O infinitivo flexionado - Português na Rede

O infinitivo flexionado

O infinitivo flexionado é uma exclusividade da língua portuguesa.

Talvez, por isso, não exista consenso em relação a seu emprego.

As regras são claramente apoiadas em fundamentos estilísticos, o que resulta numa liberdade de uso.

Para quem sabe disso, o infinitivo não é problema.

Para quem não sabe, essa liberalidade resulta em insegurança, que quase sempre leva à pior opção: a de flexionar sempre o infinitivo.

No entanto, a melhor opção é justamente o contrário disso: flexionar poucas vezes o infinitivo.

A rigor, a obrigatoriedade de flexionar o infinitivo só existe quando há risco de ambiguidade, como nesta frase: "Fiz tudo para não reclamares".

Se o infinitivo não fosse flexionado - "Fiz tudo para não reclamar" -,  o texto ficaria ambíguo, daria a impressão de que o sujeito de "fiz" era o mesmo de "reclamar". 

Não sendo esse o caso, fique com a opção que vai proporcionar à sua frase a melhor sonoridade.

E, na dúvida, siga o conselho do saudoso professor Napoleão Mendes de Almeida, não flexione o infinitivo.

MAIS INFINITIVO

O ponto de vista do professor Antenor Nascentes (1886 - 1972) reforça o que dissemos: "O emprego do infinitivo é regulado pela clareza e eufonia. Os gramáticos inventaram numerosas regras para disciplinar o emprego do infinitivo pessoal, mas toda essa multiplicidade só serve para trazer confusão".

3 comentários:

Anônimo disse...

Maravilha de explicações. Li tudo. Obrigada. Feliz Natal e muita paz e sucesso em 2009. Ana.

Leonardo disse...

acho que seu exemplo não foi muito feliz... o que me parece é que, na frase "fiz de tudo para não reclamares", o que ocorre é simplesmente uma elipse do pronome "tu". não é o caso de infinitivo flexionado.

penso em um exemplo como:

"os professores foram convidados a vir(em) à minha formatura"

como isso se resolve?

Laércio Lutibergue disse...

Prezado Leonardo:

Você está equivocado. "Reclamares" é um infinitivo flexionado.

Vamos relembrar o assunto?

Existe o infinitivo fixo, que é o nome do verbo e não varia nunca, seja qual for a pessoa do pronome: para eu reclamar, para tu reclamar, para ele reclamar, para nós reclamar, para vós reclamar, para eles reclamar.

E existe o infinitivo que não é fixo e é flexionado de acordo com a pessoa do pronome: para eu reclamar, para tu RECLAMARES, para ele reclamar, para nós reclamarmos, para vós reclamardes, para eles reclamarem.

No exemplo "Fiz tudo para não reclamares", o segundo verbo, "reclamares", é um infinitivo pessoal na segunda pessoa do singular.

No exemplo, ocorre sim uma elipse, ou melhor, duas, pois o "eu" do primeiro verbo também está elíptico.

Há, portanto, no período dois casos de sujeito oculto, também chamado de elíptico ou desinencial, que tem esses nomes porque não está expresso na oração, mas pode ser facilmente reconhecido pela desinência do verbo.

Em relação ao exemplo "Os professores foram convidados a vir(em) à minha formatura", o recomendado é não flexionar o verbo, pois não se flexiona o infinitivo que complementa um nome.

Note que "vir" está completando o nome "convidados" = convidados a quê? A vir a...

Portanto, "Os professores foram convidados a vir à minha formatura".

Mais alguma dúvida?

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