2010 - Português na Rede

Sobre década e décadas

A mesma discussão que houve no fim de 2009 está de volta neste fim de 2010: qual o ano que marca o fim da primeira década do século 21?

Não há muito o que discutir.

A primeira década do século se encerra este ano.

É muito simples.

Os séculos têm cem anos e sempre começam no ano 1.

O século primeiro começou em 1 e foi até 100.

O século 19 iniciou-se em 1801 e terminou em 1900.

O século 20 principiou em 1901 e acabou em 2000.

E o século atual teve seu início em 2001.

É a partir deste ano que começamos a contar os anos do século 21.

E o primeiro ciclo de dez anos, chamado de década, vai de 2001 a 2010.

Portanto, não há dúvida, 2010 marca o fim da primeira década do século 21.

E o próximo ano, 2011, será o início de uma nova década, certamente chamada de “década de 10”, cujo encerramento se dará em 2020.

Então, quer dizer que o pessoal que assinalou 2009 como o fim da primeira década do século errou?

Calma lá!

Essa década a que nos referimos na primeira parte deste comentário é a chamada “década clássica”.

Ela, porém, não é a única.

Como década é qualquer período de dez anos, podem ocorrer situações em que o início e o fim de uma década sejam marcados de outra forma.

Por exemplo: imaginemos que um clube de futebol foi decacampeão de 1995 a 2004.

Esse período de dez anos pode ser chamado de “a década de ouro” desse clube.

Algo parecido sucede com os dez anos que vão de 2000 a 2009.

Essa época pode perfeitamente ser chamada de década.

Não a primeira deste século, que, como vimos, termina agora em 2010.

Mas, por exemplo, a “década dos anos 00”, ou seja, a década que abrangeu os anos de 2000 a 2009.

Publicado na coluna "Com todas as letras", Jornal do Commercio do Recife, em 29/12/2010.
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Resposta do desafio natalino

A pergunta

O nome “Papai Noel” está, segundo os dicionários, corretamente flexionado na frase:

a) Os Papai Noéis do Nordeste sofrem com o calor.

b) Os Papais Noéis do Nordeste sofrem com o calor.

c) Os Papais Noel do Nordeste sofrem com o calor.

A resposta

Segundo os dicionários, o plural de “Papai Noel” é “Papais Noéis”, ou seja, variam os dois elementos.

Logo, a opção certa é a letra “b”.
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Desafio natalino

O nome “Papai Noel” está, segundo os dicionários, corretamente flexionado na frase:

a) Os Papai Noéis do Nordeste sofrem com o calor.

b) Os Papais Noéis do Nordeste sofrem com o calor.

c) Os Papais Noel do Nordeste sofrem com o calor.


A resposta está aqui.
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Palavras do Natal

Por estarmos na antevéspera do Natal, falaremos hoje da origem de alguns termos relacionados à data.

Natal - Para os romanos, Natal era o deus que dava assistência às pessoas no momento do nascimento delas. Foi do nome desse deus que veio o latim “natale”, origem da palavra “natal”, que significa “nascimento” e, entre outras acepções, nomeia a mais importante data do calendário cristão.

Presépio - Veio do latim “praesepium”, o mesmo que “curral, estrebaria”. O significado original foi praticamente esquecido e hoje a palavra é mais empregada para designar a representação, geralmente em miniatura, da cena do nascimento do Menino Jesus.

Panetone - Provém do italiano “panettone”. Por trás de sua origem, há muitas lendas, como a de que “panetone” viria de “pane tonico” (pão tônico, fortificante) ou a de que o nome seria uma homenagem ao inventor do pão, um tal de Toni, por isso “panetone”, isto é, “pane di Toni”.

Papai Noel - O “Papai Noel” dos brasileiros foi importado do francês “Père Noël” (Pai Natal). Os portugueses, mais objetivos, traduziram essa importação e dizem “Pai Natal”. Os ingleses têm o “Father Christmas”. Os canadenses que falam inglês e os americanos pedem presentes a “Santa Claus”, cuja origem é o holandês “Sinterklaas”, “São Nicolau” em português. Nicolau foi um bispo que viveu na Turquia no século 4.º e, por ser bondoso e gostar de dar presentes, originou essa história de “Papai Noel”, alegre para as crianças que ganham presentes e, infelizmente, triste para as que não ganham.


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Resposta do desafio

A pergunta


A alternativa em conformidade com a norma-padrão é:


a) Não é sempre que se fazem 90 anos.

b) Não é sempre que se faz 90 anos.

c) As alternativas "a" e "b" estão certas.

A resposta


A alternativa "a" - "Não é sempre que se fazem 90 anos" - é
a que está em conformidade com a norma-padrão.

O que temos é um caso de voz passiva sintética.

