Julho 2008 - Português na Rede

Qual o plural de "blitz"?

"Blitz" é a abreviação da palavra alemã "Blitzkrieg".

Seu significado original é "guerra relâmpago".

O plural alemão é "Blitze", com "e" no fim e caixa-alta no início porque os substantivos alemães se escrevem com inicial maiúscula. 

Não gostamos dessa forma por ter uma terminação de plural estranha a nós e o inconveniente da inicial maiúscula.

Além disso, "Blitzkrieg" em alemão é palavra masculina.

Então, seguindo a morfologia alemã, diríamos "os Blitze". 

Nem pensar, não?

Por tudo isso, recomendamos o plural aportuguesado "as blitzes", muito mais simples. 


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GARÇON ou GARÇOM?

Em português, escreve-se “garçom”, com “m” no fim.

“Garçon”, com “n”, é grafia francesa.
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Domingueira

É de Cora Coralina (1889 - 1985) a poesia deste domingo.

Das Pedras

Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.

Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.

Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida…
Quebrando pedras
e plantando flores.

Entre pedras que me esmagavam
levantei a pedra rude
dos meus versos.


Links para pesquisar vida e obra da autora:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cora_Coralina
www.vilaboadegoias.com.br/cora_coralina
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Tinham muitas pessoas ou Tinha muitas pessoas?

A gramática condena, mas o fato é que, no Brasil, o uso do verbo "ter" no lugar de “haver” com o sentido de "existir" está pra lá de consagrado. E, nesse caso, o verbo “ter”, à semelhança daquele, não varia: “Tinha muitas pessoas na fila”; "Tem doces na despensa"; "Naquela festa, teve muitos convidados".
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SHAKESPEAREANO ou SHAKESPEARIANO?

O adjetivo relativo a William Shakespeare é “shakespeariano”, com “-iano” no fim.

É que a terminação “-eano” só aparece em derivados de nomes próprios terminados em “-é” (taubateano) ou terminados em ditongo (coreano, galileano, montevideano).

Nos demais casos, sempre “iano-”: “camoniano”, “clariciano”,
“freyriano”, “machadiano”, “rodriguiano”.

Exceção consagrada pelo uso: “acreano”, mas a grafia “acriano” também é correta.
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Concordância: O álcool, como o cigarro, ESTRAGAM ou ESTRAGA a saúde?

Nas orações em que os termos são ligados por COM, COMO, ASSIM COMO, BEM COMO, DA MESMA FORMA QUE, JUNTAMENTE COM, o verbo concorda com o primeiro elemento: O álcool, como o cigarro, estraga a saúde.

O plural só será justificável quando se quiser dar aos termos a mesma importância e neste caso o segundo elemento não ficará entre vírgulas: O presidente da República com o ministro da Educação foram vaiados.
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AO MESMO TEMPO EM QUE ou AO MESMO TEMPO QUE?

Por haver relação temporal, a maioria das pessoas tende a grafar "ao mesmo em que", com a preposição "em". No entanto, conforme a gramática, essa locução conjuntiva se escreve sem preposição junto ao "que": “A dona de casa reclamava ao mesmo tempo que mostrava a conta de telefone”.
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Domingueira

Quem marca presença hoje no nosso blog é a poetisa Cecília Meireles (1901 - 1964).


Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.



Links para pesquisar vida e obra da autora:
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Trabalhadora x trabalhadeira

Toda mulher que trabalha é “trabalhadora”.


Toda mulher que trabalha muito e com prazer é “trabalhadeira”.

Portanto, uma mulher empenhada e satisfeita com o trabalho é trabalhadora e também trabalhadeira. Mas uma mulher insatisfeita com o trabalho é apenas trabalhadora.

Convém registrar que essa distinção não vale para os homens. Ou seja, no caso deles, “trabalhador” vale para os dois sentidos.
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Esnobe

A palavra "esnobe" veio do inglês “snob”, que originalmente era a sigla da expressão latina “sine nobilitate” – sem nobreza. Essa expressão designava, na maioria das escolas inglesas do século 19, os alunos que não pertenciam à aristocracia.
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Domingueira

Um poema do pernambucano Manuel Bandeira (1886 - 1968) é a poesia de domingo do nosso blog.


Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

Eu faço versos como quem morre.



