O gerundismo de “sendo que” - Português na Rede

O gerundismo de “sendo que”

Quando se fala em gerundismo, imediatamente nos vem à cabeça a clássica frase dos operadores de telemarketing: "Nós vamos estar providenciando".
No entanto, o conceito de gerundismo é mais abrangente e, grosso modo, refere-se a todo emprego desnecessário de um gerúndio.
É o que ocorre com a locução "sendo que", um "gerundismo-muleta" que pode, quase sempre, ser substituído por uma conjunção ou por um pronome relativo e até mesmo ser simplesmente omitido, de tão inútil que é em alguns casos.
O pior é que essa locução é uma verdadeira praga. No Google, por exemplo, encontramos milhares de citações com a dita-cuja. Recortamos duas para mostrar quão inútil ela é.
Em um dos textos, estava: "Ano passado o Tribunal de Justiça de São Paulo abriu concurso para 183 vagas, sendo que apenas 76 foram ocupadas".
Ficaria melhor se fosse: "Ano passado o Tribunal de Justiça de São Paulo abriu concurso para 183 vagas, das quais apenas 76 foram ocupadas".
Noutro, estava: "Duas mulheres são executadas em João Pessoa, sendo que uma delas estava grávida de sete meses".
Neste caso, melhor seria: "Duas mulheres são executadas em João Pessoa e uma delas estava grávida de sete meses".
Como podemos ver, o não uso de "sendo que", além de nos afastar do gerundismo, contribui para melhorar a redação do nosso texto.

Um comentário:

Anônimo disse...

Concordo que na escrita o sendo que pode ser facilmente substituído ou omitido, mas na fala ele soa mais "eufônico" e traz uma maior informalidade para o que se expõe.

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