Novembro 2007 - Português na Rede

CRASE: A "PROVA DO AO"

Você conhece a "prova do ao"? Para saber se há crase, substitui-se a palavra feminina que tem como precedente o "a" craseável por uma masculina. Se o "a" virar "ao", há crase; caso contrário, não há. Vamos aplicar essa prova.

A frase "Os espíritas pertencem a parte da sociedade com o maior nível educacional" foi retirada de um jornal. O "a" antes de "parte" saiu sem o acento de crase, o acento grave. Foi correto isso? Vejamos: substituindo a feminina "parte" pela masculina "segmento", temos: "Os espíritas pertencem ao segmento da sociedade com o maior nível educacional".

Na substituição, o "a" virou "ao". Logo, há crase em "Os espíritas pertencem à parte da sociedade com o maior nível educacional".
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CÔCO ou COCO?

A palavra "coco" (o fruto do coqueiro) se escreve assim, sem acento, pois não se acentuam as paroxítonas terminadas em "o", como toco, lobo, fogo, soco, jogo, coro, bolo, tolo e bobo.
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DAQUI HÁ UM ANO ou DAQUI A UM ANO?



É sempre "daqui a um ano". Veja por quê:



é verbo, indica passado e equivale a faz: "Ele esteve aqui há algumas horas"; "Há mais de um ano não vou a campo de futebol".


A é preposição e indica tempo futuro ou distância física: "Sua cidade fica a 50 quilômetros da minha"; "Raios e trovões paralisaram a partida a dois minutos do fim"; "A quase um mês das festas juninas, ainda há vagas nos hotéis de Caruaru"; "É uma coisa que deve acontecer daqui a pouco"; "Os resultados só aparecerão daqui a um ano".
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Redação & estilo: escrever simples, escrever bem


Ainda hoje, infelizmente, muitas pessoas pensam que “escreve bem quem escreve difícil”. Nada é mais equivocado. Na verdade, é o contrário: escreve bem quem escreve simples. E esse ato de escrever simples não tem mistério. Basta observar alguns preceitos. Entre eles:

a) eliminar palavras ou expressões desnecessárias: em vez de ato de natureza hostil, escreva ato hostil; em vez de decisão tomada no âmbito da diretoria, escreva decisão da diretoria; em vez de pessoa sem discrição, escreva pessoa indiscreta; em vez de neste momento nós acreditamos, escreva acreditamos; em vez de travar uma discussão, escreva discutir; em vez de na eventualidade de faltar combustível, escreva se faltar combustível; em vez de com o objetivo de, escreva para;

b) evitar o emprego de adjetivação excessiva: em vez de o difícil e alarmante problema da seca, escreva o problema da seca;

c) dispensar, nas datas, os substantivos dia, mês e ano, além do adjetivo último: em vez de no dia 12 de janeiro, escreva em 12 de janeiro; em vez de no mês de fevereiro, escreva em fevereiro; em vez de no ano de 2000, escreva em 2000; em vez de no último dia 15 de novembro, escreva em 15 de novembro;

d) trocar a locução verbo + substantivo pelo verbo: em vez de fazer uma viagem, escreva viajar; em vez de fazer um lanche, escreva lanchar; em vez de pôr as idéias em ordem, escreva ordenar as idéias; em vez de pôr moedas em circulação, escreva emitir moedas;

e) usar o aposto em lugar da oração apositiva: em vez de O contrato previa a construção do hospital em um ano, que era prazo mais do que suficiente, escreva O contrato previa a construção do hospital em um ano, prazo mais do que suficiente; em vez de O que se tem é a anarquia, que é a bagunça pura e simples, irmã gêmea do caos, escreva O que se tem é a anarquia, bagunça pura e simples, irmã gêmea do caos;

f) empregar o particípio do verbo para reduzir orações: em vez de Agora que expliquei o título, passo a falar do tema, escreva Explicado o título, passo a falar do tema; em vez de Depois de terminar o trabalho, ligo para você, escreva Terminado o trabalho, ligo para você; em vez de Quando terminar o preâmbulo, passarei ao assunto principal, escreva Terminado o preâmbulo, passarei ao assunto principal;

g) eliminar, sempre que possível, os indefinidos um e uma: em vez de A sociedade exige uma punição rigorosa para casos de corrupção, escreva A sociedade exige punição rigorosa para casos de corrupção; em vez de O Brasil se tornou uma terra de ninguém, escreva O Brasil se tornou terra de ninguém.