As orações com a estrutura “verbo transitivo direto + se + substantivo” (ou “se + verbo transitivo direto + substantivo”) estão na voz passiva sintética.

O sujeito (passivo) é o substantivo da estrutura, e o verbo, naturalmente, concorda com ele.

Observe:

Vendem-se carros. (Estrutura da oração: verbo transitivo direto + se + substantivo.)

Consertam-se relógios. (Estrutura da oração: verbo transitivo direto + se + substantivo.)

Não é sempre que se fazem 90 anos. (Estrutura da oração: se + verbo transitivo direto + substantivo.)

Observe que todas essas orações podem ser passadas para a voz passiva analítica (= verbo ser +  particípio):

Carros são vendidos.

Relógios são consertados.

Não é sempre que 90 anos são feitos.

Alguém pode contestar a concordância de "Não é sempre que se fazem 90 anos", sob o argumento de que o verbo "fazer" quando indica tempo transcorrido é impessoal.

Mas nessa frase o verbo "fazer" não indica tempo transcorrido.

Ele está sendo usado com o sentido de "completar": Não é sempre que se fazem 90 anos = Não é sempre que se completam 90 anos.

E com esse significado "fazer" é transitivo direto.


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Desafio: concordância verbal

A alternativa em conformidade com a norma-padrão é:

a) Não é sempre que se fazem 90 anos.

b) Não é sempre que se faz 90 anos.

c) As alternativas "a" e "b" estão certas.

Leia AQUI a resposta.


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ACERCA DE, A CERCA DE ou HÁ CERCA DE?

ACERCA DE corresponde a sobre, a respeito de: “Falou acerca do caso”; “A declaração foi acerca dos últimos episódios”; “Acerca daquele fato, nada tenho a dizer”.

A CERCA DE significa perto de, aproximadamente: “Declarou isso a cerca de 20 pessoas”; “As feras ficam a cerca de 30 metros dos visitantes”; “O elenco do time está reduzido a cerca de dez jogadores”.

HÁ CERCA DE significa faz aproximadamente: “Há cerca de duas semanas, troquei o óleo do carro”; "Ela saiu daqui há cerca de uma hora".
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Resposta do desafio: concordância

A pergunta


Sobre “Tudo é flores” e “Tudo são flores” podemos dizer quê:


a) A primeira está certa, a segunda está errada.


b) A primeira está errada, a segunda está certa.

c) Ambas estão certas.

A resposta

O verbo “ser” concorda preferencialmente com o predicativo plural quando o sujeito é um pronome neutro, isto é, “tudo”, “isso” ou “aquilo”.

Mas a concordância no singular também é aceita pela gramática.

Portanto, ambas as formas, “Tudo são flores” e “Tudo é flores”, estão corretas.


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Desafio: concordância

Sobre “Tudo é flores” e “Tudo são flores” podemos dizer quê:


a) A primeira está certa, a segunda está errada.


b) A primeira está errada, a segunda está certa.


c) Ambas estão certas.


Confira a resposta aqui.



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Senão x se não

Hoje vamos falar da dupla “senão” e “se não”.

A gramática nos ensina que “senão”, numa só palavra, estabelece relação de adversidade e pode ser substituído por “caso contrário”, “a não ser”, “mas” e “mas sim”: “Ande logo, senão (= caso contrário) chegaremos tarde”, “Não fiz isso para irritá-lo, senão (= mas) para motivá-lo”, “Não víamos na época outra opção, senão (= a não ser) utilizar o viaduto”.

“Senão” pode ser também substantivo, caso em que significa “defeito”, “falha”: “Não há um senão naquele bolo”, “Seus muitos senões atrapalham-no”.

A forma em duas palavras, “se não”, estabelece relação de condição e equivale a “caso não” e “quando não”: “Se não chover (= caso não chova), irei ao zoo”, “Vamos vacinar 90% das crianças, se não (= quando não) todas”, “Se não (caso não) fosse ele, esta região seria muito pobre”, “O que seria a ficção se não (caso não fosse) a realidade com sentimento de culpa?”

Parece simples, mas a prática mostra que não é.

O problema é que há casos em que a distinção de sentido não fica tão explícita.

Por exemplo: tanto é certo escrever (1) “Este exemplo esclareceu tudo, se não, vejamos” como (2) "Este exemplo esclareceu tudo, senão, vejamos”, pois em (1) é possível a conversão para “Este exemplo esclareceu tudo, caso não, vejamos”, ao passo que em (2) é possível refazer para “Este exemplo esclareceu tudo, caso contrário, vejamos”.

São esses casos de proximidade de significado que complicam a nossa vida.

E não há muito o que fazer para evitá-los.

A não ser entender bem o contexto para saber quando é indiferente usar “senão” ou “se não”.



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Questão de crase: Homenagem à ou a Nossa Senhora?

