O gênero dos espumantes (1): a champanhe ou o champanhe? - Português na Rede

O gênero dos espumantes (1): a champanhe ou o champanhe?

"Champanhe" é um vinho, por isso é nome masculino: “O [vinho] champanhe Veuve Clicquot vale cada gole”.


Não confunda a bebida com o nome da região da França onde se produzem os verdadeiros champanhes.


Este é feminino e deve ser grafado à francesa, com o dígrafo "gn": "A Champagne é uma boa opção para as férias".

7 comentários:

Helder disse...

Professor Laércio,

existe a palavra "champanha"? Vai na mesma linha de "vitrina"?

Desde já grato.

Laércio Lutibergue disse...

Existe, Helder.

E vai sim na mesma linha de aportuguesamentos como "vitrina", "cabina" e "manicura".

Ou seja, todos têm "a" no fim e não pegaram.

Abraço.

Anônimo disse...

Caro Professor Laércio,
Eu gostaria de saber quem teve esta incrível idéia...
Aportuguesamento de palavras como Champagne só traz confusão,a idéia é ridicula...
Como que é possível o vinho da região de Champagne ser chamado Champanhe...Sem aportuguesar as duas palavras e ao invés traduzindo apenas uma ( O produto de uma região ) apenas traz distinção entre duas coisas que andam juntas...
Não faz sentido algum traduzir o none da região do vinho e deixar o nome da região em frânces...
Honestamente é absurdo, e ignorância daqueles que acham certa coisa possível...
Eu acho que como Professor, o senhor, deveria ajudar o povo a ser educado... Aportuguesar palavras estrangeiras não é a melhor saida para educação...É por isso que no Brasil o povo bebe cidra como se fosse champanhe e guaraná como se fosse champagne...além disso, nós temos a cor champanhe também....E tudo isso por causa da região de Champagne e este famoso vinho espumante que o brasileiro acha bonito ( valioso ) e usa o nome equivocadamente....
Nada contra a sua explicação sobre o artigo ser feminino ou masculino. Eu só acho que certa explicação dizendo "Não confunda a bebida com o nome da região da França(Champagne) onde se produzem os verdadeiros champanhes" é absurda...
Você está me educando no seu "website" para não me confundir...e na verdade os linguistas é que estão confusos...
Vamos aprender à ser ignorantes com a nossa inabilidade de assimilar nomes estrangeiros ...Você conhece o conhaque de Cognac, o champanhe de Champagne..
Parece piada de português, não é?!.
...Para não falar da exposição do inglês em todo lugar com absurdos pronunciamentos...
Minha indignação é: VAMOS TRAZER E FAZER CULTURA NA TERRA BRASILIS...!!e parar de ensinar errado o que está em perfeitamente harmonia..

Laércio Lutibergue disse...

Anônimo:

Sua visão de língua é muito cartesiana.

Isso é ruim, pois todo excesso de cartesianismo conduz a um radicalismo racional que leva à obtusidade.

Fatos linguísticos consagrados pelo uso extrapolam a lógica dos que se acham donos da verdade.

Não fui eu quem inventou o que está na postagem, entenda, "Anônimo".

Isso é uma vontade dos falantes da língua portuguesa, expressa na imprensa e em dicionários, como o da Academia Brasileira de Letras: "Champanha/champanhe: vinho branco espumante de Champagne, região da França".

Na próxima vez em que publicar um comentário aqui, "Anônimo", além de ter a coragem de revelar o nome, espero que você se dispa da arrogância dos pseudodonos da verdade.

Anônimo disse...

Caro Professor Laércio,
Primeiramente, desculpe-me o senso de arrogância no texto anterior( e talvez aqui ).
Segundamente, obrigado pelo elôgio. Descartes e sua doutrina avançaram o pensamento do Oeste..

Meu nome é Leandro Lorenzo, e eu faço parte de um grupo europeu de discussão em filosófia ...

Eu estou certo que não foi o senhor quem inventou a definição aqui citada, meu comentário foi pensando em aguçar a sua cognição...A questão não esta em ser "pseudodonos da verdade" ,a questão é cultura, apoio e incentivo daqueles os qual a fazem (você)..

Como Professor, eu acredito que o senhor reconhece a situação cultural do Brasil. A triste verdade...A reforma é necessária..
Dicionários (como no fictional "Novilíngua" da novela de George Orwell, 1984), indicam as implicações de empobrecer o vocabulário..Empobrece o conhecimento e o pensamento..Assim, eu não vejo certo a VONTADE dos falantes (que controlam o sistema) da língua portuguesa neste caso...

Pequenas mudanças como a da palavra Champagne/champanhe, infelizmente são uns dos items que forman as bases do "Apartheid" social brasileiro, onde classes raciocinam em diferentes níveis...

Assim ,os linguistas são chamados para a obtusa cognição, aportuguesando apenas um de dois fatores (palavra derivada de uma região) que supostamente você nunca vai encontrar escrita em um rótulo de Champagne, porque esta é apenas uma..e infelizmente a ortografia é apenas de uma maneira...e não deveria existir o nome como genérico...

Eu poderia aceitar o seu exemplo acima de maneira diferente...
Por exemplo na Espanha, eles chamam os espumantes de Cava. Você nunca vai comprar o cava Veuve Cliquot, pois este é Champagne)...Assim você nunca vai comprar o "espumante" champanhe ou se champanhe é o novo sinônimo para espumante, certamente você não vai comprar o champanhe Veuve Cliquot, porque este é um Champagne...Como lido no rótulo...mas você pode comprar o champanhe Qualquer Coisa( Feito em qualquer lugar fora do padrão do vinho Champagne de Champagne na frança )...não seria o Veuve Cliquot...

