Novembro 2009 - Português na Rede

MANDA-CHUVA ou MANDACHUVA?

Depois da reforma, passou a ser “mandachuva”, sem hífen.

Está no mesmo caso de “paraquedas”, ou seja, das palavras que perderam o hífen porque, segundo os elaboradores do acordo ortográfico, não existe mais nelas a noção de composição.
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A vírgula de "pois"

A vírgula sempre acompanha a conjunção “pois”.

Quando “pois” é explicativo e equivale a “porque”, a vírgula fica antes: “O início da construção do estádio pode demorar mais do que foi anunciado, pois a área é de preservação ambiental”. 

Quando “pois” é conclusivo e equivale a “portanto, a vírgula fica antes e depois: “A seleção brasileira venceu as eliminatórias sul-americanas. O Brasil é, pois, um dos favoritos a ganhar a Copa”.
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EMPRESAS LARANJAS ou EMPRESAS LARANJA?

Laranja é um substantivo.

Substantivo em função adjetiva não varia. 

Por isso, “comícios monstro”, “tons pastel”, “listras vinho”, “raios ultravioleta”, “saias xadrez”, "empresas laranja".
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O lheísmo


Deus lhe abençoe. Eu lhe vi. Eu lhe amo. Aparentemente, nada de anormal há nessas frases. Mas há.


Em todas elas, existe a ocorrência do "lheísmo", fenômeno linguístico que consiste no uso do "lhe" no lugar do pronome "o".

Ou seja, as frases gramaticais são "Deus o/a abençoe", "Eu o/a vi", "Eu o/a amo".

Vamos abrir um parêntese para relembrar a noção de transitividade verbal.

Verbos transitivos são aqueles que precisam de complemento para ter sentido completo.

Se a ligação entre o verbo e seu complemento for direta, sem preposição, o verbo será “transitivo direto”.

Se a ligação for indireta, com uma preposição, o verbo será “transitivo indireto”.

Um exemplo de transitivo direto: "Ele viu o irmão". Perceba que "irmão" completa o sentido de "ver" e faz isso desacompanhado de preposição.

Um exemplo de verbo transitivo indireto: "Ela gosta muito da mãe". Note que "mãe" completa o sentido de "gostar" e faz isso acompanhado de preposição.

Às vezes, no lugar de substantivos como "irmão" e "mãe", usamos os pronomes pessoais "o" e "lhe".

Esses pronomes, porém, têm funções distintas: "o" substitui objeto direto, ao passo que "lhe" substitui objeto indireto.

As pessoas, no entanto, se esquecem disso e é aí que surge o "lheísmo".

Muito comum no Nordeste, esse fenômeno tem como possível causa, além do desconhecimento da regra, uma predileção sonora.

Quem diz "Eu lhe amo" possivelmente o faz por não se sentir à vontade para dizer o formal "Eu o amo", que, para alguns, pode parecer marca de afetação.

O que fazer então, aceitar ou combater o lheísmo?

As duas coisas. Nos registros mais informais, como na fala coloquial, não existe a necessidade de combatê-lo.

Em registros mais cultos, porém, especialmente na língua escrita, ele deve sim ser evitado.
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Colocação pronominal: o poder de atração do "que"

Trecho de despacho judicial: “O réu disse que encontrava-se em outro local na hora do crime”.

O vocábulo “que” atrai o pronome para antes do verbo. Desse modo, “O réu disse que se encontrava em outro local na hora do crime”.

Também atraem o pronome as palavras de sentido negativo (não, nem, nada, nunca, jamais, nenhum, ninguém), os vocábulos “sem” e “quando”, os pronomes relativos (o qual, quem, cujo, onde), os pronomes indefinidos (algo, algum, alguém, diversos, muito, pouco, vários, tudo), os pronomes demonstrativos (esta, este, essa, esse, isto, isso, aquela, aquele, aquilo) e os advérbios (aqui, ali, bem, mal, sempre...).


Atenção! Quando há uma vírgula entre o advérbio e o verbo, o pronome fica depois do verbo: “Realmente, chamaram-no de tolo”.


Mas, quando o advérbio intercala os demais termos e existe outro vocábulo atrativo, o pronome fica antes:“Ele disse que, realmente, o chamaram de tolo”.
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ABSOLVER x ABSORVER

“Absolver” significa inocentar: “O júri absolveu o réu”.

“Absorver” significa puxar para dentro, assimilar, tomar para si: “Acusado de centralizador, presidente do Sport está absorvendo toda a culpa pelo fracasso”; "Empresas vão absorver prejuízo"; "Amazônia absorve menos carbono".
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CONCORDÂNCIA: VERBO "SER"

O verbo "ser" concorda preferencialmente com o predicativo quando o sujeito é um pronome neutro ("tudo", "isso", "aquilo") ou palavra de sentido coletivo ou partitivo:

Tudo são flores.

Aquilo não eram atitudes de um ser humano.

Isso serão previsões sem sentido.

Isso aqui são férias.

A maioria eram rapazes.

O resto são bobagens.

O mais eram sacrifícios.
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Seríssimo ou seriíssimo?

Escrevem-se com “i” dobrado os superlativos originados de adjetivos com a terminação “-io” precedida de consoante: frio = friíssimo; ímpio = impiíssimo; macio = maciíssimo; sério = seriíssimo; sumário = sumariíssimo.

Importante! Quando o adjetivo termina em “-eio”, o superlativo não tem “i” dobrado: cheio = cheíssimo.

Exceção: "feio", que tem dois superlativos -  "feíssimo" e "feiíssimo".
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