (primeira pessoa do passado, "eu saí"), Suíça, balaústre, reúne, saúde, 

Observação: O novo acordo ortográfico eliminou, no caso de palavras paroxítonas, o acento do "i" e do "u" tônicos precedidos de ditongo: baiuca, feiura, cauila, maoismo, maoista, Sauipe, taoismo.

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A menina levou uma pancada na costa ou nas costas?



A parte de trás do tronco humano é chamada de “costas”.

Ou seja, é um substantivo que só se usa no plural:

Ele se queixou de dor nas costas.

Minha namorada se bronzeou demais e queimou as costas.


A menina levou uma pancada nas costas.


Diferencia-se de “costa”, sem "s" no fim, que significa “porção do mar próxima da terra”:

Tremor de terra atinge a costa peruana.

A esquadra de Cabral chegou à costa brasileira em 22 de abril de 1500.

Óleo polui costa de Angra dos Reis.


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Se eu ver ou se eu vir?

“Se eu ver...”, “Quando eu ver...”, “Se eu rever...”

É assim que o povo diz.

Mas a gramática ensina que é diferente.

O problema está numa armadilha: o futuro do subjuntivo, que geralmente é precedido de “se” ou “quando”, na maioria das vezes é igual ao infinitivo: para eu cantar (infinitivo), se eu cantar (futuro do subjuntivo), para eu vender (infinitivo), quando eu vender (futuro do subjuntivo).

Há, porém, os verbos irregulares, que não seguem esse paradigma.

No caso deles, o infinitivo é bem diferente do futuro do subjuntivo: para eu fazer (infinitivo), se eu fizer (futuro do subjuntivo); para eu ter (infinitivo), quando eu tiver (futuro do subjuntivo).

Por isso, é muito importante saber que, entre os verbos, há os tempos primitivos e os derivados.

O futuro do subjuntivo, por exemplo, é derivado do pretérito perfeito.

Precisamente da terceira pessoa do plural menos as duas últimas letras.

Vejamos isso com o verbo “ver”.

No pretérito perfeito, vamos pegar a terceira pessoa do plural, eles viram, e tirar as duas últimas letras: viram - am = vir. 

Nasce, assim, a primeira pessoa do futuro do subjuntivo: se eu vir.

E, a partir dela, fica mais fácil conjugar as outras pessoas desse futuro: se eu vir, se tu vires, se ele/você vir, se nós virmos, se vós virdes, se eles/vocês virem.

Convém observar que os derivados de “ver” conjugam-se da mesma forma: se eu revir, quando eu previr, se ela antevir.

O verbo “prover”, contudo, é uma exceção: se eu prover, quando ele prover, se nós provermos.
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