Abril 2009 - Português na Rede

COMPREENSÍVEL x COMPREENSIVO

"Compreensível" é o que pode ser compreendido: "É compreensível a atitude dele"; "Depois de tanta perseguição, foi compreensível a reação dela"; "A gripe suína causa compreensível temor na sociedade".

"Compreensivo" é aquele que tem a qualidade de compreender os outros: "Gosto de pessoas compreensivas", "Seja mais compreensivo, papai"; "Mamãe é muito compreensiva".
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DE BAIXO ou DEBAIXO?

Grafa-se “de baixo”, separado, nos seguintes casos:


a) quando “baixo” é adjetivo ou faz parte de uma locução adjetiva: “Disse várias palavras de baixo calão”; “Estava sem a roupa de baixo”;


b) em correlações com “cima” ou “alto”: “Olhou a moça de baixo a cima”; “Observou o quadro de baixo a alto”; “A cortina rasgou-se de baixo a cima”;

c) ou quando pode ser substituído por “de cima”: “Saiu de baixo (de cima) da árvore”.

Nos demais casos, escreve-se “debaixo”, junto: “O menino está debaixo da mesa”; “Vivem debaixo do mesmo teto”; “Debaixo de um sol forte, centenas de pessoas disputaram um espaço na fila”; “Sport joga com o regulamento debaixo do braço”.


Como reforço, perceba que em “de baixo” está presente, normalmente, a ideia de “lugar de onde” (Saiu de baixo da mesa = saiu de onde) enquanto em “debaixo” a ideia é de “lugar onde” (O menino está debaixo da mesa = o menino está onde).

Observe também que “debaixo”, na maioria das vezes, é seguido da preposição “de” (“O menino está debaixo da mesa”; “Vivem debaixo do mesmo teto”; “Timbu com o regulamento debaixo do braço”) e que o mesmo não ocorre com “de baixo” (“Disse várias palavras de baixo calão”; “Olhou a moça de baixo a cima”; “Sai de baixo, que lá vem pedra!”).


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AFRO-DESCENDENTE ou AFRODESCENDENTE?

Elementos como afro-, anglo-, euro-, franco-, indo-, luso-, sino-, quando entram na composição de adjetivos pátrios, cobram hífen: afro-americano, afro-brasileiro, anglo-saxão, euro-asiático, franco-canadense.

No entanto, quando não formam adjetivos pátrios, eles dispensam o hífen: anglofalante, eurodeputado, francolatria, lusófono, afrodescendente.
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EM VIAS DE ou EM VIA DE?

A locução certa é “em via de”, com a palavra “via” no singular.

Lembre-se de que “via” significa “caminho”.


Daí a razão de ser “em via [no caminho] de”.
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Desafio

a) Ganhar e perder faz parte da vida.



b) Ganhar e perder fazem parte da vida.

Qual a concordância correta?



RESPOSTA


Fica no singular o verbo de um sujeito composto cujos núcleos são infinitivos:


Andar e nadar faz bem à saúde.

Fumar e beber prejudica a saúde.

Ser paciente e respeitar o próximo fortalece a cidadania.


O verbo da oração irá, contudo, para o plural se os infinitivos vierem determinados pelo artigo ou se forem antônimos:


O amar e o ajudar são necessários.

Sorrir e chorar nos tornam humanos.

Ganhar e perder fazem parte da vida.


Letra "b", portanto, é a resposta certa.
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A emenda ficou pior...

Aguardado com ansiedade há meses, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) é uma emenda que, para fazer jus ao ditado, saiu pior que o soneto.



Em vez de trazer luz, trouxe uma sequência de irreflexões, tais como água-de-colônia com hífen, água de cheiro sem, pé-de-meia com hífen, pé de moleque (o bolo e o doce) sem, paraquedas junto e sem hífen, para-lama separado e com hífen.


É verdade que a questão do hífen nunca teve lógica, mas, como se depreende pelos exemplos acima, conseguiram piorar o que já era ruim.


E tudo porque os "geniais" do acordo e do Volp não quiseram enxergar o óbvio - quanto menos hífen, melhor.

