2011 - Português na Rede

Ano novo x ano-novo

Já observou, amigo leitor, lendo jornais, revistas e portais de internet, que alguns escrevem “ano novo”, sem hífen, e outros “ano-novo”, com hífen?

E qual é a grafia correta?

Com o sentido de “o próximo ano”, “a meia-noite do 31 de dezembro”, “o dia 1º de janeiro”, é, dizem os dicionários, “ano-novo”, com hífen e iniciais minúsculas.

À guisa de ilustração, vamos reproduzir o que consta no dicionário Aurélio sobre “ano-novo”:

1. O próximo ano, o ano entrante:

“Estamos com sono, vamos dormir. Damos boa noite, bom ano-novo, eu abraço meu tio.” (Ricardo Ramos, Matar um Homem, p. 168.)

2. A meia-noite do dia 31 de dezembro, ano-bom.

3. O dia 1º de janeiro, ano-bom. (Pl.: anos-novos.)

Como podemos ver, são três acepções: (1) o próximo ano, (2) a meia-noite de 31 de dezembro e (3) o dia 1º de janeiro.

A questão pode ser abreviada da seguinte forma: existem duas opções, seguir o dicionário ou não.

Preferimos a primeira, pois enxergamos em “ano-novo” uma unidade semântica, ou seja, um nome composto.

Quer ver?

Quantas vezes você já escutou “próspero ano-novo”?

Muitas.

Agora quantas vezes você ouviu “próspero novo ano”?

Pouquíssimas, certamente, pois em formações compostas como essa (cachorro-quente, boas-novas, boas-vindas) a inversão é inviável.

Por fim, para você, leitor, um ótimo ano-novo!

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Eu concordo com você e assino em baixo ou embaixo?

O certo é “Eu concordo com você e assino embaixo”.

“Em baixo”, separado, somente se emprega quando “baixo” é adjetivo, isto é, qualifica um substantivo: “À noite eu dirijo em baixa velocidade”, “Ele falou em baixo tom”, “A resposta foi em baixo nível”.


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Ela se maqueia ou se maquia?

“Maquiar” é verbo regular e conjuga-se como “negociar”, outro verbo regular da terminação “-iar”.


Logo, se é “ela negocia”, só pode ser “ela se maquia”.

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Concordância: um dos que

Nossa leitora Maria Clara estava lendo o jornal quando se deparou com a seguinte frase: “Um dos fatos que CONTRIBUI para essa solução”.

Ela entende que o verbo deveria estar no plural: “Um dos fatos que CONTRIBUEM para essa solução”.

A maioria dos gramáticos, Maria Clara, aceita as duas formas.

Mas, sem dúvida, com a construção “um dos que” (e semelhantes, como “um daqueles que” e “um desses que”), o mais lógico é levar o verbo para o plural:

Ele é um dos jogadores que foram punidos.

A cantora Marisa Monte é uma das artistas que vão abrilhantar a festa.

O Sol é um dos astros que possuem luz própria.

A má remuneração dos professores é um dos fatos que contribuem para a péssima qualidade do ensino.

Invertendo a frase, descobrimos por que é mais lógico pôr o verbo no plural:

Dos jogadores que foram punidos, ele é um.

Das artistas que vão abrilhantar a festa, a cantora Marisa Monte é uma.

Dos astros que possuem luz própria, o Sol é um.

Dos fatos que contribuem para a péssima qualidade do ensino, a má remuneração dos professores é um.

Observe que em todos os exemplos existe ideia de pluralidade: mais de um jogador foi punido, mais de um artista abrilhantará a festa, mais de um astro possui luz própria, mais de um fato contribui para a péssima qualidade do ensino.

O verbo fica no singular só nas poucas vezes em que a ação se refere a um só agente:

Era uma das suas filhas que estava namorando ontem à noite na frente da escola.

O Sol é um dos astros que dá luz e calor à Terra.

Note que nestes exemplos, diferentemente dos primeiros, existe ideia de agente único, unitário: uma única filha namorou na frente da escola; o Sol é o único astro que dá luz e calor à Terra.

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Acreano ou acriano?

Antes do novo acordo ortográfico, era facultativo, podia ser “acreano” ou “acriano”.


Mas, depois da reforma, “acreano” deixou de constar nos dicionários e no Vocabulário da Academia Brasileira de Letras.


Agora, nessas obras, somente há o registro de “acriano”.


