Desafio da sexta - Português na Rede

Desafio da sexta

O certo é:

a) Ela tem muito má vontade.

b) Ela tem muita má vontade.

A resposta estará aqui amanhã cedo.

Resposta


A opção certa é a letra "b", Ela tem muita má vontade.

Vamos entender o motivo.

Em geral, "muito" varia quando modifica substantivo: muitos presentes, muitos amigos, muitas alegrias.

E não varia quando modifica adjetivo, verbo ou advérbio: "Ela está muito cansada", "Todos se esforçaram muito", "Ela ficou muito pouco satisfeita com a nota".

Portanto, "muito" quando precede um adjetivo não varia, certo?

Nem sempre. Há um caso em que "muito", apesar de preceder um adjetivo, varia: quando o adjetivo forma com o substantivo seguinte uma unidade, como se fosse uma palavra composta: "Que o Natal traga muitas boas novas": "Ela tem muita má vontade", "Ele chegou de Brasília com muitas boas notícias".

Observe que nessas frases as expressões "boas novas", "má vontade" e "boas notícias", mesmo estando separadas, formam unidades semânticas, isto é, têm valor de nome composto.

Logo, o "muito" que as precede não se refere apenas ao adjetivo, mas a todo o conjunto adjetivo-substantivo.

11 comentários:

mangojambo disse...

Acho que é a B, por um simples teste:
Ela tem vontade.
Ela tem muita vontade.
Ela tem muita má vontade.
Acho que muito faz referência a vontade e não a má.

Um grande abraço.

Laércio Lutibergue disse...

Parabéns, amigo, você acertou!

E seu teste é muito bom.

Na resposta que eu dei, na postagem, há uma explicação mais técnica.

Mas, pelo que vejo, seu teste já dá conta do recado.

Saúde e paz!

Helder disse...

Professor Laércio,

tudo bem?

Fiquei em dúvida nesse desafio... Você poderia esclarecer? Quando modifica um substantivo, "muito" é adjetivo, certo? E aí varia de acordo com aquele. Por outro lado, quando antecede adjetivo, verbo ou advérbio, "muito" é advérbio e, portanto, invariável. Está certo isso? Na questão que você propôs, "má vontade" tem valor de substantivo?

Obrigado!

Abraço.

Laércio Lutibergue disse...

Isso mesmo, Helder!

"Má vontade" funciona como um substantivo composto.

Por isso fica "muita má vontade".

Dúvida esclarecida?

Abraço!

Helder disse...

Dúvida esclarecida! Obrigado, Mestre.

Abraço.

Aderbal disse...

Caro Senhor, veja os exemplos que retirei da sua página.

1)Logo, o "muito" que as precede não se refere apenas ao adjetivo, mas a todo o conjunto adjetivo-substantivo.

2) Portanto, "muito" quando precede um adjetivo não varia, certo?

3) Por isso, não há crase em "Eu dedico a vitória a essa torcida maravilhosa".

Sabe-se que não se coloca vírgula depois de conjunção na ordem direta da oração. Entretanto em que regra gramatical se fundamenta o uso das vírgulas colocadas depois de “logo, Portanto e Por isso”?

Muito obrigado.

Aderbal

Laércio Lutibergue disse...

Aderbal, veja o que diz a gramática de Sacconi:

"É facultativo, dependendo de ênfase ou não, o emprego da vírgula depois de conjunções que principiem período".

Se você quiser, amigo, mando-lhe uma cópia da página em que está essa informação.

Saúde e paz!

Aderbal disse...

