Revisor de texto precisa fazer curso de letras? - Português na Rede

Revisor de texto precisa fazer curso de letras?

Muita gente me faz diversas perguntas sobre a minha atividade de revisão de texto. Uma delas é se é preciso  cursar letras para ser revisor de texto. Eu respondo que não. Na verdade, o curso de letras forma para a sala de aula ou para a pesquisa (licenciatura ou bacharelado).


Para quem quer se profissionalizar, existem cursos no Brasil de revisão de texto.

E para ser revisor de texto deve-se saber gramática? Sim, mas não é só isso. Para ser um bom revisor de texto, primeiramente é necessário gostar de ler e ler bons textos – literários ou não. Escrever também é preciso. Escrever, ler, reler e revisar criticamente o próprio texto. Esse é apenas o começo. Nessa revisão, virão diversas dúvidas, que obviamente nos levarão a consultar boas gramáticas e sites confiáveis, como Português na Rede. Os bons profissionais agem assim.

Outra dica é respeitar o que a pessoa escreveu. Sim, revisar um texto não é modificá-lo a bel-prazer, pois nem tudo é possível na revisão. O grande segredo é este: revisar respeitando as ideias e os argumentos do dono do texto. Claro que cabe a nós verificar se o texto tem lógica, se há coerência entre as ideias e coesão textual, mas isso não nos autoriza a mexer no conteúdo do texto, acrescentando ou retirando informações – salvo se o dono do texto nos autorizar. Muitos clientes me dizem: “Eu gosto da sua revisão porque você não muda o que eu quis dizer, respeita minhas ideias. Você mexe no texto, organiza, modifica na medida certa”. E como conseguir isso? Com a prática. É ela que nos faz sair da condição de amador para a de profissional, alguém capaz de revisar competentemente qualquer texto.

Nunca é demais dizer que a troca de ideias nos faz crescer. Isso também ocorre na revisão de texto. Portanto, se você tem uma pessoa disposta a ler seu texto com olhos críticos, aproveite. E, por fim, se achar necessário, faça um curso de revisão de texto, mas procure profissionais sérios, competentes e comprometidos com o que fazem.

5 comentários:

Davi Miranda disse...

Julgo que, no que diz respeito a frilas e a vagas em agências, talvez a graduação não seja o mais importante, desde que o interessado possua alguma especialização em revisão. No entanto, vale observar que concursos públicos para revisor de textos exigem graduação em Letras (em alguns casos, também em jornalismo). Dess forma, vejo uma certa restrição de oportunidades para quem não tem graduação em Letras e deseja atuar na área.

Helena Barradas disse...

Olá, Laércio.
Eu já trabalho como revisora de textos, mas gostaria de fazer algum curso nessa área para aprimorar o meu trabalho. Você sabe o nome de alguma empresa ou escola que disponibilize esse curso?

Caroline Cardoso disse...

Laércio,
retificando sua informação - os cursos de Bacharelado em Letras não formam pesquisadores, mas revisores. Esse é, inclusive, o meu caso.

No Brasil, aliás, não existem cursos que preparam pesquisadores. Esses profissionais surgem nos contextos acadêmicos a depender do interesse deles mesmos em trabalhar com a investigação de determinados assuntos que já são parte do universo dos departamentos em que estudam, independentemente da área e de ser uma licenciatura ou um bacharelado.

Acho de suma importância a formação em Letras. A base que o curso dá, seja em literatura, seja em linguística/língua, é extremamente valiosa para um profissional da revisão.

Mas também são de suma importância os conhecimentos adquiridos no ensino básico e consolidados na universidade. É preciso entender que a formação do profissional é um conjunto e começa desde a alfabetização.

Gostaria que a profissão fosse mais valorizada e que fosse restrita aos formados em Letras, pois eu, por exemplo, formada em Letras, não posso ser publicitária, nem jornalista, nem advogada. Mas advogados, jornalistas e publicitários, por exemplo, insistem em dar aula de português ou fazer revisão de texto. Eu sou contra.

Outro problema desse tipo é na área de tradução e intérprete. A maioria desses profissionais hoje são de outras áreas e exercem a profissão simplesmente porque sabem uma língua estrangeira.

Com a ampliação do mercado, vieram as técnicas e a profissionalização. Assim, hoje se sabe que não é qualquer pessoa que pode fazer uma boa tradução. Esse trabalho envolve uma série de meandros aprendidos e desenvolvidos em um curso superior voltado para isso, específico da área.

Além daquele bom e velho ditado 'Cada macaco no seu galho', serve, nesses casos, a premissa de que fazer um curso de especialização de um ano não ensina ninguém a revisar textos, muito menos a traduzi-los. :D

Patrícia disse...

Eu concordo com a Caroline! Eu fiz licenciatura em Letras e o que um curso menos faz é nos preparar para a sala de aula, afinal, do jeito que a educação está hoje, afirmo que ninguém sai preparado para enfrentar essa realidade...
Revisar texto exige conhecimento de gramática, linguística, ABNT, além de experiência em revisão. Não é um trabalho fácil, mas é mil vezes mais tranquilo do que sala de aula.
Além do mais, se os concursos públicos exigem do Revisor formação em Letras ou Comunicação é porque existe uma boa razão pra isso...

Dayan disse...

Laércio, agradeço-lhe por compartilhar conosco este seu ponto de vista, o que abre o leque de discussões sobre o tema em pauta.Entretanto,creio que a formação em Letras seja necessária, pois o pretendente a revisor de textos verá em Letras disciplinas, tópicos que muito contribuirão para o aprimoramento dos trabalhos do revisor de textos, como linguística, análise do discurso,gramáticas normativa, internalizada, gerativista e outras, além de textos de estudiosos consagrados nas áreas correlatas. Abraços.

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