É claro que cada um tem seu estilo. E esse “estilo pessoal” às vezes implica o uso do substantivo dia em datas; da locução verbo + substantivo; dos indefinidos um e uma. Ou seja, a pessoa prefere escrever no dia 29 de março, em vez de 29 de março; fazer um lanche, em vez de lanchar; Ofereceu um delicioso almoço aos amigos, em vez de Ofereceu delicioso almoço aos amigos.



Compreendemos esse “estilo pessoal”, necessário para a diversidade da língua. No entanto, muito desse “estilo pessoal” são vícios adquiridos ao longo de nossa formação, que nada acrescentam em termos de qualidade textual. Alguns desses vícios foram aqui relacionados. E agora, que você está ciente deles, fica mais fácil combatê-los.
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A GROSSO MODO ou GROSSO MODO?

O certo é “grosso modo”, sem "a" no início dessa expressão latina, cujo significado é “de modo grosseiro, impreciso”.

Exemplo: "O existencialismo é, grosso modo, uma filosofia que põe em destaque a liberdade do homem".

A pronúncia original (latina) é "grósso módo", com "o" aberto.
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“PORQUE” EXPLICATIVO x “PORQUE” CAUSAL



Na escola, aprendemos que há dois tipos de “porque”: um é explicativo e, o nome já diz, introduz explicação; o outro é causal e introduz causa.

Aprendemos também na escola que o “porque” explicativo é precedido de vírgula; enquanto o causal não é.

Ocorre que muitas vezes não é fácil distinguir o “porque” explicativo do causal.

Vejamos:

Eles não compareceram porque estavam doentes.

Ou será:

Eles não compareceram, porque estavam doentes.

Se for causal, não haverá vírgula, o exemplo correto será o primeiro. Se o “porque” for explicativo, haverá vírgula, e o segundo exemplo será o correto.

O xis da questão é o seguinte: na relação causal há sempre a idéia de causa e conseqüência, enquanto na explicativa não existe essa relação. Assim, o exemplo correto é o primeiro:

Eles não compareceram porque estavam doentes.

Neste exemplo o “porque” é causal, sem vírgula, porque há causa e conseqüência: Eles estavam doentes (causa); eles não compareceram (conseqüência).

Agora vejamos um exemplo com um “porque” explicativo:

-Chegue cedo, porque durmo depois da novela.

Não há, neste caso, relação de causa e conseqüência. Logo, o "porque" é explicativo e precedido de vírgula.
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SANGRIA DESATADA



Você já parou para pensar no significado da expressão “sangria desatada”?


A palavra sangria, de origem espanhola, significa sangramento, e desatada é o particípio do verbo desatar (des + atar), que significa libertar, soltar, desprender, livrar. Trocando em miúdos, sangria desatada é um sangramento descontrolado que exige cuidados imediatos. Quando falamos que uma coisa não é sangria desatada queremos dizer que ela não requer cuidados ou providências urgentes.
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À TODA PROVA ou A TODA PROVA?

O certo é "a toda prova", sem crase. Simplesmente porque "toda" rejeita a anteposição de artigo - não dizemos "a toda mulher é charmosa", mas "toda mulher é charmosa". E, sem artigo, não há crase, pois a crase é a fusão da preposição "a" com o artigo "a".
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CONCORDÂNCIA DOS VERBOS QUE EXPRESSAM FENÔMENOS NATURAIS

"Chove e-mails" ou "Chovem e-mails"?


Os verbos que expressam fenômenos da natureza são impessoais e concordam na terceira pessoa do singular: "Chove muito na Amazônia"; "Ontem e hoje nevou em Nova Iorque"; "Trovejou bastante na noite passada".

No entanto, esses verbos, em sentido figurado, concordam normalmente com o sujeito: "Choveram reclamações"; "Choveram elogios"; "Chovem e-mails".

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O Desafio está de volta


Na nossa antiga coluna no JC OnLine, testávamos o conhecimento do leitor com uma pergunta relacionada à língua portuguesa. Era o Desafio. Agora, com Português na Rede, mantivemos essa seção (na coluna da esquerda, abaixo de Meus sites e blogs favoritos). Periodicamente, lançaremos uma pergunta que possibilitará a você, leitor, aferir seu conhecimento e, o principal, ampliar sua cultura.


Daremos a resposta da pergunta quando o Desafio for encerrado. Então, vamos participar!
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CRASE: À PARTIR DAS 22 HORAS ou A PARTIR DAS 22 HORAS?