Para haver crase, é preciso que a palavra antecedente exija a preposição "a" e a subsequente aceite o artigo "a".

O nome "Nossa Senhora" rejeita artigo.

Constate: dizemos "a história de Nossa Senhora", "confia em Nossa Senhora do Carmo", "graça concedida por Nossa Senhora da Conceição", e não "a história da Nossa Senhora", "confia na Nossa Senhora do Carmo", "graça concedida pela Nossa Senhora de Conceição".

Por isso, “Homenagem a Nossa Senhora”, sem crase.


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Resposta do desafio

É invariável o substantivo que funciona como adjetivo.

“Pastel” é um substantivo.

Por isso a opção certa é a "c", Pintou toda a casa em tons pastel.

Em tempo - O plural "pastéis" continua sendo acentuado, pois se trata de uma formação oxítona.

O acento dos ditongos abertos "-ei-" e "-oi-" só caiu, conforme o novo acordo ortográfico, em palavras paroxítonas, como "ideia" e "joia".


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Desafio: acentuação e concordância

A opção legitimada pela gramática é:


a) Pintou toda a casa em tons pastéis.


b) Pintou toda a casa em tons pasteis.


c) Pintou toda a casa em tons pastel.


Veja se você acertou clicando aqui.



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O leitor pergunta: prá ou pra?

O dicionário Houaiss registra “pra” e “prá”.

O Vocabulário Ortográfico (Volp), apenas “pra”.

Qual o correto e por quê?

(Fábio Salgado - Brasília-DF)

Resposta

O certo é “pra”.

Não há acento nas preposições monossilábicas (com uma sílaba) porque elas são palavras átonas.


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COQUETEL MOLOTOV ou COQUETEL-MOLOTOV?

Segundo o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) da Academia Brasileira de Letras, a grafia certa é “coquetel-molotov”, com hífen.

E o plural é “coquetéis-molotovs”, com flexão nas duas palavras.


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Resposta do desafio

A pergunta

Escolha a(s) frase(s) errada(s).

a) Aquela mulher é uma pão-duro.

b) Aquela mulher é um pão-duro.

c) Aquela mulher é uma pão-dura.

A resposta

Há duas correntes, duas respostas certas e uma errada.

Para os dicionários Aurélio e Houaiss, "pão-duro" é substantivo de dois gêneros, ou seja, pode ser "o/a pão-duro", "um/uma pão-duro".

Portanto, de acordo com esses dicionários, a frase correta é a opção "a", "Aquela mulher é uma pão-duro".

Pensa diferente o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) da Academia Brasileira de Letras (ABL), segundo o qual "pão-duro" é nome masculino.

Logo, pelo Volp, a frase certa é a letra "b", "Aquela mulher é um pão-duro".

E quanto à opção "c", "Aquela mulher é uma pão-dura", não há dúvida de que é equivocada, pois o adjetivo "duro" refere-se a "pão", nome masculino, e por isso não há como ser "pão-dura".


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Desafio

Escolha a(s) frase(s) errada(s).


a) Aquela mulher é uma pão-duro.


b) Aquela mulher é um pão-duro.


c) Aquela mulher é uma pão-dura.


Veja se você acertou clicando aqui.



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Correlação modo-temporal

Em nosso trabalho de edição e revisão de texto, no Jornal do Commercio e fora dele, percebemos que são muito comuns os problemas de correlação modo-temporal.
 
É o seguinte: os verbos mantêm entre si correlações de modo e de tempo.


Ou seja, algumas formas verbais se combinam, enquanto outras não.


Vejamos um caso em que as formas verbais se combinam: “Se eu fosse você, compraria aquela casa”.


Tudo bem com essa frase, certo?


É porque a correlação modo-temporal está adequada: o imperfeito do subjuntivo (fosse) combina com o futuro do pretérito do indicativo (compraria).


Agora um exemplo em que não existe correlação: “Ele pediu que mantenham os investimentos”.


Existe algo estranho nessa frase, não há correspondência modo-temporal: o pretérito perfeito do indicativo não combina com o presente do subjuntivo.


Estaria certo se fosse “Ele pediu que mantivessem os investimentos”, porque o pretérito perfeito do indicativo combina com o imperfeito do subjuntivo.


Fazer a correlação modo-temporal certa não é difícil.


O bom leitor percebe logo quando a correlação não está adequada, pois a sonoridade é ruim.


O problema é que as pessoas estão lendo cada vez menos e, por isso, estão ficando indiferentes às frases que soam mal.


Para facilitar, apresentamos uma pequena lista de correlações modo-temporais abonadas pela gramática:


1. Presente do indicativo com presente do subjuntivo.


Ex.: “É fundamental que ela esteja aqui amanhã”.


2. Pretérito perfeito do indicativo com pretérito imperfeito do indicativo.


Ex.: “Quando eu conheci sua mãe, ela trabalhava demais”.