Convém saber que a terminação “-eano” só aparece em derivados de nomes próprios terminados em "-é” (Taubaté = taubateano) ou terminados em ditongo (Coreia = coreano; Galileu = galileano; Montevidéu = montevideano).


Nos demais casos, sempre “-iano”: “açoriano”, “camoniano”, "clariciano", “freyriano”, “machadiano”, “rodriguiano”, “shakespeariano”.


Caso especial é o adjetivo relativo a Pompeia, em que há divergência: Aurélio registra apenas “pompeiano”; Houaiss diz que também pode ser “pompeano”.


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A vírgula de “mas”

Há um costume de sempre se empregar uma vírgula depois da conjunção “mas”.

Para algumas pessoas, isso é automático: usou “mas”, vírgula!
No entanto, nem sempre essa conjunção adversativa é acompanhada de vírgula.

A obrigatoriedade da vírgula só existe quando ela liga orações de um mesmo período:

Ele falou muito, mas não disse nada.

Saiu cedo, mas chegou tarde.

Come muito, mas não engorda.

Note que, nesse caso, a vírgula sempre vem antes de “mas”.

A vírgula, porém, é facultativa quando esse “mas” localizado no meio do período tem valor aditivo (equivale a “e”):

Não só o pai mas também o filho viajaram.

Não só o pai, mas também o filho viajaram.

Quando a conjunção “mas” aparece no início do período, a conversa é outra.

Aqui, só haverá vírgula depois dela se houver uma frase intercalada separando-a do resto da oração da qual ela faz parte.

Observe os exemplos:

Mas, apesar dos esforços, a meta não foi alcançada.

Mas, reconhece o ministro, o Brasil precisa economizar mais energia.

Mas, se o quadro não for alterado, o apagão é inevitável.

Veja que em todos os exemplos aparece uma frase entre vírgulas.

Esse detalhe é muito importante, porque uma única vírgula depois do “mas” que inicia período é indicativo de erro.

Isto é, se não forem duas vírgulas, a pontuação provavelmente estará equivocada.

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Resultado da promoção do aniversário de Português na Rede

Antes de tudo, agradecemos aos 23 leitores que enviaram frases sobre "A importância da língua portuguesa".

Foi muito importante a participação de vocês.

E os ganhadores, ou melhor, as ganhadoras foram Hamie Sakuma e Patricia Nobile.

A melhor frase foi a de Hamie: “Língua portuguesa: para compreender e fazer-se compreender, precisa saber!”


E a segunda, a de Patricia: “Não vejo outra, a não ser a de extrema importância: o simples fato de ser o nosso idioma”.

Parabéns às vencedoras e, aos demais participantes, muito obrigado!
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O profissional do Direito e a língua portuguesa

Uma das ciências humanas mais interessantes e vastas, o Direito nos leva a expandir os horizontes culturais e nos fornece conhecimentos fundamentais sobre o mundo.

Sem falar na possibilidade de realização pessoal e profissional, tendo em vista que o campo das leis é vasto e existem diversas oportunidades de trabalho na área.

Um bom Curso de Direito deve ter como princípio básico formar cidadãos completos e conscientes, os quais, antes de serem profissionais da lei, serão pessoas interessadas nos destinos da sociedade da qual fazem parte.

Pelo menos é nisso que acredito.

É por esse motivo que se deve buscar uma universidade/faculdade comprometida com uma educação séria e de qualidade.

Uma boa dica é dar uma olhada na EducaEdu, que divulga cursos de instituições do Brasil, bem como pesquisar na internet em sites confiáveis ou consultar amigos.

Isso ajuda a escolher uma boa instituição, afinal o que está em jogo é o futuro do aluno.

A escolha de uma boa instituição de ensino superior, porém, não isenta o estudante da responsabilidade sobre o seu aprendizado, uma vez que o conhecimento se somará a cada ano nessa jornada que é a formação superior, e o sucesso do futuro profissional dependerá do comprometimento dele como estudante.

O aluno não deve eximir-se, sobretudo, do estudo da língua portuguesa, já que ela será sua grande ferramenta de trabalho.

Sim, pois estudantes e profissionais de Direito se deparam no dia a dia com a necessidade de interpretar leis e textos doutrinários, bem como de fazer trabalhos acadêmicos e petições.

Nessas horas, uma boa gramática e um bom dicionário ajudam bastante.