Caro Professor,
Eu não sabia que já havia algo gramaticalizado sobre esse assunto. Entretanto devemos perguntar ao Sacconi com base em que regra gramatical se pode inferir isso.
Muitos alunos meus, por sua vez, insistem em manter essa vírgula que, sintaticamente, como falei, não é possível existir.
Em relação à colocação do Sacconi, temos que ter em mente que um texto técnico-científico deve seguir critérios sintáticos (aplicados à escrita) e não critérios prosódicos (regidos pela fala oral - ênfase), pois é aqui que habita as dificuldades na língua escrita, uma vez que há uma acentuada tendência em transferir para textos escritos características exclusivas da fala oral, o que quase sempre não é possível.
Vamos ao exemplo: Contudo há talvez uma diferença, que deve ter sido tomada em consideração para grafar cabeça-de-vento com tracinhos.
Há a seguinte possibilidade: "Há, contudo, talvez...". Então, se for preciso a tal pausa enfática que o Sacconi fala, deve-se colocar a conjunção posposta ao verbo, pois, assim, a conjunção terá que, obrigatoriamente, flcar entre vírgulas e, consequentemente, haverá um destaque fonético para a mesma, e esse destaque está defendido pela sintaxe, visto que é ela quem obriga a colocação dessas duas vírgulas.
Também se pode intercalar termos: "Contudo, para grafar cabeça-de-vento com tracinhos, há talvez uma diferença, que deve ter sido tomada em consideração". Aqui, como pode ver, devido à intercalação, a conjunção "contudo" acabou ficando isolada por vírgula. Então é mais uma opção para quem necessita da pausa enfática.
Entretanto é absolutamente impossível, do ponto de vista sintático, escrever da seguinte forma: "Contudo, há talvez uma diferença..." A vírgula aqui não é facultativa, pois não existe, neste tipo de caso, opção - é excessiva, sem fundamento sintático e sem necessidade, visto poder obter a tal pausa enfática com o uso de regras sintáticas, como mostrei.
Afirmo que isso não é possível pelo fato de a oração estar na ordem direta, o que não permite se colocar vírgula nela. E, depois, uma conjunção tem que estar obrigatoriamente ligada a uma oração, não podendo estar solta em um período.
Se fosse uma questão de ênfase, eu poderia escrever, caso eu não quisesse a ênfase: "Há contudo talvez...", ou seja, seria, nesse caso, também opcional isolá-la ou não por vírgula. Sendo que também não é opcional, a conjunção tem que, nesse caso, obrigatoriamente, estar entre vírgulas, pois é uma questão sintática e não de ênfase.
Independente de como a oração/período esteja disposto em relação à sua pontuação, o comportamento da conjunção não muda na oração.
Exs.:
1)Isso jamais aconteceu na Unesp. Portanto vamos comemorar!
2)Isso jamais aconteceu na Unesp; portanto vamos comemorar!
3)Isso jamais aconteceu na Unesp, portanto vamos comemorar!

Ou seja, independente de ter antes da conjunção uma vírgula, um ponto-e-vírgula ou um ponto, não muda a forma de colocação da conjunção na oração.

O Senhor poderia dizer se o meu raciocínio está correto? É que sempre tiro essas vírgulas dos textos dos meus alunos.

Muito obrigado pela atenção.

Aderbal.

Laércio Lutibergue disse...

Há bastante lógica em sua explanação, mas nem sempre a língua tem toda essa lógica.

Quer ver? Celso Cunha e Lindley Cintra, em "A Nova Gramática do Português Contemporâneo", também preveem essa vírgula pelo "tom enfático".

E exemplificam citando Rui Barbosa:

"Qual é a doença reinante? Bubões. Logo, Tarantula cubensis. Porque a mordedura desse aracnídeo gera sintoma da peste. Logo, a previne. Logo, há de curá-la".

Para arrematar, não existe motivo para combater um uso tão comum na nossa língua, até entre os clássicos, e abonado por vários gramáticos.

Saúde e paz!

Lígia Conti disse...

Bom dia professor, eu estou em dúvida quanto ao uso da vírgula, no seguinte período: As ações da Universidade vêm abrindo caminho para as possibilidadesde reclassificar o ensino superior nesta região e hoje a grande maioria dos cursos é integrada por [...]. A minha dúvida reside ao redor das palavras - e hoje - há alguma vírgula por ali, mas não consigo definir exatamtnete onde. Poderia me ajudar?
Obrigada
Lígia (maria.conti@uniso.br))

Laércio Lutibergue disse...

Prezada Lígia,

O "hoje", no meio do período, ou fica entre vírgulas, ou fica sem nenhuma:

"As ações da Universidade vêm abrindo caminho para as possibilidadesde reclassificar o ensino superior nesta região e, hoje, a grande maioria dos cursos é integrada por [...]".

"As ações da Universidade vêm abrindo caminho para as possibilidadesde reclassificar o ensino superior nesta região e hoje a grande maioria dos cursos é integrada por [...]".

Eu prefiro sem vírgulas.

Saúde e paz!

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