APOLOGIA AO ou DO CRIME? - Português na Rede

APOLOGIA AO ou DO CRIME?

Segundo o dicionário Houaiss e o de regência nominal de Celso Luft, o substantivo “apologia” rege a preposição “de”.

Logo, por esses dicionários, a construção ajustada à norma culta é "apologia do crime".

15 comentários:

Rick Hard disse...

Cara, que estranho isso!A preposição "de" além de soar mal, não parece fazer sentido em conjunto com o adjetivo apologia.

Caruso disse...

Que surpresa! (risos)Sempre usei "ao crime". Muito interessante ! Bom saber!

Laércio Lutibergue disse...

Prezado Rick:

Além de corroborada por dicionários, a regência "apologia de" não é nada estranha. Há livros, como "Apologia de Sócrates" e "Apologia da História", e centenas de milhares de registros no Google com essa regência.

Abraço.

Laércio Lutibergue disse...

Caruso:

Obrigado pela participação!

Rick Hard disse...

Laércio, é que quando se fala em fazer apologia, parece mais natural pensar que quem faz apologia, faz apologia "a" alguma coisa, não "de" alguma coisa.Esse livro "Apologia de Sócrates", que vc usou como exemplo,a preposição "de" da uma ideia de posse(ou autoria), então, me pareceria correto em relação ao que expus.
.
E também não sou contra esse Dicionário Houaiss, ele aportuguesou palavras como "skate" pra "esqueite", total absurdo, sem falar de outros aportuguesamentos desnecessários que ele faz.Pra mim isso é corromper a língua.

CESAR CRUZ disse...

Sinceramente para mim também é surpresa. Eu acreditava que, quem faz apologia, faz apologia "a" algo. No caso do crime, ficaria: a + o (o artigo que "crime" pede)= ao. Portanto, apologia ao crime.

Obrigado por mais esta,
abç

Laércio Lutibergue disse...

Olá, Rick!

O livro "Apologia de Sócrates" não foi escrito por Socrates, e sim por um de seus discípulos, Platão.

Portanto, nesse livro, Platão faz uma apologoia "de" Sócrates.

Quanto ao fato de você desqualificar o Houaiss, que não é perfeito, mas é um dos melhores dicionários do país, acho bom você também desqualificar o Código Penal Brasileiro, que no artigo 287 diz que é crime "fazer apologia 'de' fato criminoso ou 'de' autor de crime".

Sugiro-lhe também a leitura de clássicos como Eça de Queirós, que, em suas "Cartas familiares...", informa que "Madame Sara Bernhardt publicou recentemente no Figaro uma concisa apologia 'da' sua vida e 'do' seu gênio".

Se tudo isso não for suficiente para convencê-lo de que, na norma culta, a regência é "apologia de", então continue com "apologia a" e seja feliz!

Abraço.

Laércio Lutibergue disse...

Cesar:

Obrigado digo eu, pois foi muito importante a sua participação.

Abraço.

Rick Hard disse...

Apologia de Sócrates é a versão de Platão de um discurso dado por Sócrates.

Sendo assim, o discurso era de quem???A ideia de autoria(de posse) não é perdida.

A mim não foi dado o poder de decidir isso, mas a regência como vem sendo usada popularmente é melhor, já que diferenciaria, seria clara(isso é importante pra língua), caso existissem esses casos, uma "Apologia a Sócrates" e "Apologia de Sócrates".Com a regência popular, não teríamos dúvida que uma seria direcionada a Sócrates de um caso de a autoria ser de Sócrates(já que uma versão de seu discurso).

Uma língua não deve ser de decoreba, quando segue uma lógica se torna mais clara e eficiente.
Isso só estou defendo uma visão, já que é muito fácil dizer, isso é assim por causa que fulano que era fodão da língua usou.

Abraço

Laércio Lutibergue disse...

Rick:

Como última tentativa (ufa!), informo-lhe que "apologia" vem do grego "apología,as", 'defesa, justificação'.

Entendeu aonde quero chegar? "Defesa 'de' algo."

Abraço.

Salésio disse...

Prezado Lutibergue:

mudando de saco pra mala...
Estava eu a escrever um texto sobre educação digital e quando quis falar sobre ser professor em um ambiente virtual e sê-lo numa sala de aula feita com paredes de concreto fiquei com uma dúvida atroz. Eu achei que meu texto ficaria melhor caso eu encontrasse um antônimo para "virtual", mas não encontrei nenhum que me satisfizesse. Você não poderia sugerir algo ou então me esclarecer se existe de fato um antônimo que dê conta do recado?

Abraço.

Fabíola disse...

Professor,

Por que a oração "Ele esteve aqui HÁ 10 anos." não tem sujeito? Não seria "Ele" o sujeito, uma vez que se perguntarmos "QUEM esteve aqui HÁ 10 anos?" receberemos como resposta "Ele"?

Aproveitando o ensejo, gostaria de saber se é correto dizer "Os processoS nºS xxx e yyy foram arquivados.".

Obrigada.

Laércio Lutibergue disse...

Prezado Salésio:

O "virtual" do seu texto significa "simulação imaterial do mundo real".

Por isso tenho duas sugestões: real e material.

O que acha?

Abraço.

Laércio Lutibergue disse...

Fabíola:

O período "Ele esteve aqui há dez anos" tem dois verbos (estar/esteve e haver/há), portanto duas orações.

O sujeito do primeiro verbo (estar/esteve) é "ele": Quem esteve aqui? "Ele."

O segundo verbo (haver/há) não tem sujeito: Quem há? (...)

O que o segundo verbo tem é objeto direto: Há o quê? "10 anos."

Lembre-se de que sujeito, grosso modo, é o termo sobre o qual se faz uma declaração.

A declaração que está sendo feito sobre "ele" é que "esteve aqui".

E o verbo "haver", quando indica tempo transcorrido, é impessoal (não tem sujeito) e transitivo direto, ou seja, o termo que fica depois dele é seu objeto direto.

Abraço.

Abraço.

Salésio disse...

Professor:

Gostei do "material".

Abraço.

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