Outra dica é revisar o texto mais de uma vez, buscando “enxugar”, eliminar as “gorduras”.

Dessa forma, conseguem-se textos ricos, concisos, claros, informativos, longe do malfadado juridiquês – uso desnecessário e excessivo do jargão jurídico e de termos técnicos de Direito.

Assim o texto cumprirá seu verdadeiro propósito, que é informar sem a necessidade de enfadonhas afetações.
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No aniversário de Português na Rede, ganhe o livro Em Dia com a Língua

Há exatos quatro anos, em 4 de outubro de 2007, entrava no ar o blog Português na Rede.

Hoje, com cerca de 200 mil acessos mensais e com um vasto conteúdo sobre as principais dúvidas da língua portuguesa, Português na Rede é reconhecidamente uma confiável fonte de informação na internet.

E, para homenagear nossos leitores, razão maior da existência do blog, daremos dois exemplares do nosso livro (com tiragem quase esgotada) aos que fizerem a melhor frase sobre "A importância da língua portuguesa".

O regulamento da promoção é simples: basta escrever uma frase de no máximo três linhas e enviá-la para cotexto@gmail.com.

Os autores das duas melhores frases ganharão um exemplar de Em Dia com a Língua.

Receberemos as frases até as 23 horas de 11 de outubro.

No dia 12 de outubro, divulgaremos aqui o nome dos vencedores.

Agora é só usar a criatividade

Aguardamos a sua participação!
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A origem da expressão "conto do vigário"

Nas paróquias, o vigário normalmente substitui o pároco quando este se ausenta.

E o vigarista faz as vezes de uma pessoa honesta, mas na verdade é um enganador que se aproveita dos outros.

Foi a proximidade semântica entre essas palavras que originou a expressão "conto do vigário", em que "vigário" está por "vigarista".

Ou seja, conto do "vigário" é o mesmo que "conto do vigarista".

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Pronomes de tratamento

O uso de pronomes de tratamento na língua portuguesa começou com "tu" e "vós".

O primeiro nas comunicações sem formalidade e o segundo nas que exigiam distinção e respeito.

Com o tempo, surgiu a necessidade de outras formas de tratamento.

Como diz Said Ali, na obra Gramática secundária e gramática histórica da língua portuguesa, "assim aproximavam-se os vassalos de seu rei com o tratamento de Vossa Mercê, Vossa Senhoria (...), assim usou-se o tratamento ducal de Vossa Excelência e adotaram-se na hierarquia eclesiástica Vossa Reverência, Vossa Paternidade, Vossa Eminência, Vossa Santidade".

Era, pois, a subordinação política, econômica e religiosa que determinava o emprego das formas de tratamento.

No fim do século 16, com o aumento da burocratização do Estado, estendeu-se o uso das formas de tratamento a alguns funcionários públicos.

E mudanças foram se sucedendo: "Vossa Mercê" evoluiu para "vosmecê" e, depois, para o coloquial "você", que, para alguns, pode terminar em "ocê" ou mesmo em "cê". Pior sorte teve "vós", hoje pouco empregado.

Algumas formas, porém, estão aí firmes e fortes.

Verdade que, nestes tempos corridos e nada cerimoniosos, raros são os que sabem usá-las.

É por isso que listamos abaixo as principais formas de tratamento com sua respectiva utilização:

Sua ou Vossa Alteza (S. A. ou V. A.) - príncipes, arquiduques e duques.

Sua ou Vossa Eminência (S. Em.ª ou V. Em.ª) - cardeais.

Sua ou Vossa Excelência (S. Ex.ª ou V. Ex.ª) - presidentes da República, ministros, governadores, prefeitos, parlamentares, juízes, diplomatas e autoridades em geral.

Sua ou Vossa Excelência Reverendíssima (S. Ex.ª Revm.ª ou V. Ex.ª Revm.ª) - bispos e arcebispos.

Sua ou Vossa Magnificência (S. Mag.ª ou V. Mag.ª) - reitores de universidade.

Sua ou Vossa Majestade (S. M. ou V. M.) - reis e imperadores.

Sua ou Vossa Santidade (S. S. ou V. S.) - o papa.

Sua ou Vossa Senhoria (S. S.ª ou V. S.ª) - funcionários graduados, pessoas de cerimônia e oficiais até o posto de coronel.

Meritíssimo (MM.) - juízes.

Por fim, é importante saber que há diferença entre as formas com "sua" e as com "vossa".

