A emenda ficou pior... - Português na Rede

A emenda ficou pior...

Aguardado com ansiedade há meses, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) é uma emenda que, para fazer jus ao ditado, saiu pior que o soneto.



Em vez de trazer luz, trouxe uma sequência de irreflexões, tais como água-de-colônia com hífen, água de cheiro sem, pé-de-meia com hífen, pé de moleque (o bolo e o doce) sem, paraquedas junto e sem hífen, para-lama separado e com hífen.


É verdade que a questão do hífen nunca teve lógica, mas, como se depreende pelos exemplos acima, conseguiram piorar o que já era ruim.


E tudo porque os "geniais" do acordo e do Volp não quiseram enxergar o óbvio - quanto menos hífen, melhor.

"Ora", dirão alguns, "mas é complicado eliminar o hífen!" Será mesmo?



Poderíamos começar conservando o hífen somente em algumas formações com prefixos (como ex-governador, vice-prefeito) e suprimindo-o nas que não têm elementos prefixais. Ou seja, o hífen sairia de cena em formações como "primeiro ministro" e "cachorro quente", e por um simples motivo: não faz falta, o contexto esclarece o sentido.


Do mesmo modo seria abolido o hífen em palavras com "bem" e "mal". Não faz diferença "Seja bem-vindo, Paulo" ou "Seja bem vindo, Paulo", o hífen aqui também é inútil.


Somente com essas duas sugestões estamos eliminando, por baixo, metade dos hifens da língua portuguesa. E tudo de um modo muito simples, sem propor disparates.


Então, por que temos de aceitar essas regras sem pé nem cabeça dos "iluminados" que fizeram o acordo e o Volp? A sociedade precisa despertar e dar um freio nas mudanças ortográficas, para debatê-las amplamente e com inteligência.



Já passou da hora de sairmos da condição de ovelhas para a de homens pensantes. E isso vale para tudo. Até para os assuntos gramaticais.

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