Fevereiro 2009 - Português na Rede

Desafio

Quais são os plurais da palavra "gol"?

a) gois e goles

b) gois, goles e gols

c) gois e gols


Veja a resposta amanhã de manhã.


Resposta


Este é um assunto polêmico.



Mas podemos dizer que oficialmente os plurais da palavra “gol” são “gois" (com “o” fechado), “goles” (com “o” também fechado) e “gols”.


Oficialmente porque é isso que diz a Comissão de Filologia da Academia Brasileira de Letras (ABL), responsável pela elaboração do dicionário da ABL e do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

Desses três plurais, indiscutivelmente o mais popular é “gols”, que também é o mais anormal, pois não existe na língua portuguesa nenhuma palavra terminada em “-ls” no plural.

Mas mesmo “gois" foge do padrão, porque as palavras com “-l” no fim têm vogal aberta, tanto no singular como no plural: anzol = anzóis; aval = avais; cal = cais; farol = faróis; sol = sóis; fel = féis; mel = méis.

E “goles” também não se enquadra no paradigma, pois contamos nos dedos as palavras que seguem esse modelo: aval = avales; cal = cales; cônsul = cônsules; fel = feles; mal = males; mel = meles.

Enfim, o melhor mesmo é respeitar a vontade do povo, soberana também em assuntos linguísticos.

Aceitemos, portanto, o plural “gols”!


P.S.: Em Portugal, usa-se "golo" no singular, cujo plural é "golos".
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ARROZ PIAMONTÊS ou PIEMONTÊS?

Não existe nenhum lugar chamado "Piamonte".


O que existe é o "Piemonte", uma região da Itália.


Desse nome deriva o adjetivo que batiza o prato "arroz piemontês".
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INICIAL MINÚSCULA ou MAIÚSCULA: QUARTA-FEIRA DE CINZAS

As datas religiosas ou festivas se escrevem com inicial maiúscula.


Assim, “Carnaval”, “Dia das Mães”, “Natal”, “Páscoa”, “Domingo de Ramos”, “Quarta-Feira de Cinzas” (repare: “Quarta-Feira de Cinzas", todas as iniciais maiúsculas).


P.S.: Esta regra segue a nova ortografia.
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Desafio

O feminino de “folião” e “pierrô” são respectivamente:

a) foliona e colombina


b) foliã e pierrete

c) foliona e pierrete


Daremos a resposta amanhã cedinho.


Resposta


O feminino de "folião" é "foliona" e o de "pierrô" é "pierrete".


Apesar de ser mais popular, a forma "foliã" ainda é ignorada por gramáticas e dicionários.


E "colombina" é outro personagem, outro tipo de palhaço. Como "pierrô" é um personagem masculino, convencionou-se chamar de "pierrete" a mulher que se fantasia desse personagem.

É palavra de raro uso, mas aparece em algumas produções literárias, como “A canção das lágrimas de Pierrô”, de Manuel Bandeira:


E rodam mais que confete,
Em farândolas quebradas,
cabeças desassisadas
Por Colombina ou Pierrete.
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EU DEDICO A VITÓRIA À ou A ESSA TORCIDA MARAVILHOSA?

Os demonstrativos “este”, “esta”, “isto”, “esse”, “essa” e “isso” rejeitam a anteposição de artigo.


Se não existe artigo, não ocorre a crase, pois ela é a fusão de dois "a", do "a" preposição com o "a" artigo.


Por isso, não há crase em "Eu dedico a vitória a essa torcida maravilhosa".
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CACETETE ou CASSETETE?

O bastão usado como arma por policiais é “cassetete”.

Escreve-se com o dígrafo “-ss” porque seu étimo (origem) é o francês “casse-tête”, literalmente “quebra-cabeça”.
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A CÔNSUL ou A CONSULESA?

Segundo o Aurélio e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, a palavra “cônsul” tem feminino.

É “consulesa”, que se aplica tanto à diplomata como à mulher do cônsul.