Não ocorre crase no “a” que precede verbo. Assim, “A partir das 22h”.
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REDAÇÃO & ESTILO: SUBSTITUIÇÃO DO PRONOME POSSESSIVO PELO OBLÍQUO

Uma boa forma de tornar o texto elegante é, em alguns casos, substituir o pronome possessivo pelo oblíquo. Vamos mostrar isso na prática. Veja algumas frases que inicialmente foram redigidas com o pronome possessivo:

O barulho perturba o meu juízo.

Ninguém ouvia as suas propostas.
A solução do problema tomou o nosso dia.

Agora essas mesmas frases com apenas uma única modificação – o pronome oblíquo no lugar do possessivo:


O barulho perturba-me o juízo.

Ninguém lhe ouvia as propostas.
A solução do problema nos tomou o dia.

Perceba como as frases ganharam “força”, ficaram mais bem-acabadas estilisticamente falando.
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DISPENSA VAZIA ou DESPENSA VAZIA?


Com o sentido de “local ou armário onde se guardam mantimentos”, o certo é “despensa”, com E na primeira sílaba.

“Dispensa”, com I, é forma do verbo “dispensar”: eu dispenso, tu dispensas, ele dispensa...

Portanto, o correto é “despensa vazia”.
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BOAS CARNES À MESA ou NA MESA?


O certo é “boas carnes ‘na’ mesa”. Isso porque a preposição “a” indica que algo está ao lado de, junto a. E a preposição “em”, que algo está sobre, em cima de.

Em síntese, as pessoas ficam “à” mesa (= ao lado da mesa, sentadas); os alimentos ficam “na” mesa (em cima da mesa).
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TODO PODEROSO ou TODO-PODEROSO?

Significando "Deus", é "Todo-Poderoso", com hífen e iniciais maiúsculas.


Atenção! Se o sentido for de "pessoa muito poderosa", as iniciais serão minúsculas: "Ele é o todo-poderoso da empresa".
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BUGINGANGA ou BUGIGANGA

A palavra é "bugiganga", ou seja, não há N entre o I e o segundo G.
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VÍRGULA – COMO



"Presidente socialista é lembrado em todo o mundo, como um ícone da esquerda."

Nessa frase, o uso da vírgula está correto?

Não.

Em geral, usa-se vírgula antes de "como" quando é possível escrever "por exemplo" depois dele: "Alguns jogadores do Sport, como [por exemplo] Carlinhos Bala e Anderson, não sabem bater pênalti"; "Pernambuco sempre teve bons poetas, como [por exemplo] Manuel Bandeira e Carlos Pena Filho". Nos demais casos (em comparações ou indicando modo), não há vírgula: "Ela cozinha como a mãe"; "Salvador Allende é lembrado em todo o mundo como um ícone da esquerda".
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CONCORDÂNCIA: INFRAVERMELHO e ULTRAVIOLETA

As palavras formadas por prefixo + adjetivo variam em gênero e número. É o caso de “infravermelho” (infra: prefixo; vermelho: adjetivo). Portanto, “radiação infravermelha”, “lentes infravermelhas”, “óculos especiais infravermelhos”.

A regra muda quando a estrutura passa a ser “prefixo + substantivo”. A palavra assim formada fica invariável em função adjetiva. Por isso, “raios ultravioleta”. Quando é substantivo, porém, “ultravioleta” varia: “Os ultravioletas fazem mal à saúde”.
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REGÊNCIA: PROLIFERAR

O verbo “proliferar” não é pronominal, ou seja, não se conjuga acompanhado de pronome. Exemplo: “Filmes baixados ilegalmente pela internet proliferam tanto quanto a música ilegal on-line”.
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O BACANAL DE HERODES ou A BACANAL DE HERODES?

“Bacanal” é palavra feminina. Portanto, “a bacanal de Herodes”.


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MAIÚSCULA ou MINÚSCULA: CITAÇÕES

As citações depois de dois-pontos começam com inicial maiúscula. Exemplo: “E Carola continuava a relatar o passeio: ‘E lá estávamos nós quatro no Ibirapuera naquela tarde de julho. O sol brilhava tanto...’”


Não sendo uma citação, a inicial é minúscula: "Estas são as minhas frutas favoritas: abacaxi, manga e melão".
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CORINGA ou CURINGA?

CORINGA é pequena embarcação ou pessoa feia e raquítica.

CURINGA é carta de baralho e pessoa versátil capaz de desempenhar várias atividades. Exemplo: “Nelson Jobim é um dos curingas do presidente Lula”.
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PÁRAM ou PARAM?

O certo é “param”, sem acento. 

E atenção! Pelas novas regras, o acento de "pára", terceira pessoa do presente do verbo "parar", caiu e agora se escreve "para".
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