Março 2010 - Português na Rede

O bacanal ou a bacanal?

A palavra “bacanal” é feminina. 

O certo, portanto, é “a bacanal”.

Um exemplo de frase com a palavra: "A bacanal de Herodes é uma das principais cenas da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém".
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A x HÁ

É muito comum o uso de "a" por "há", e vice-versa.


A confusão é desfeita quando entendemos que “a” é preposição e indica distância ou tempo futuro: “Sua cidade fica a 50 quilômetros da minha”; “Comércio inicia contratações a um mês do Natal”; “A apenas dois meses da Copa, disparam vendas de televisores”.


Ao passo que “há” é verbo, indica tempo passado e equivale a faz: “Ele esteve aqui há [faz] algumas horas”; “Não chove naquela região há [faz] seis meses”; “O ataque ocorreu há [faz] alguns minutos”; “Ele trabalha no prédio há [faz] cerca de 20 anos”.
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SANTO DAIME ou SANTO-DAIME?

Aurélio, Houaiss e o Vocabulário Ortográfico da ABL dizem que é “santo-daime”, com hífen, tanto a bebida quanto a seita.
Ainda segundo esses mesmos dicionários, a inicial dessa palavra é minúscula, até mesmo quando designa a seita: “Os mitos por trás do santo-daime”; “O núcleo recifense do santo-daime”; “O santo-daime é uma doutrina sincrética”.
Por fim, o termo, segundo Houaiss, originou-se da invocação "Santo, dai-me!", que expressa um pedido cujo objeto pode ser uma diversidade de coisas, como, por exemplo, a paz: "Santo, dai-me a paz!"
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Melhormente

Os advérbios terminados em "-mente" têm como base um adjetivo: claramente (claro+mente), vagamente (vago+mente), dificilmente (difícil+mente).
"Melhor" é um advérbio. Logo, pela lógica morfológica, não pode existir a forma "melhormente".

Mas ela existe, é verbete do Dicionário da Academia de Ciências de Lisboa, é abonada por gramáticos e até já foi usada por autores como Camilo Castelo Branco.
O "apenasmente" de Odorico Paraguaçu, inesquecível personagem criado por Dias Gomes, não é, como se vê, um grande absurdo.
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A origem da palavra "palácio"

Roma situa-se entre sete colinas: Aventino, Célio, Capitólio, Esquilino, Palatino, Quirinal e Viminal.

Sobre uma delas, segundo a lenda, Rômulo fundou a cidade.

O nome desta colina – Palatino – é a origem da palavra “palácio”.
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O FEMININO DE “PILOTO”

A palavra “piloto” tem feminino?

Tem sim.

Segundo o Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras, é “a pilota”, com “a” no fim.

Portanto, “Bia Figueiredo é a primeira pilota brasileira na Fórmula Indy”.
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O sentido das frases: a ordem pode alterar o produto

“A ordem dos fatores não altera o produto.”

Isso pode ser verdade na matemática, mas não na língua portuguesa.

Vamos provar. Começaremos mostrando uma característica do adjetivo.

Essa palavra, cuja função é qualificar, geralmente fica depois do substantivo modificado por ela: casa bonita, cidade maravilhosa, mulher charmosa.

“Bonita”, “maravilhosa” e “charmosa” são adjetivos e estão na ordem natural, depois do substantivo.

E se a ordem for alterada – bonita casa, maravilhosa cidade, charmosa mulher –, mudará alguma coisa?

Mudará sim, a frase ficará mais forte, ou seja, a ideia será expressa de modo mais enfático.
A ênfase não é o único resultado da alteração da ordem de um adjetivo.


O sentido é outro componente da história: “amigo velho” é um amigo idoso, “velho amigo” é uma amizade antiga, “oficial alto” é um militar de estatura alta, “alto oficial” é um militar importante, “mulher pobre” é uma mulher de poucas posses, “pobre mulher” é uma mulher digna de pena.
A mudança de sentido causada pela ordem não é exclusiva dos adjetivos.


Com as conjunções adversativas, ocorre algo parecido: “O carro é caro, mas é bonito” é diferente de “O carro é bonito, mas é caro”.

No primeiro caso, prevalece a ideia de que o carro é bonito, logo a pessoa deve comprá-lo; no segundo, é mais forte a ideia de que o carro é caro, logo a pessoa não deve comprá-lo.

Isso ocorre porque o trecho iniciado pela conjunção adversativa é sempre mais forte opinativamente que o anterior.
Com esses casos, provamos que na língua portuguesa, algumas vezes, a ordem dos fatores altera sim o produto.
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Calorzão ou calorão?

As pessoas usam as duas formas, mas os dicionários só registram “calorão”.


Assim, pelo pai dos burros, “Eu não estou aguentando o calorão do Recife!”
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O CATACLISMA ou O CATACLISMO?

Na língua culta, é "o cataclismo", com "o" no fim da palavra.

Logo, "Os cataclismos do Haiti e do Chile fizeram milhares de vítimas".
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