Logo, "A consulesa do Brasil na Suíça".
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A origem da palavra "íris"

Na mitologia grega, era a mensageira da deusa Hera, mulher de Zeus.


Vestindo um xale de sete cores, Íris descia do céu num facho de luz, características que originaram duas palavras: arco-íris e íris (do olho).
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Desafio da sexta

O certo é:

a) Ela tem muito má vontade.

b) Ela tem muita má vontade.

A resposta estará aqui amanhã cedo.

Resposta


A opção certa é a letra "b", Ela tem muita má vontade.

Vamos entender o motivo.

Em geral, "muito" varia quando modifica substantivo: muitos presentes, muitos amigos, muitas alegrias.

E não varia quando modifica adjetivo, verbo ou advérbio: "Ela está muito cansada", "Todos se esforçaram muito", "Ela ficou muito pouco satisfeita com a nota".

Portanto, "muito" quando precede um adjetivo não varia, certo?

Nem sempre. Há um caso em que "muito", apesar de preceder um adjetivo, varia: quando o adjetivo forma com o substantivo seguinte uma unidade, como se fosse uma palavra composta: "Que o Natal traga muitas boas novas": "Ela tem muita má vontade", "Ele chegou de Brasília com muitas boas notícias".

Observe que nessas frases as expressões "boas novas", "má vontade" e "boas notícias", mesmo estando separadas, formam unidades semânticas, isto é, têm valor de nome composto.

Logo, o "muito" que as precede não se refere apenas ao adjetivo, mas a todo o conjunto adjetivo-substantivo.
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O DIA-A-DIA ou O DIA A DIA?

O novo acordo ortográfico extinguiu o hífen das palavras compostas que têm entre os termos um elemento de ligação ( artigo, conjunção, preposição ou pronome).


Exemplos: à toa (adjetivo e advérbio), corpo a corpo (substantivo e advérbio), dia a dia (substantivo e advérbio), passo a passo (substantivo e advérbio), arco e flecha, general de divisão, lua de mel, mão de obra, pé de moleque, ponto e vírgula, não me toques (melindres), um disse me disse, um deus nos acuda, um(a) maria vai com as outras, um pega pra capar, etc.


Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia (as economias de uma pessoa), ao deus-dará, à queima-roupa e os compostos entre cujos elementos há apóstrofo, como cobra-d’água, caixa-d’água, mestre-d’armas, mãe-d’água e olho-d’água.
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NÃO-FUMANTE ou NÃO FUMANTE?

O acordo ortográfico aboliu o hífen das formas em que a palavra "não" tem valor prefixal: não agressão, não engajado, não violência, não participação, não governamental, não fumante.
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ELE FOI FEITO DE REFÉM ou FEITO REFÉM?

Uma pessoa é “feita refém”, e não “feita ‘de’ refém”.


Não existe, portanto, a preposição "de" nesse tipo de construção com o verbo "fazer".


Assimile pelos exemplos:


A esposa e o filho do casal foram feitos reféns.

Bandidos fazem família refém.

Ele foi feito refém.
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MACHADEANO ou MACHADIANO?

O adjetivo relativo a Machado de Assis é "machadiano", com “-iano” no fim.


Sucede que a terminação “-eano” só aparece em derivados de nomes próprios terminados em “e” acentuado (Taubaté = taubateano) ou terminados em ditongo (Coreia = coreano; Galileu = galileano; Montevidéu = montevideano).

Nos demais casos, sempre “iano-”: "andradiano", “camoniano”, “clariciano”, “freyriano”, “rodriguiano”.

Exceção: “acreano”, mas a grafia “acriano” também é aceita.
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Desafio

Em qual das opções o verbo implicar está seguindo a regência da norma culta?


a) A reestruturação da saúde pública implica menos sofrimento para o povo.

b) A reestruturação da saúde pública implica em menos sofrimento para o povo.

Resposta


No sentido de trazer como resultado, acarretar, o verbo implicar é transitivo direto, ou seja, rege complemento sem preposição. Portanto, a opção certa é a letra “a”, A reestruturação da saúde pública implica menos sofrimento para o povo.