"Ora", dirão alguns, "mas é complicado eliminar o hífen!" Será mesmo?



Poderíamos começar conservando o hífen somente em algumas formações com prefixos (como ex-governador, vice-prefeito) e suprimindo-o nas que não têm elementos prefixais. Ou seja, o hífen sairia de cena em formações como "primeiro ministro" e "cachorro quente", e por um simples motivo: não faz falta, o contexto esclarece o sentido.


Do mesmo modo seria abolido o hífen em palavras com "bem" e "mal". Não faz diferença "Seja bem-vindo, Paulo" ou "Seja bem vindo, Paulo", o hífen aqui também é inútil.


Somente com essas duas sugestões estamos eliminando, por baixo, metade dos hifens da língua portuguesa. E tudo de um modo muito simples, sem propor disparates.


Então, por que temos de aceitar essas regras sem pé nem cabeça dos "iluminados" que fizeram o acordo e o Volp? A sociedade precisa despertar e dar um freio nas mudanças ortográficas, para debatê-las amplamente e com inteligência.



Já passou da hora de sairmos da condição de ovelhas para a de homens pensantes. E isso vale para tudo. Até para os assuntos gramaticais.
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Ortografia do acordo: o hífen de “bem” e de “mal”

Como ficou a regra do emprego de "bem" e de "mal" com hífen depois do acordo ortográfico? As mudanças foram poucas. A essência continua como antes.

"Bem" se agrega com hífen à palavra com que forma uma unidade semântica (adjetivo ou substantivo composto): bem-aventurado, bem-criado, bem-humorado, bem-educado, bem-nascido, bem-sucedido, bem-vindo, bem-visto (estimado).

Mudança só houve no caso de "benfeito", "benquerer" e "benquerido", que agora são grafadas sem hífen e com "n".

Outras palavras com "bem" que já eram grafadas sem hífen, e continuam sendo, são: benfazejo, benfeitor, benquerença, benquerente, benquisto.

O caso de "mal" é parecido: se agrega com hífen a palavras iniciadas por vogal, "h" ou "l" quando forma com elas uma unidade semântica (adjetivo ou substantivo composto): mal-afortunado, mal-educado, mal-estar, mal-humorado, mal-limpo.
Às demais letras, quando forma uma unidade semântica, "mal" se une diretamente: malcolocado, malcriado, malgrado, malnascido, malpago, malpesado, malsoante, malvisto, malsinalizado.


O problema da regra de "bem" e de "mal" é que nem sempre eles formam com a palavra seguinte uma unidade semântica.


Por exemplo, em "Ela foi bem educada pelos pais", não há hífen porque "bem" não forma com a palavra seguinte uma unidade semântica. O que temos é um advérbio (bem) modificando um verbo/particípio (educada).

Por isso, o segredo para saber quando "bem" e "mal" se agregam com ou sem hífen à palavra seguinte é reconhecer uma unidade semântica, ou seja, um adjetivo ou substantivo composto.

Isso não é difícil. Basta ficar atento às "pistas". Compare:


1) É uma criança bem-educada (unidade semântica, adjetivo composto).


2) Ela foi bem educada pelos pais (não é uma unidade semântica).


3) Pedro é malvisto pelos colegas (unidade semântica, adjetivo composto).

4) O lance foi mal visto pelo árbitro da partida (não é uma unidade semântica).


5) É muito ruim fazer serviços malremunerados (unidade semântica, adjetivo composto).

6) Ele é mal remunerado pela empresa (não é uma unidade semântica).


Observe que as formas com hífen ou aglutinadas, em geral, não estão na voz passiva (1 e 5), não aceitam a inversão (1, 3 e 5) e, muitas vezes, formam um novo sentido (3).


Essas são as "pistas" que nos ajudam a saber quando "bem" e "mal" formam com a palavra seguinte uma unidade semântica (adjetivo ou substantivo composto) e, por isso, se agregam com ou sem hífen a essa palavra.
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CRASE ANTES DE HORAS


Na maioria das vezes, há crase no "a" que precede horas:

Os supermercados abrem às 7h.

O jogo será à 1h da madrugada.