3. Pretérito perfeito do indicativo com pretérito imperfeito do subjuntivo.


Ex.: “Critiquei antes para que os diretores evitassem o pior”.


4. Futuro do presente do indicativo com futuro do subjuntivo.


Ex.: “Darei o recado a meu marido quando ele chegar”.


5. Futuro do pretérito do indicativo com pretérito imperfeito do subjuntivo.


Ex.: “Eu confiaria mais na sua tia se ela fofocasse menos”.

Publicado na coluna "Com todas as letras", Jornal do Commercio do Recife, em 24/11/2010.


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A SITUAÇÃO ESTÁ RUSSA ou RUÇA?

"Russo", com dois "s", é o designativo dos seres e coisas da Rússia.


"Ruço", com "ç", quando é substantivo, designa nevoeiro rápido e denso típico de regiões serranas.


E, quando é adjetivo, significa pardo, difícil.


Logo, o certo é "A situação está ruça", pois "ruço" nessa frase equivale a "difícil".

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Resposta do desafio: concordância verbal

A pergunta
A opção correta é:

a) Mais de um poste caiu.

b) Mais de um poste caíram.

c) É indiferente, pois "a" e "b" estão corretas.

Resposta

Quando o sujeito é constituído pela expressão "mais de...", a concordância é feita com o numeral que se segue a essa expressão: "Mais de um poste caiu"; "Mais de duas lâmpadas queimaram".

Logo, a opção certa é a letra "a".

Atenção! Quando há ideia de reciprocidade, o verbo vai para o plural: "Mais de um jogador se agrediram".


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Desafio: concordância verbal

A opção correta é:

a) Mais de um poste caiu.

b) Mais de um poste caíram.

c) É indiferente,  pois "a" e "b" estão corretas.


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Ele deu-se o luxo ou deu-se ao luxo de perder o pênalti?

A rigor, é indiferente usar "dar-se o luxo" ou "dar-se ao luxo".


As duas formas estão corretas.


"Dar-se ao luxo" é, porém, muito mais comum.


Por isso é preferível dizer que "Ele deu-se ao luxo de perder o pênalti".



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A CREDIBILIDADE DA EMPRESA FICOU EM CHEQUE ou EM XEQUE?

Algo ou alguém fica “em xeque”, nunca “em cheque”.


Vamos explicar por quê.


“Cheque”, com “ch”, é ordem de pagamento: “Ela passou um cheque sem fundos”.


“Xeque”, com “x”, tem uso mais amplo.


Pode ser lance de xadrez em que o rei é atacado; soberano árabe, o mesmo que “xeique”, que alguns grafam desnecessariamente à inglesa (sheik); e sinônimo de ganzá, instrumento de percussão.


Posto isso, assimile que na expressão “em xeque” existe uma analogia ao primeiro significado da palavra "xeque" aqui exposto: quando se diz que algo ou alguém está em xeque, diz-se que está sendo atacado, desafiado.



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Resposta do desafio: ortografia

A pergunta

Escolha a opção sem erro de ortografia.

a) Eu não aguento mais esse trololó!

b) Eu não aguento mais esse tró-loló!

c) Eu não aguento mais esse tró-ló-ló!

A resposta

Uma regra da nova ortografia manda escrever com hífen as expressões onomatopeicas.

A palavra "tró-ló-ló", uma onomatopeia, insere-se nessa regra.

A opção certa é, portanto, a letra "c".

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Desafio: ortografia

Escolha a opção sem erro de ortografia.

a) Eu não aguento mais esse trololó!

b) Eu não aguento mais esse tró-loló!

c) Eu não aguento mais esse tró-ló-ló!

A resposta está aqui.
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A presidente Dilma ou a presidenta Dilma?

Essa é a pergunta que mais temos recebido nos últimos dias por e-mail, pelas redes sociais (Twitter e Facebook) e mesmo pessoalmente.

Há uma explicação para isso: a eleição da primeira mulher à Presidência da República, Dilma Rousseff.

Já falamos deste assunto aqui, mas diante do acontecimento do domingo 31 de outubro e da avalanche de perguntas somos obrigados a retomá-lo.

Gramaticalmente as duas formas estão corretas.

Ou seja, pode ser “a presidente Dilma” e “a presidenta Dilma”.

Neste momento, com base nas ocorrências na imprensa, inclusive no Jornal do Commercio, sem dúvida “a presidente” é a mais comum.

E, se olharmos para o passado da língua, é a mais lógica.

Palavras que vieram do particípio presente do latim, normalmente terminadas em -ante, -ente e -inte, são invariáveis.

O que identifica o gênero delas é o artigo ou outro determinante: o/a amante, o/a gerente, meu/minha presidente.

A língua, contudo, nem sempre é lógica.