Usamos "sua" quando falamos da pessoa: "Na entrevista de ontem, Sua Santidade pediu ao povo que não perdesse a fé".

E "vossa" quando falamos com a pessoa: "Vossa Santidade conhece o Brasil?"

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Malcriação ou má-criação?

Não existe a palavra "malcriação".

O que existe é "má-criação".

Nas formações com "mal" e "mau/má", precisamos considerar o termo que vem depois dessas palavras.

Se for um verbo/particípio, usaremos o advérbio "mal".

Teremos assim um nome composto de acordo com o padrão da língua, pois advérbios modificam verbos: mal-educado, maltratado, malcriado.

Se o segundo elemento for um substantivo, usaremos o adjetivo "mau/má".

Formaremos desse modo um composto conforme a regra, pois adjetivos modificam substantivos: má-educação, maus-tratos, má-criação.

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Inicial maiúscula: símbolos pátrios

Escrevem-se com inicial maiúscula os nomes dos símbolos pátrios brasileiros.

Assim, a Bandeira (do Brasil), a Pátria (= Brasil), o Hino Nacional (do Brasil), a Independência (do Brasil, especificamente a que se relaciona com o Grito do Ipiranga, proferido por dom Pedro I às margens do Riacho Ipiranga, em 7 de setembro de 1822).

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A Grande Recife ou o Grande Recife?

Se o nome da cidade aceita a anteposição do artigo “o”, é “o grande”: o Grande Recife, o Grande Rio.

Se não aceita, é “a grande”: a Grande Belém, a Grande São Paulo.

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Aspas e ponto em citação

Você está escrevendo e resolve pôr uma citação no seu texto.

E essa citação está entre aspas.

Então vem a dúvida: o ponto fica antes ou depois das aspas?
Se já teve essa dúvida, parabéns!

É sinal de que você se preocupa com todos os detalhes de seu texto e sabe que é importante a padronização dele.

Temos esse mesmo entendimento.

Afinal, é muito ruim para um texto a ausência de regras, a anarquia gráfica.

Por isso, nesta coluna, vamos mostrar como deve ser a pontuação em citações que ficam entre aspas.

Caso 1 – A frase começa e termina com aspas: o ponto fica antes das últimas aspas.

Exemplo:

-“O verdadeiro e o falso são atributos da linguagem, não das coisas.” Com esse pensamento de Thomas Hobbes, a professora iniciou a aula.

Caso 2 – A frase não começa com aspas, mas termina com elas: o ponto fica depois das últimas aspas. Exemplos:

- O prefeito disse que “ainda é cedo para se guiar por pesquisas”.

- A reportagem apurou que o Sport está interessado na contratação de X. Mas, segundo o dirigente Y, “isso não passa de mera especulação”.

- Quando lhe perguntaram sobre o risco de a seleção decepcionar na Copa, o técnico respondeu: “Infelizmente corremos esse risco”.

- O cantor não explicou o atraso e ainda ironizou: “Aqui no Brasil vocês não costumam chegar atrasados aos encontros?”.

Observe o último exemplo.

Veja que o ponto de interrogação ficou antes das aspas e que o ponto final ficou depois.

O mesmo pode ocorrer com as reticências e com o ponto de exclamação que pertencem a uma citação introduzida por dois-pontos.

Modernamente, porém, essa pontuação é vista como opcional, pois já existem autores que defendem o uso de apenas um sinal, o que faz parte da citação:

-O cantor não explicou o atraso e ainda ironizou: “Aqui no Brasil vocês não costumam chegar atrasados aos encontros?"

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Resposta do desafio: doa "a" ou "em" quem doer?

A pergunta

A opção correta é:

a) Direi a verdade, doa a quem doer.

b) Direi a verdade, doa em quem doer.

c) “a” e “b” estão certas.

A resposta

Pensando na regência do verbo "doer" (por exemplo: "Aquela história doeu fundo no meu coração"), muita gente deve ter respondido letra "b".

Mas neste caso regência não é o determinante.

O que temos aqui é um exemplo de expressão idiomática.

Expressão idiomática é a frase ou locução consagrada pelo uso.

Todas as línguas têm suas expressões idiomáticas.

O português tem várias.

Uma delas é "doa a quem doer".

Portanto, a opção correta é a letra "a": Direi a verdade, doa a quem doer.


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Desafio: doa "a" ou "em" quem doer?