Links para pesquisar vida e obra do autor:
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ACIDENTE x INCIDENTE

Acidente é um acontecimento infeliz, um desastre: “Três pessoas, entre elas uma criança de 10 anos, morreram afogadas em dois acidentes em açudes”; “O Instituto Oceanário promove, amanhã e domingo, campanha educativa para evitar acidentes com tubarões”.


Incidente é um episódio casual, sem conseqüências trágicas: “O incidente entre as primeiras-damas atrasou a cerimônia”; “Depois do incidente, o cantor rescindiu o contrato com a gravadora”.
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PRETENCIOSO ou PRETENSIOSO?

O certo é "pretensioso".

O motivo: escrevem-se com "s" as palavras derivadas de verbos com "-nd" no radical.

Veja:


COMPREENDER = COMPREENSÃO, COMPREENSIVO.
 

REPREENDER = REPREENSÃO, REPREENSIVO.

ASCENDER = ASCENSÃO, ASCENSIONAL.

EXPANDIR  =  EXPANSÃO.

PRETENDER = PRETENSÃO, PRETENSIOSO, DESPRETENSIOSAMENTE.
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AUTO-FALANTE ou ALTO-FALANTE?

Grafa-se “alto-falante”. Ou seja, o composto é formado pelo advérbio “alto” + o adjetivo “falante”, e não pelo prefixo “auto” + “falante”. E no plural só o adjetivo varia: “os alto-falantes”.
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ESTÁ ou ESTAR?

Está ou estar? Dá ou dar? Você tem essas dúvidas com frequência? Não há por quê: o infinitivo (dar ou estar) pode ser substituído por outro infinitivo; a forma flexionada (dá ou está) não pode.


Vejamos isso na prática: surgiu a dúvida, é "Ele pode [está] ou [estar] certo"? Vamos tentar a substituição por um infinitivo: "Ele pode andar certo". A substituição por um infinitivo é possível, logo "Ele pode estar certo".


Mais um teste: "Governador [dá] ou [dar] nova função a secretário". Neste caso o certo é "dá", pois a substituição por outro infinitivo não é possível, não pode ser "Governador ofertar nova função a secretário". 


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Domingueira

Hoje nossa seção cultural vai ser com o próprio editor deste blog. Publicarei três poemas de minha autoria. Nem sei se posso chamá-los de poemas... Na verdade são escritos de alguém que gosta de poesia e nas horas vagas e calmas dos dias rascunha alguns versos.


Não seja muito crítico, amigo leitor. Eu não sou poeta – infelizmente –, mas tento ser um fingidor.
Um bom domingo a todos!

I

Aos vinte anos, tinha desistido.
De tudo.
Passava as horas do dia em contemplação vegetativa.
Estava cansado de pensar que pensava.
Era louco, sabia disso.
Mas os outros não.
Cansou de pensar.
Não valia a pena.
O mundo era uma sucessão de emaranhados sem explicação.
Pensar para quê?
Sentido algum havia no viver.
E a convicção disso o perturbava.
Tanto quanto saber que era nada.
E isso o afligia.
Mas ninguém nada sabia de que ele se achava nada.
Só ele sabia.
Só ele.
Só.

II

Ninguém é de ninguém.
Nem eu sou dela.
Nem ela é de mim.
Nem eu de mim sou.
Nem ela dela é.
Não somos de ninguém.
Nem ela.
Nem eu.
Mas eu queria ser,
queria,
dela.

III

O segredo que pensas que eu não sei eu sei
Nem é segredo.
É medo.
Ou será orgulho?
Ou será covardia?
Não sei.
Só sei que pensas que eu não sei.
Mas eu sei.
Sei.
O segredo que pensas que eu não sei.
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A origem da palavra "nicotina"

A palavra "nicotina" vem de Jean Nicot. Foi ele que, em meados do século 16, introduziu o tabaco em Paris. Rapidamente o cigarro virou moda na capital francesa e se expandiu por toda a Europa. Nicot ganhou fama, ficou rico e virou embaixador da França em Portugal. À época se desconhecia o mal que o cigarro causa. Somente no século 19 descobriram que o cigarro tem um veneno muito nocivo à saúde, e sobrou para Nicot: o veneno descoberto foi batizado de "nicotina".
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