Muitas vezes ela foge do controle e revela uma face inventiva indiferente às regras.

Isso ocorreu, por exemplo, com “comediante”, que ganhou o feminino “comedianta”; com “infante”, que ganhou “infanta”; com “parente”, que ganhou “parenta”; e com “presidente”, que ganhou “presidenta”.

Certamente o extralinguístico atuou na formação desses femininos.

A versão feminina de um nome de cargo destaca com mais força a presença da mulher na sociedade.
Os mais velhos devem se lembrar do que ocorreu com a indiana Indira Gandhi.

Começaram chamando-a de “o primeiro-ministro Indira Gandhi”; depois, passaram para “a primeiro-ministro”; e terminaram em “a primeira-ministra”.

E hoje alguém tem dúvida de que uma mulher é “primeira-ministra”?

A favor de “presidenta” existe também o aspecto legal.

A Lei Federal nº 2.749/56 diz que o emprego oficial de nome designativo de cargo público deve, quanto ao gênero, se ajustar ao sexo do funcionário.

Ou seja, segundo a lei, os cargos, “se forem genericamente variáveis”, devem assumir “feição masculina ou feminina”.

Por tudo isso, defendemos a adoção do feminino “a presidenta”.

Apesar de neste momento a maioria, pelo que mostra a imprensa, preferir “a presidente”.

Intuímos, porém, que ocorrerá no Brasil o mesmo que sucedeu com dois vizinhos nossos.

Na Argentina, Cristina Kirchner começou sendo chamada de “la presidente” e hoje é “la presidenta”.

O mesmo ocorreu com Michelle Bachelet, no Chile, que terminou o mandato como “la presidenta”.

O tempo dirá se nossa intuição estava certa.

Publicado na coluna "Com todas as letras", Jornal do Commercio do Recife, em 10/11/2010.
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TRÁFEGO x TRÁFICO

A palavra "tráfego" relaciona-se com trânsito: "O tráfego está intenso nas principais avenidas do Recife".

E "tráfico" relaciona-se com comércio ilegal: "O governo precisa combater o tráfico de animais silvestres".

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Resposta do desafio: ortografia

A pergunta

Não há erro de ortografia em:

a) Depois da prova de português, ela ficou borocoxô.

b) Depois da prova de português, ela ficou borocochô.

c) Depois da prova de português, ela ficou borogochô.

A resposta

O adjetivo "borocoxô" - abatido, desanimado - escreve-se com "x".

Logo, a resposta certa é a letra "a": Depois da prova de português, ela ficou borocoxô.

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Desafio: ortografia

Não há erro de grafia em:

a) Depois da prova de português, ela ficou borocoxô.

b) Depois da prova de português, ela ficou borocochô.

c) Depois da prova de português, ela ficou borogochô.

A resposta está aqui.



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BIMENSAL x BIMESTRAL

"Bimensal" é duas vezes por mês, ou seja, é o mesmo que "quinzenal".

"Bimestral" é o que ocorre por bimestre, ou seja, uma vez a cada dois meses.


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NÃO SÓ O PAI MAS TAMBÉM O FILHO VIAJOU ou NÃO SÓ O PAI MAS TAMBÉM O FILHO VIAJARAM?


Quando o sujeito é formado pelas expressões "não só... mas também" e "não só... como também", o verbo concorda no plural.

Portanto, "Não só o pai mas também o filho viajaram".

Observe que essas expressões exprimem ideia de adição.

Por isso a concordância no plural e a ausência de vírgula antes de "mas" e de "como".


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Resposta do desafio: concordância

A pergunta


A frase certa é:
 
a) Serra ou Dilma serão eleitos domingo.


b) Serra ou Dilma será eleito domingo.


c) Serra ou Dilma será eleita domingo.


A resposta


Nos sujeitos compostos em que os núcleos são ligados pela conjunção "ou", quando há ideia de exclusão, a concordância é feita com o núcleo mais próximo.
 
A frase gramaticalmente certa, portanto, é  a "c",  Serra ou Dilma será eleita domingo.
 
No entanto, a frase não é boa em termos de estilo.
 
A concordância no feminino, por haver um núcleo masculino, parece estranha.
 
Por isso, o ideal em casos como esse é deixar o núcleo masculino mais próximo do verbo: Dilma ou Serra será eleito domingo.
 

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Desafio: concordância

A frase certa é:

a) Serra ou Dilma serão eleitos domingo.

b) Serra ou Dilma será eleito domingo.

c) Serra ou Dilma será eleita domingo.

A resposta está aqui.

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Convidamos todos os presentes a CANTAR ou a CANTAREM o Hino Nacional?

Não se recomenda flexionar o infinitivo que serve de complemento a um nome ou a outro verbo.

Na frase, “cantar” é complemento do verbo “convidar”.


Assim sendo, "Convidamos todos os presentes a cantar o Hino Nacional".