A opção correta é:

a) Direi a verdade, doa a quem doer.

b) Direi a verdade, doa em quem doer.

c) “a” e “b” estão certas.

A resposta está AQUI.


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A pergunta do leitor: anos 1980 ou anos 80?

Vejo em várias ocasiões pessoas usando a expressão “Nos anos 1980”.

Até onde sei, só existiu um único ano 1980.

O correto não seria dizer “anos 70”, “80”, “90”, em vez de se usar um ano específico para se referir a uma década inteira?

(Christiane T. Galvão – Recife)

Resposta
A expressão “anos 1980” significa “anos da década de 80”.

Tem, portanto, o mesmo sentido de “anos 80”.

Esse tipo de representação ganhou força neste início de século, quando algumas pessoas acharam necessário deixar claro que a década referida era de outro século, e não do nosso.

Ou seja, para essas pessoas, a representação “anos 1910” nos dá a certeza de que se trata da década de 10 do século passado, diferentemente da forma “anos 10”, que pode ser a década de 10 de um século qualquer.

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O ponto e vírgula

Hoje vamos falar de um sinal de pontuação que está em extinção: o ponto e vírgula.

E não é exagero falar em extinção.

Quem lê muito, e todo tipo de texto, sabe que o ponto e vírgula está em desuso.

Poucas pessoas o empregam.

Por que será? Decerto por insegurança, o tal medo de errar.

Mas é ruim essa tática de evitar o ponto e vírgula.

Perdemos um bom recurso de pontuação, pois o ponto e vírgula tem sua importância e pode, quando bem empregado, deixar o texto melhor.

Não por acaso, grandes escritores, como Proust e Machado de Assis, usavam e abusavam desse sinal.

A função do ponto e vírgula é separar blocos de informação.

Mas não é qualquer bloco de informação.

Somente os que têm os elementos internos separados por vírgula.

Vejamos isso na prática: “Era um domingo normal: papai, apaixonado por automóveis, estava na garagem mexendo no carro; mamãe, que adorava cozinhar, decidia o cardápio do dia; e meu irmão, um dorminhoco inveterado, lutava para derrotar o sono”.

Há nesse exemplo três blocos de informação: 1. papai, apaixonado por automóveis, estava na garagem mexendo no carro; 2. mamãe, que adorava cozinhar, decidia o cardápio do dia; 3. e meu irmão, um dorminhoco inveterado, lutava para derrotar o sono.

Observe que cada um desses blocos tem elementos internos separados por vírgula.

Com o ponto e vírgula na separação interblocos, conseguimos demarcar melhor os três segmentos que formam o enunciado.

Se usássemos vírgula no lugar do ponto e vírgula, essa demarcação ficaria prejudicada, comprometendo a leitura e até mesmo a compreensão da frase.

Compare: “Era um domingo normal: papai, apaixonado por automóveis, estava na garagem mexendo no carro, mamãe, que adorava cozinhar, decidia o cardápio do dia, e meu irmão, um dorminhoco inveterado, lutava para derrotar o sono”.

Percebeu a diferença, leitor?

E isso é só uma pequena amostra do ganho estilístico que o ponto e vírgula pode representar no nosso texto.

O grande poeta gaúcho Mário Quintana (1906-1994) sabia muito bem disso.

Tanto que, num de seus poemas, fez questão de deixar registrada a importância do ponto e vírgula: “Quando completei 15 anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto e vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida”.

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Resposta do desafio

Não há erro de acentuação na letra "c": avaro, próvido, rubrica e valido.

Agora atenção: não confunda "próvido" (providente) com "provido" (abastecido, cheio) e "valido" (favorito, protegido) com "válido" (valioso, vigoroso, que tem existência legal; particípio de "valer").

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Desafio

Não há erro de acentuação em:

a) ávaro, provido, rúbrica, válido.

b) avaro, provido, rúbrica, válido.

c) avaro, próvido, rubrica, valido.

Veja a RESPOSTA.

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Um(a): artigo ou numeral?

Como saber se “um(a)” é artigo ou numeral?

Por exemplo: “Álcool e cigarro são uma ameaça à saúde”.

Esse “uma” é artigo ou numeral?

É simples.

Se “um(a)” for numeral, basta antepor-lhe os advérbios “apenas” e “somente” : “O Paraguai perdeu (apenas) um pênalti”.