À 0h do dia 1.º de janeiro, começará a queima de fogos.

Em cinco casos, porém, não há crase nesse "a" que acompanha horas: quando antes dele há as preposições "até", "após", "desde", "entre" e "para".

Veja:

Os ingressos serão vendidos até as 18h.

Os portões serão fechados após as 7h30.

O consumo de álcool está liberado desde a 0h de segunda-feira.

Há uma lei que proíbe a prática esportiva na praia entre as 8h e as 16h.

A sessão estava marcada para as 20h.

Regra prática – Substitua a hora por "meio-dia": se der "ao meio-dia", há crase; se não der, esqueça a crase.

Observe: A transmissão começa às 6h30, com crase, porque A transmissão começa ao meio-dia.

Mas: O erro foi identificado pela reportagem após as 19h de ontem, sem crase, porque O erro foi identificado pela reportagem após o meio-dia de ontem. 



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Desafio

O novo acordo ortográfico eliminou o trema, exceto em:
a) Nomes de animais e vegetais, como sagüim e serigüela.
b) Advérbios, como tranqüilamente e freqüentemente.
c) Nomes estrangeiros e derivados, como Müller e mülleriano.

Resposta
Letra "c" é a resposta correta: o acordo eliminou o trema, exceto em nomes próprios estrangeiros e nos seus derivados.
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CONCORDÂNCIA: VEM ou VÊM?

Quando o sujeito é singular, é “vem”: "Vem aí o São-João".

Quando é plural e/ou composto, é “vêm”: "Vêm aí os festejos juninos”.

Olho vivo! O acordo ortográfico derrubou o acento nas palavras terminadas com o encontro “-eem”, como “creem”, “deem”, “leem” e “veem”.

Mas “vêm” (“eles vêm”) e “têm” (“eles têm”) conservaram o acento porque não terminam em “-eem”.
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ORTOGRAFIA DO ACORDO: AUTO-SUFICIENTE ou AUTOSSUFICIENTE?

Quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com “r” ou “s”, dobram-se estas letras: corresponsável, minissérie, semissólido, ultrassom, autosserviço, autossuficiente.
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Plural das palavras terminadas em "ão"

Vamos entrar num terreno cheio de pedras: o plural das palavras terminadas em "ão".


O problema é que há mais de uma forma: umas mudam para "ões" (casarões, facões, leões), algumas para "ães" (alemães, capitães, tabeliães), outras para "ãos" (acórdãos, cidadãos, pagãos), e há as que têm mais de um plural (afegães, afegãos, aldeães, aldeãos, aldeões, anões, anãos, corrimãos, corrimões).


É complicado sim. Mas não adianta reclamar. Temos que nos contentar com as regras do jogo.


Ainda bem que no jogo da gramática há sempre os macetes:


O PRIMEIRO - a maioria das palavras com “ão” no fim tem o plural com “ões”: anfitriões, balões, botões, feijões, mamões, melões. Os aumentativos fazem parte deste grupo: facões, paredões, portões, narigões, piscinões.

O SEGUNDO - algumas poucas fazem “ães” no plural: alemães, cães, capelães, capitães, catalães, escrivães, tabeliães. Repare que neste grupo estão incluídas palavras que designam atividades profissionais (capitães, escrivães, tabeliães) e religiosas (capelães).

O TERCEIRO - um grupo pequeno alterna para “ãos” no plural: cidadãos, cortesãos, irmãos, cristãos, pagãos. Deste grupo fazem parte as paroxítonas terminadas em “ão”: acórdãos, bênçãos, órfãos, órgãos, sótãos.


O QUARTO - há palavras que aceitam duas ou três formas de plural, como aldeãos, aldeães, aldeões, anãos, anões, anciãos, anciães, anciões, castelãos, castelões, charlatães, charlatões, cirurgiães, cirurgiões, corrimãos, corrimões, ermitãos, ermitães, ermitões, faisães, faisões, guardiães, guardiões, refrãos, refrães, sacristãos, sacristães, verãos, verões, vilãos, vilães, vilões, vulcãos, vulcães, vulcões.