Outros exemplos:

"Cem mil eleitores estão aptos a votar” ("votar" é complemento de "apto");

"Os alunos estão obrigados a comparecer ao teste" ("comparecer" é complemento de "obrigado");

"Os torcedores foram impedidos de entrar no estádio" ("entrar" é complemento de "impedido").

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Um caso de crase

  A leitora Luciana Maia quer ter certeza da possibilidade de crase antes da preposição "de".

Ela leu no jornal a frase "A posição de Serra sobre o aborto é igual a de Dilma” e acha que há crase no "a" que está depois de "igual".

Luciana está certa.

Há crase em “A posição de Serra sobre o aborto é igual à de Dilma”.

Sucede que, neste caso, depois do “a” craseado está subentendida a palavra “posição”: “A posição de Serra sobre o aborto é igual à [posição] de Dilma”.

Observe que, substituindo “posição” por uma palavra masculina, o “a” vira “ao”, o que confirma a crase: “O pensamento de Serra sobre o aborto é igual ao de Dilma”.



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Resposta do desafio: concordância nominal

A pergunta

O certo é:

a) Ele trabalha com muito má vontade.

b) Ele trabalha com muita má vontade.
A resposta
 
A opção certa é a letra "b", Ele trabalha com muita má vontade.

Vamos entender o motivo.

Em geral, "muito" varia quando modifica substantivo: muitos presentes, muitos amigos, muitas alegrias.

E não varia quando modifica adjetivo, verbo ou advérbio: "Ela está muito cansada", "Todos se esforçaram muito", "Ela ficou muito pouco satisfeita com a nota".

Portanto, "muito" quando precede um adjetivo não varia, certo?

Nem sempre. Há um caso em que "muito", apesar de preceder um adjetivo, varia: quando o adjetivo forma com o substantivo seguinte uma unidade, como se fosse uma palavra composta: "Que o Natal traga muitas boas novas": "Ela tem muita má vontade", "Ele chegou de Brasília com muitas boas notícias".

Observe que nessas frases as expressões "boas novas", "má vontade" e "boas notícias", mesmo estando separadas, formam unidades semânticas, isto é, têm valor de nome composto.

Logo, o "muito" que as precede não se refere apenas ao adjetivo, mas a todo o conjunto adjetivo-substantivo.

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Desafio: concordância nominal

O certo é:

a) Ele trabalha com muito má vontade.

b) Ele trabalha com muita má vontade.



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A FILHA DA MANICURE É DE MENOR ou MENOR DE IDADE?

No português-padrão, alguém é menor de idade ou maior de idade: "A filha da manicure, que é menor de idade, está grávida".

Pode-se também simplesmente usar a palavra "menor", sem a preposição "de": "A maioria dos fãs é menor". 


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PÁRA-QUEDAS, PARA-QUEDAS ou PARAQUEDAS?

O novo acordo ortográfio extinguiu o acento diferencial da forma verbal "para", terceira pessoa do presente do indicativo de "parar".

E estabeleceu a grafia sem hífen no caso de "paraquedas" e derivados, como "paraquedismo" e "paraquedista".

Mas a grafia sem hífen vale apenas para a família "paraquedas".

Nos demais compostos com "para", o hífen foi preservado:para-brisa, para-choque, para-lama, para-raios.

Em tempo - As palavras "parapeito" e "parapente" sempre foram grafadas assim, sem hífen, pois não se formaram no nosso idioma: a primeira vem do italiano "parapetto", literalmente "parar, proteger o peito"; ao passo que a segunda vem do francês "parapente", uma composição em que entram os elementos "para" de "parachute" (paraquedas) e "pente" (colina, morro).

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Resposta do desafio: concordância nominal e ortografia

A pergunta 

A opção certa é:

a) Minha irmã tem cabelos castanhos claros.

b) Minha irmã tem cabelos castanhos-claros.

c) Minha irmã tem cabelos castanho-claros. 

A resposta 

Os nomes de cor compostos se escrevem com hífen.

E nos adjetivos compostos somente o último elemento varia.

Por isso a resposta certa é a letra "c": Minha irmã tem cabelos castanho-claros. 

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Desafio: concordância nominal e ortografia

A opção certa é:

a) Minha irmã tem cabelos castanhos claros.

b) Minha irmã tem cabelos castanhos-claros.

c) Minha irmã tem cabelos castanho-claros.

Confira a resposta aqui.

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CONVIDOU-LHE PARA O ANIVERSÁRIO ou CONVIDOU-O PARA O ANIVERSÁRIO?

O pronome "lhe" substitui objeto indireto, isto é, complemento COM preposição: "Dei um presente à minha irmã" = "Dei-lhe um presente".

O pronome "o/a" substitui objeto direto, isto é, complemento SEM preposição": "Contratei uma secretária" = "Contratei-a".