Se for artigo indefinido, ele poderá ser substituído por “outro(a)”: “Vou comprar um computador esta semana” = “Vou comprar outro computador esta semana”; "Álcool e cigarro são uma ameaça à saúde" = "Álcool e cigarro são outra ameaça à saúde".

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O infinitivo flexionado

O infinitivo flexionado é uma exclusividade da língua portuguesa.

Talvez por esse motivo não exista consenso em relação a seu emprego.

As regras são claramente apoiadas em fundamentos estilísticos, o que resulta numa liberdade de uso.

Para quem sabe disso, o infinitivo não é problema.

Para quem não sabe, essa liberalidade resulta em insegurança, que quase sempre leva à pior opção: a de flexionar sempre o infinitivo.

No entanto, a melhor opção é justamente o contrário disso: flexionar poucas vezes o infinitivo.

A rigor, a obrigatoriedade de flexionar o infinitivo só existe quando há risco de ambiguidade, como nesta frase: “Fizemos tudo para passares na prova”.

Se o infinitivo não fosse flexionado (“Fizemos tudo para passar na prova”), o texto ficaria ambíguo.

Daria a impressão de que o sujeito de “passar” era o mesmo de “fizemos”.

Não sendo esse o caso, fique com a opção que vai proporcionar à sua frase a melhor sonoridade.

E, na dúvida, o melhor é não flexionar o infinitivo.

Para fechar, um pensamento do professor Antenor Nascentes (1886 - 1972) resume tudo o que dissemos acima: “O emprego do infinitivo é regulado pela clareza e eufonia. Os gramáticos inventaram numerosas regras para disciplinar o emprego do infinitivo pessoal, mas toda essa multiplicidade só serve para trazer confusão”.

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Livro ganha versão eletrônica

Já está à venda a versão eletrônica (em PDF) do livro Em dia com a língua - um jeito fácil de aprender português.

O valor dessa versão eletrônica é bem simbólico, R$ 10,00, para que o maior número possível de pessoas tenha acesso ao conteúdo da obra, essencial para os que procuram dominar a norma culta da língua portuguesa.

A compra pode ser feita pela hipersegura plataforma do PagSeguro, com a opção de boleto ou cartão de crédito, ou por depósito em conta corrente Bradesco/Banco do Brasil.

Se optar pelo PagSeguro, basta dar um um clique no botão do PagSeguro, à direita.

Se não, veja aqui todos os passos para a compra do livro por meio de depósito bancário.
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Resposta do desafio

A pergunta

“Sofomania” é:

a) Mania de se achar mais inteligente que os outros.

b) Mania de se achar muito sofredor.

c) Mania de se achar muito importante.

A resposta

Do grego “sophós”, ‘sábio’ + “mania”, ‘loucura, mania’, “sofomania” é o hábito de se achar mais inteligente que os outros.

Quem tem “sofomania” é “sofômano” ou “sofomaníaco”.
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Desafio: vocabulário

“Sofomania” é:

a) Mania de se achar mais inteligente que os outros.

b) Mania de se achar muito sofredor.

c) Mania de se achar muito importante.

Veja a RESPOSTA.

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Revisor de texto precisa fazer curso de letras?

Muita gente me faz diversas perguntas sobre a minha atividade de revisão de texto. Uma delas é se é preciso  cursar letras para ser revisor de texto. Eu respondo que não. Na verdade, o curso de letras forma para a sala de aula ou para a pesquisa (licenciatura ou bacharelado).


Para quem quer se profissionalizar, existem cursos no Brasil de revisão de texto.

E para ser revisor de texto deve-se saber gramática? Sim, mas não é só isso. Para ser um bom revisor de texto, primeiramente é necessário gostar de ler e ler bons textos – literários ou não. Escrever também é preciso. Escrever, ler, reler e revisar criticamente o próprio texto. Esse é apenas o começo. Nessa revisão, virão diversas dúvidas, que obviamente nos levarão a consultar boas gramáticas e sites confiáveis, como Português na Rede. Os bons profissionais agem assim.

Outra dica é respeitar o que a pessoa escreveu. Sim, revisar um texto não é modificá-lo a bel-prazer, pois nem tudo é possível na revisão. O grande segredo é este: revisar respeitando as ideias e os argumentos do dono do texto. Claro que cabe a nós verificar se o texto tem lógica, se há coerência entre as ideias e coesão textual, mas isso não nos autoriza a mexer no conteúdo do texto, acrescentando ou retirando informações – salvo se o dono do texto nos autorizar. Muitos clientes me dizem: “Eu gosto da sua revisão porque você não muda o que eu quis dizer, respeita minhas ideias. Você mexe no texto, organiza, modifica na medida certa”. E como conseguir isso? Com a prática. É ela que nos faz sair da condição de amador para a de profissional, alguém capaz de revisar competentemente qualquer texto.