Essa não é a única regência de implicar. Há outras:

- No sentido de pressupor, é transitivo direto, sem preposição: Jornalismo implica dedicação; Escrever bem implica muita leitura.



- No sentido de antipatizar, ter implicância, mostrar-se impaciente, é transitivo indireto regendo a preposição com: Ele implicou com a irmã; O turista implicou com o guia.



- No sentido de envolver, pede dois complementos, com em introduzindo o objeto indireto: As investigações implicaram o homem no assalto; A denúncia implicou o político no escândalo.
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MAS ou MAIS?

Se a relação for de adversidade, oposição, é “mas”: “Estudou muito, mas não passou”; “A equipe jogou bem, mas não venceu”; “Programa brasileiro é elogiado, mas o país não pode descuidar”.

Note que “mas” pode ser substituído por “porém”: “Estudou muito, porém não passou”.

Se a relação for de intensidade, quantidade, é “mais”: “Comprou mais sorvete”; “A equipe precisa jogar mais no ataque”; “Ele é a pessoa mais preparada da empresa”.

Note que “mais” pode ser substituído por “menos”: “Comprou menos sorvete”.
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Particípio e verbos abundantes

Particípio é, assim como o gerúndio e o infinitivo, uma forma nominal do verbo.

É nominal porque tem valor de adjetivo: "A casa foi construída", "A aula está encerrada", "Ele é apressado".

A maioria dos particípios termina em "-ado" e "-ido": cantado, lutado, partido, vencido, permitido...

E todos os verbos têm um particípio.

Ou melhor, quase todos.

Porque há os que têm mais de um.

São os chamados verbos abundantes, que têm dois particípios: o regular, maior e terminado em "-ado" ou "-ido"; e o irregular, menor e de variada terminação.

Alguns desses:

aceitar - aceitado/aceito;
acender - acendido/aceso;
benzer - benzido/bento;
eleger - elegido/eleito;
entregar - entregado/entregue;
expressar - expressado/expresso;
expulsar - expulsado/expulso;
extinguir - extinguido/extinto;
imprimir - imprimido/impresso;
matar - matado/morto;
prender - prendido/preso;
salvar - salvado/salvo;
soltar - soltado/solto;
submergir - submergido/submerso;
suspender - suspendido/suspenso.

Como usá-los?

Por motivos sonoros, a gramática recomenda usar as formas regulares com "ter" e "haver" e as irregulares com "ser" e "estar": "O árbitro já o tinha expulsado", "Ele já foi expulso pelo árbitro".

Há, porém, três verbos especiais que hoje, preferencialmente, só são usados com os particípios irregulares.

São "ganhar", "gastar" e "pagar", todos, por coincidência, relacionados com a carteira ($).

Por isso, deve-se dizer/escrever "eu tinha ganho", "eu tinha gasto", "ele havia pago", e não "eu tinha ganhado", "eu tinha gastado", "ele havia pagado".

E o caso "pegar"?

Existe a forma "pego"?

Antigamente, não existia, era só "pegado".

Hoje, além de amplamente usada, ela está nos dicionários e no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

Ou seja, "pego" pegou.

Logo, quando o auxiliar for "ser" ou "estar", use sem medo  o particípio irregular: "Ele foi pego".

Por fim, os verbos "chegar", "empregar" e "trazer" não são abundantes, como muita gente pensa. 

Eles têm apenas o particípio regular: "chegado",  "empregado" e "trazido".

E "escrever" só tem o particípio irregular: "escrito".

Assim sendo, são equivocadas as frases: 

A professora havia chego fazia muito tempo.

O décimo terceiro foi empregue* na reforma da casa. 

Ela havia trago o bolo. 

Eu havia escrevido um poema para ela.

O correto:

A professora havia chegado fazia muito tempo.

O décimo terceiro foi empregado  na reforma da casa. 

Ela havia trazido o bolo. 

Eu havia escrito um poema para ela.

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