O verbo "convidar" rege objeto direto quando seu complemento é pessoa.

E, quando seu complemento é coisa, rege objeto indireto, que pode ser introduzido pela preposição "a" ou "para".

Por isso o correto é "Convidou-o para o aniversário".

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NOSSA SENHORA DE APARECIDA ou NOSSA SENHORA APARECIDA?

Não existe “Nossa Senhora ‘de’ Aparecida”; o que há é “Nossa Senhora Aparecida”, sem a preposição “de”.

Não pense que o nome da santa tem relação com a cidade de Aparecida do Norte.

A imagem que deu origem à história foi achada por pescadores em 1717, antes da fundação de Aparecida, em 1745, ou seja, a santa veio primeiro que a cidade.

O “aparecida” do nome da padroeira é, na verdade, um adjetivo a indicar que essa Nossa Senhora é aquela que apareceu, ou seja, é “aparecida”.

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Resposta do desafio

A pergunta

O correto é:

a) A faxineira pule o móvel todos os dias.

b) A faxineira pole o móvel todos os dias.

c) Nenhuma das duas; o verbo "polir" é defectivo.

A resposta

Defectivo é o verbo que não tem conjugação completa. É o caso de "colorir", que não tem, por exemplo, a primeira pessoa do presente do indicativo - não existe "eu coloro".

Verbo irregular é aquele que não segue o modelo de conjugação, caracterizando-se por apresentar pequenas alterações no radical e nas desinências.

Este é o caso de "polir", que tem a vogal "o" do radical alterada para "u" no presente do indicativo, do subjuntivo e em  "tu", "ele", "nós" e "eles" do imperativo afirmativo. 

A resposta certa é, portanto, a letra "a": "A faxineira pule o móvel todos os dias".

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Desafio: o verbo polir

O correto é:

a) A faxineira pule o móvel todos os dias.

b) A faxineira pole o móvel todos os dias.

c) Nenhuma das duas; o verbo "polir" é defectivo.

Leia a resposta.

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Novo Aurélio dicionariza "tuitar"

Está nas minhas mãos o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa - Edição Histórica 100 Anos.

É uma edição comemorativa dos 100 anos de nascimento do autor da obra, Aurélio Buarque de Holanda.

O novo dicionário traz várias novidades, entre as quais o aportuguesamento "tuitar".

Esse é um fato relevante neste momento de assimilação, em que havia certa disputa entre "tuitar" e "twittar".

Com o registro no "pai dos burros" mais popular do país, "tuitar" passa a ter mais "status" que a outra forma, devendo em breve ocorrer a total consagração do aportuguesamento dicionarizado.

Em tempo: você pode comprar o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa - Edição Histórica 100 Anos na Livraria Cultura, patrocinadora deste blog.

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FEIÚRA ou FEIURA?

Com a nova ortografia, o “i” e o “u” tônicos precedidos de ditongo, em palavras paroxítonas, perderam o acento.

Portanto, não há mais acento em palavras como baiuca, cauila, maoismo, maoista, Sauipe, taoismo e feiura.

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O leitor pergunta: oscilar para baixo

Escuto, vez ou outra, o pessoal falar ou escrever frases do tipo: “O candidato oscilou três pontos para baixo”.

Essa construção é aceitável?

(Cícero Omena - Maceió-AL)

Resposta

“Oscilar” não indica movimento para uma só direção.

Indica uma movimentação alternante, pendular, um balanço contínuo para um lado e para outro.

É por isso que não se pode oscilar para baixo, para cima, enfim, não se oscila apenas para uma direção.

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Resposta do desafio

A pergunta 

Qual o certo?

a) Hoje vou almoçar rissole de queijo.

b) Hoje vou almoçar risole de queijo.

c)  As opções "a" e "b" estão corretas.

A resposta

"Risole", com um "s", é muito comum.
Os dicionários, porém, registram apenas "rissole", com dois "s", certamente influenciados pela origem da palavra, o francês "rissole".

Portanto, para quem segue as recomendações da norma culta, a letra "a" - "Hoje vou almoçar rissole de queijo" - é a opção correta. 

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Desafio

Qual o certo?

a) Hoje vou almoçar rissole de queijo.

b) Hoje vou almoçar risole de queijo.

c)  As opções "a" e "b" estão corretas.

Aqui está a resposta.

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A CABO ELEITORAL MARIA ou O CABO ELEITORAL MARIA?

"Cabo" é substantivo masculino.

Logo, pela norma-padrão, é "o cabo eleitoral Maria".

Observe que se escreve “cabo eleitoral”, sem hífen.
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Sessão ou seção eleitoral?

Domingo é dia de pegar o título de eleitor – e, este ano, também um documento de identificação com foto – e de se dirigir à seção eleitoral. Ou será sessão eleitoral? Ou cessão?