OBSERVAÇÕES:

1. A palavra "artesão" tem dois significados: quando for "artista de trabalhos manuais", seu plural é “artesãos”; quando for "tipo de adorno arquitetônico", seu plural é “artesões”.

2. O feminino terminado em “ã” só recebe um simples “s” no plural: irmã = irmãs; órfã = órfãs; anfitriã = anfitriãs.
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CRASE: FELICIDADE À ou A TODA PROVA?

A crase é o encontro da preposição “a” com o artigo “a”.
Logo, para ocorrer crase é necessário haver artigo.

O pronome “toda” rejeita a anteposição de artigo – dizemos “toda mulher é charmosa”, e não “a toda mulher é charmosa”.

Por isso, não há crase em “Felicidade a toda prova”.
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IMPLANTAR x IMPLEMENTAR

Antes de tudo, leia a seguinte frase: “Esta semana, o ministro da Educação, Fernando Haddad, apresentou o novo modelo de vestibular que pretende implementar fazendo uso do Enem”.

Agora, vamos esclarecer as diferenças.


“Implantar” é da família de “plantar” e significa “iniciar”, “realizar”, “executar”.

Implementar é da família de “implemento” e significa “dar prosseguimento a algo” (geralmente a um plano, a um programa, a um projeto).

Com essa informação, podemos sintetizar a diferença entre as duas palavras da seguinte maneira: “implantar” marca o início (a execução) de uma ação, enquanto “implementar” expressa a continuidade (o prosseguimento).


Posto isso, está correto o uso de “implementar” na frase que abre esta postagem?


Não, porque o novo modelo de vestibular ainda não está em execução, não se pode “implementar” algo que ainda não se iniciou.


O que o ministro vai fazer é “implantar” o novo modelo de vestibular, isto é, iniciar (“introduzir”, “executar”, “realizar”) o modelo.
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Desafio

As palavras abaixo têm o mesmo significado e designam monumento funerário que era erguido na Grécia antiga para homenagear um herói.


Queremos saber como se escrevem elas depois do acordo ortográfico:



a) “Herôo” e “herôon”, ambas levam acento.


b) “Heroo” e “herôon”, só a terminada em “n” leva acento.


c) “Heroo” e “heroon”, nenhuma leva acento.


Resposta


A resposta correta está na letra “b”.

O acordo derrubou o acento do encontro “oo” de palavras como “enjoo”, “voo” e “zoo".

Mas no caso de “herôon” prevalece outra regra: a que manda acentuar as paroxítonas terminadas em “n”, como “cátion”, “hífen” e “próton”.
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ORTOGRAFIA DO ACORDO: SEMI-NOVO ou SEMINOVO?

Na nova ortografia, se o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante, não existe hífen: anteprojeto, antipedagógico, autopeça, autoproteção, geopolítica, microcomputador, pseudomédico, semicírculo, seminovo, ultramoderno, antigesto, semideus, semiditador, autofinanciamento.


Observação: Quando a consoante que encerra o primeiro elemento é igual à que inicia o segundo, usa-se o hífen: hiper-requintado, inter-racial, inter-regional, mal-limpo, sub-bibliotecário, super-racista, super-reacionário, super-resistente, super-romântico.
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ORTOGRAFIA DO ACORDO: TÃO-SOMENTE ou TÃO SOMENTE?

O hífen saiu de cena nas formações em que nenhum dos elementos é substantivo, adjetivo, verbo ou numeral (tão só, tão somente) ou naquelas entre cujos elementos aparece um vocábulo de ligação (dia a dia, lua de mel, mão de obra).


Exceções do último caso: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará e à queima-roupa.


O acordo, porém, não aboliu o hífen das palavras formadas por substantivo + substantivo (ano-luz, decreto-lei), substantivo + adjetivo (mesa-redonda, azul-escuro), adjetivo + substantivo (boa-fé, maus-tratos), numeral + substantivo (primeiro-ministro, quarta-feira), verbo + substantivo (guarda-chuva, porta-aviões) e naquelas em que pelo menos um dos elementos seja um substantivo, um adjetivo, um verbo ou um numeral (joão-ninguém, abaixo-assinado, alto-falante).
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