Além disso, na Espanha, o nome Champagne é traduzido para Champán e a região para Champaña...ambos traduzidos e harmoniosos...Poderia ser igual no Brasil.

Muito diferente do caso do "Gnoqui" e "Nhoque", aonde existe apenas um fator a ser aportuguesado sem influenciar e dividir o pensamento..

Outra coisa interessante, há uma significante diferença na "Wikipedia" portuguesa e a inglesa sobre as leis de uso da palavra Champagne.....e certamente seu uso genérico é mais um fato de comércio(a verdadeira lógica) doque um fato de linguística.

Meu amigo, me desculpe, eu acredito a sua página não esta aberta para este tipo de discussão...

Desculpe qualquer idéia de insulto, meu motivo é fazer o senhor nos ajudar a ensinar o povo a pensar...(eu não sou Professor)
O Sistema( Academia de Letras ) também não é o dono da verdade e nunca foi...Nós todos somos ,com verdadeira cultura e não tapa buracos feitos com bonitos sinônimos..

Para finalizar, o senhor acha correto com o seu conhecimento em pensamento linear e harmonioso, o aportuguesamento de palavras que distinguem fatos culturais, são contra leis e favorecem o pensamento de que há um genérico de um patrimônio cultural de outro país?....

Motivos simples como estes fazem possível nossos famosos nomes genéricos como: Senhor Maico jaquison e Senhora Utiney Riostom....Apoiar o aportuguesamento sem notar a sua reação em uma escala maior, pode ser uma espécie de crioulação da língua e da mente...Regressão.

Obrigado pelo espaço...

Laércio Lutibergue disse...

Prezado Leandro Lorenzo:

Bom saber que estou debatendo com uma pessoa que tem nome.

Insisto que sua visão de língua está muito racional.

Os fatos linguísticos não são tão lógicos como você pensa.

E os linguistas não têm tanto poder assim.

Ou seja, em língua, os eventos acontecem e o uso os legitima.

O aportuguesamento
"champanhe/champanha", por exemplo, segundo o dicionário Houaiss, data de 1817, há quase 200 anos.

E, por mais incoerente que seja a distinção champanhe/ Champagne, ela existe, é chancelada pelos dicionários e vive em livros, jornais, revistas, isto é, na língua viva.

O que podemos fazer?

Dizer que está errada, que é um absurdo, uma estupidez...

E daí? É uma perda de tempo. Não somos nós que decidimos isso ou aquilo. É, repito, o uso, o povo.

Espanta-me, Leandro, você, com sua formação filosófica, perder tempo com uma questão de somenos importância como esta.

Recomendo-lhe a (re)leitura de Epicuro, em cujos escritos você verá que o sentido da vida passa longe da vaidade das pelejas intelectuais.

Saúde e paz!

Anônimo disse...

Para finalizar minha parte neste debate...eu vou te contar como eu cheguei na sua página( e outras ) na paranóia da Champagne :) ... Entendo o seu espanto mas, tudo tem motivo...

Eu vivo na Inglaterra e mês passado eu estava na Noruega...eu estava assistindo um documetário do Brasil na televisão o qual mostrou de maneira comica o brasileiro tomando a nossa famosa sidra como se fosse champanhe..."e eles insistem que sidra é champagne na terra do futebol",o narrador disse.

Outro dia na "BBC" inglesa eles apresentaram outro documentário das regiões do Brasil e suas diferenças, de maneira ainda mais comica, eles mostraram uma colônia alemã do Rio Grande do Sul que acredita ser de descendência italiana...

Experiências como estas e outras podem ser bastante inconfortáveis(quando vc sabe que é verdade)...e se você tem um pensamento critico visando mudanças, você pode atingir a paranóia racional...

No Brasil (e no mundo), classes usam diferentes fala e vocábularios...aquele que usa palavras sofisticadas no meio do povo é visto como chato ou metido...(ou pseudointelectual)

Muitas vezes acontece que uma classe social fala e reconhece os símbolos usados e suas origens na fala, outras classes falam e não reconhecem os símbolos ou origens.... algo como: champagne--champanhe--champãin--sidra... para não falar do analfábetismo..

Agora, você está certo ...eu estou pesando muito racionalmente na questão da língua enquanto a língua é mais abstrata e dinâmica.................(?pensando no efeito borboleta?)...que seja..

Assim como eu disse, desculpe me, eu estou na página errada para certa discussão...Esta é uma idéia social e doque pode ser feito para ajudar o nosso povo adquirir um mellhor conhecimento das coisas...Se linguagem é uma das ferramentas para melhorar o conhecimento, esta assim deveria ser aplicada( em todas as classes) na melhor "moda"...

Eu aprecio doutrinas filosóficas e espirituais...o Hedonismo (+ ou - Epicurismo ) é uma delas e uma das que eu admiro...boas vibrações...

Único problema são lugares com um falso sentido de "Epicurismo-Hedonismo"(não ao pé da letra) onde felicidade dura pouco e o processo parece ir ao reverso...

Com certeza o sentido da VIDA é muitissímo mais que o pobrissímo intelecto, a sua vaidade e o dinheiro. Sem a mínima dúvida!..
Infelizmente alguém criou o sistema, a sociedade, a globalização e o que é pior, o CurriculumVitae...

Valeu!..muita paz e saúde pra você também...

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