O país do bolapé - Português na Rede

O país do bolapé

Imagine se, em vez de “país do futebol”, o Brasil fosse chamado de “o país do bolapé”.


Ou se fôssemos pentacampeões de “balípodo”.


Ou se a competição que mobiliza nosso país de quatro em quatro anos fosse a “Copa do Mundo de Ludopédio”.


O que acha?


Não está entendendo?


Eu explico: bolapé, balípodo e ludopédio foram três propostas de nacionalização do inglês football, que, por motivos que vão desde a sonoridade ruim até a falta de bom gosto, não pegaram.


Preferimos dar uma roupagem vernácula à inglesa football, grafando-a futebol, de acordo com os moldes da nossa ortografia.


Mais uma prova de que em língua não adiantam decretos nem invenções de gente como o filólogo Castro Neves, criador de balípodo, e como o poeta Fernando Pessoa, pai de bolapé.

2 comentários:

Lucho Cláudio disse...

Muito interessante! Certas coisas, o povo "adapíta" e não tem jeito mesmo. =D

Abraço.

Raphael Gomes disse...

A língua é feita pelo povo, não tem jeito, não é matéria-prima de político nem de intelectual, e nem mesmo de artista da língua, que a usa como ferramenta e a molda em suas obras, mas pouco a altera fora do papel. Por isso que de vez em quando é preciso reformas ortográficas para atualizar a língua oficial em direção da que o povo já fala há muito tempo. Com exceção da última reforma que foi, ao contrário, uma imposição vinda de cima, criando modificações que não correspondem à fala de ninguém e roubando uns acentos de que eu gostava muito.

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