As palavras parônimas, parecidas na grafia e na pronúncia e diferentes no significado, são um estorvo na hora de escrever.


O trio “cessão”, “sessão” e “seção”, por exemplo, costuma levar muitos ao erro.


Se você não quer ser a próxima vítima, concentre-se na explicação a seguir.


“Cessão” é o ato de ceder: “A cessão do imóvel está cancelada”.


“Sessão” é o tempo de duração de um evento: sessão da Câmara, sessão de cinema, de teatro, de música, de ginástica.


“Seção”, que pode ser também “secção”, é o departamento, a fração, a repartição, o setor: seção do jornal, seção da loja, seção de brinquedos, seção eleitoral.


Como a maior confusão é com “sessão” e “seção”, reforçamos a diferença entre elas com a seguinte dica: “sessão” tem a ver com tempo, tem hora para começar e hora para terminar; “seção” tem a ver com espaço, não tem hora para começar nem para terminar.


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Crase: Lula acredita que vai passar a faixa À ou A dona Dilma?

Não há crase antes da palavra “dona”.


Portanto, "Lula acredita que vai passar a faixa a dona Dilma".


Olho vivo!


Se “dona” estiver particularizada, haverá crase: “Ele não se referiu à dona Maria do supermercado da esquina, mas sim à dona Maria da farmácia do bairro".


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TODA CIDADE x TODA A CIDADE

A gramática diz que “todo” sem artigo significa “qualquer”, “cada”; e  com artigo significa “inteiro”.

Ou seja, “toda cidade” quer dizer “qualquer cidade”.

E “toda a cidade” significa “a cidade inteira”.

Moral da história: o artigo faz muita diferença no caso de "todo".


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Resposta do desafio

A pergunta 

A concordância está correta em:

a) Um e outro cidadão conscientes protestaram.

b) Um e outro cidadãos conscientes protestou.

c) Um e outro cidadão consciente protestou.


 A resposta 

A concordância com a expressão “um e outro” é feita assim: substantivo no singular, adjetivo no plural e o verbo fica facultativamente no singular ou no plural.

A opção correta é, pois, a letra “a”: “Um e outro cidadão conscientes protestaram”. 


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Desafio: concordância verbal e nominal

A concordância está correta em:

a) Um e outro cidadão conscientes protestaram.

b) Um e outro cidadãos conscientes protestou.

c) Um e outro cidadão consciente protestou.

Esta é a resposta.


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A importância da vírgula

Este vídeo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) mostra com muita competência a importância da vírgula.
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Excesso de plural

É cada vez mais frequente o plural desnecessário.

Esse plural é aquele que não acrescenta nada – em termos de significação, de estilo e de correção – ao texto.

A pluralização desnecessária costuma ocorrer com palavras abstratas.

Palavras como “ausência”, “identidade”, “escalação (de jogador)”, “nome”, “presença”, “alma”, “morte” e “vida” não devem ser pluralizadas quando se referirem a mais de um sujeito.

Veja o caso da frase “É melhor irmos cuidar de nossas vidas”.

O que diz ela?

Que temos mais de uma vida, pois devemos cuidar de “nossas vidas”.

Isso seria possível, crenças religiosas à parte, se fôssemos gatos, que dizem ter sete vidas.

Mas, como somos humanos, “É melhor irmos cuidar de nossa vida”.

Outro caso: “Os nomes dos aprovados estão no jornal”.

Todos temos um só nome, certo?

Certo.

Mas não é isso que diz a frase.

Ela diz literalmente que os aprovados têm vários nomes.

Melhor e mais lógico seria dizer que “O nome dos aprovados está no jornal”.

O plural desnecessário é frequente também com as partes do corpo que são únicas.

Um exemplo: “Os sindicalistas balançaram as cabeças afirmativamente”.

São sindicalistas ou extraterrestres?

Sim, porque, como os seres humanos só têm uma cabeça, deveria ser “Os sindicalistas balançaram a cabeça afirmativamente”.

E nem as palavras que já encerram ideia de plural estão ficando livres da pluralização desnecessária.

Vejamos estes dois casos: “A solicitação das documentações será feita o mais breve possível”; “A rua está cheia de metralhas”.

Nesses dois exemplos, as palavras “documentação” e “metralha” foram vítimas do excesso de plural.

Por expressarem a ideia de “conjunto”, de “grande quantidade”, o singular já daria conta: “A solicitação da documentação será feita o mais breve possível”; “A rua está cheia de metralha”.

Há outros casos de plural desnecessário.

Mas você pode se livrar deles com facilidade: basta avaliar a real necessidade de pluralizar uma palavra, observar se o plural acrescenta alguma coisa, se faz diferença.

Se não faz, esqueça o plural.

Seu texto ficará mais leve, ficará melhor.


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