Bom-dia ou bom dia? - Português na Rede

Bom-dia ou bom dia?

“Bom-dia” ou “bom dia”? Muita gente se confunde com isso. Também pudera, os dicionários não ajudam, forçando-nos a fazer elucubrações linguísticas.


A chave da solução é a seguinte: quando for substantivo, significando “um cumprimento”, e em geral precedido pelo artigo “um”, escreve-se com hífen:


Gostaria de desejar-lhes um bom-dia antes de me retirar.

O mesmo vale para “boa-tarde” e “boa-noite”:


Abraçou-me com um grande sorriso de boa-tarde.
Deu-nos um boa-noite com muito carinho.


Observe: “um boa-tarde” e “um boa-noite. O artigo, neste caso, não concorda com a palavra da frente ("boa"), mas sim com toda a estrutura composta ("boa-tarde", "boa-noite").

A forma sem hífen, bom dia (boa tarde, boa noite), não é um substantivo. É o próprio ato de se cumprimentar:



Bom dia, gente.
Boa tarde, queridos alunos.
Boa noite, Brasil.
Bom dia, presidente.
Bom dia, meu amor.

11 comentários:

Abre o olhho! disse...

Asorei a explicação e me ajudou tbm.

Laércio Lutibergue disse...

Que bom!

Um abraço.

Abre o olhho! disse...

Ei, desculpa a digitação errada.(adorei e não asorei). Que mico, hen? Logo pra você fui digitar um comentário com erros ortográficos... Foi mal. Obrigada pelos votos de sucesso com meu blog. Um prazer, também sou Pernambucana. Estou acompanhando teu blog. Magnífico, viu!!!

Abre o olhho! disse...

Ei, desculpa aí.(adorei e não asorei) rsrsrs. Foi mal, perdão! Obrigada pelos votos de sucesso com meu blog. Um prazer acompanhar o seu e, também, um aprendizado! Paz e sucesso.

Laércio Lutibergue disse...

Amiga:

Não precisa pedir desculpa por um errinho de digitação.

Todos cometem esse erro.

Abraço!

Ze disse...

Em outros lugares as pessoas dizem exatamente o contrario do seu post.
Um professor aqui:
http://209.85.173.132/search?q=cache:Wk2xN9dVoqcJ:www.unimasterpre-vestibular.com.br/novo/html/dicas/portugues_17.pdf+bom-dia+ou+bom+dia&cd=2&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-a

O sítio do Terra, aqui:
http://educaterra.terra.com.br/vestibular/gabriel/grama/ortografia.htm

Laércio Lutibergue disse...

Olá, Zé!

Você tem duas opções: confiar no que digo ou não confiar.

Só quero que você faça esta reflexão: um substantivo pode ser modificado por um adjetivo.

O que não é substantivo não pode ser.

Assim, é certo que o nome da saudação é um substantivo composto, pois podemos dizer "Deu-nos um boa-noite carinhoso".

Bem diferente do ato de cumprimentar, em que não se usa adjetivo: "Boa noite, Zé"!

Abraço!

Anônimo disse...

Oi, Laércio.

O que dizer do conhecido poema "Boa-noite" (Castro Alves)?

Boa-noite, Maria! Eu vou-me embora.
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa-noite, Maria! É tarde... é tarde...
Não me apertes assim contra teu seio.
Boa-noite!... E tu dizes — Boa-noite.
Mas não digas assim por entre beijos...
Mas não mo digas descobrindo o peito,
— Mar de amor onde vagam meus desejos.
Julieta do céu! Ouve... a calhandra
Já rumoreja o canto da matina.
Tu dizes que eu menti?... pois foi mentira...
... Quem cantou foi teu hálito, divina!
Se a estrela-d’alva os derradeiros raios
Derrama nos jardins do Capuleto,
Eu direi, me esquecendo d’alvorada:
“É noite ainda em teu cabelo preto...”
É noite, ainda! Brilha na cambraia
— Desmanchado o roupão, a espádua nua —
O globo de teu peito entre os arminhos
Como entre as névoas se balouça a lua...
É noite, pois! Durmamos, Julieta!
Recende a alcova ao trescalar das flores.
Fechemos sobre nós estas cortinas...
— São as asas do arcanjo dos amores.
A frouxa luz da alabastrina lâmpada
Lambe voluptuosa os teus contornos...
Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos
Ao doudo afago de meus lábios mornos.
Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,
Que escalas de suspiros, bebo atento!
Ai! Canta a cavatina do delírio
Ri, suspira, soluça, anseia e chora...
Marion! Marion!... É noite ainda.
Que importa os raios de uma nova aurora?!...
Como um negro e sombrio firmamento,
Sobre mim desenrola teu cabelo...
E deixa-me dormir balbuciando:
— Boa-noite! —, formosa Consuelo!...

São Paulo, 27 de agosto de 1868

Fonte: BIBLIOTECA NACIONAL

http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/espumas_flutuantes.pdf

Abraços a todos!

Anônimo disse...

E agora, Laércio?

Qual o certo? Castro Alves, você ou nenhum dos dois?

Laércio Lutibergue disse...

Prezado amigo, esse "bom-dia" com hífen no poema de Castro Alves é obra do revisor.

Pois certamente o poeta grafou sem, pois na época não existia nem essa distinção de "bom-dia" x "bom dia".

Abraço.

Isie Fernandes disse...

Muito boa e muito prática a sua explicação. Adorei, professor. Obrigada!

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