Nunca é demais dizer que a troca de ideias nos faz crescer. Isso também ocorre na revisão de texto. Portanto, se você tem uma pessoa disposta a ler seu texto com olhos críticos, aproveite. E, por fim, se achar necessário, faça um curso de revisão de texto, mas procure profissionais sérios, competentes e comprometidos com o que fazem.
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Acessório x assessório

Significando “complemento”, “adorno”, escreve-se “acessório”, com "c" na segunda sílaba: "Muita gente considera o chapéu um acessório ultrapassado".

“Assessório”, com "-ss" na segunda sílaba, é adjetivo referente a assessor ou assessoria, sinônimo de "assessorial", e é palavra de RARO USO: "Ele não quer ser assessor de imprensa porque as obrigações assessórias são muitas".

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Concursando ou concurseiro?

Juliana Albuquerque, do excelente blog Luta de um Concurseiro, nos procurou para esclarecer uma dúvida: qual a palavra mais apropriada para designar quem estuda para concursos públicos – concursando ou concurseiro?

Além de “concurseiro” e “concursando”, Juliana e demais leitores, há uma terceira palavra que pode designar a pessoa que estuda para concursos: “concursista”.

Esta, por sinal, é a única das três que consta no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp).

As outras duas – “concursando” e “concurseiro” – não estão relacionadas nem no Volp, nem nos principais dicionários.

Quanto a “concursando” e a “concurseiro”, podemos dizer que a favor delas está o uso. Uma pesquisa no Google mostra que suas ocorrências superam de longe as de “concursista”.

“Concursando” tem a vantagem de o sufixo “-ando” geralmente entrar na composição de palavras associadas ao ensino: doutorando, mestrando, vestibulando.

Por outro, se pensarmos que alguns tratam a condição de “concurseiro” como uma profissão, somando-se a isso o fato de o prefixo "-eiro" normalmente compor palavras relacionadas a ofício (jornaleiro, padeiro, pedreiro), a formação desta palavra é perfeitamente possível.

Para não sermos prolixos, podemos encerrar esta história assim: quem faz questão de seguir a língua oficial (a do Volp) deve usar “concursista”, quem não liga para isso pode optar por uma das formas mais usadas, ou seja, por “concursando” ou por “concurseiro”.

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Aspecto verbal

Um leitor entrou em contato conosco para criticar o título “Amanhã é o lançamento”, publicado na coluna passada.
Esse leitor entende que “amanhã” é futuro e, por isso, o correto é “Amanhã será o lançamento”.

Explicamos ao leitor o porquê da escolha do presente em vez do futuro e agora compartilhamos essa explicação com os demais leitores desta coluna.

Na Bíblia encontramos os dez mandamentos.

Não matarás, não adulterarás, não furtarás, são alguns deles.

O tempo verbal está no futuro. Mas isso não significa que somente no futuro não mataremos, não adulteraremos e não furtaremos.

Os verbos estão no futuro, mas a ação é uma ordem para já, para o presente.

Temos, então, o futuro com valor de imperativo.

Quando lemos, nos livros de história, narrativas como “Em 22 de abril de 1500, Cabral avista o Monte Pascoal e descobre o Brasil”, temos uma frase com os verbos no presente, mas com valor de passado.

É o presente histórico.

E em frases como “Amanhã eu faço isso para você”, “Amanhã eu estou de volta”, “Amanhã é o lançamento do livro”, temos o presente com valor de futuro.

Esses exemplos mostram que um tempo verbal pode assumir um valor paralelo ao que lhe é próprio.

Esse “valor paralelo” é chamado de aspecto verbal.

Especificamente sobre o presente com valor de futuro, estudiosos o associam a certeza (Celso Cunha & Lindley Cintra), a acontecimento próximo (Said Ali) e a ênfase (Evanildo Bechara).

Está, portanto, plenamente justificado o título “Amanhã é o lançamento”.

Publicado na coluna "Com Todas as Letras", Jornal do Commercio do Recife, em 22/6/2011.

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