Agosto 2011 - Português na Rede

Resposta do desafio: doa "a" ou "em" quem doer?

A pergunta

A opção correta é:

a) Direi a verdade, doa a quem doer.

b) Direi a verdade, doa em quem doer.

c) “a” e “b” estão certas.

A resposta

Pensando na regência do verbo "doer" (por exemplo: "Aquela história doeu fundo no meu coração"), muita gente deve ter respondido letra "b".

Mas neste caso regência não é o determinante.

O que temos aqui é um exemplo de expressão idiomática.

Expressão idiomática é a frase ou locução consagrada pelo uso.

Todas as línguas têm suas expressões idiomáticas.

O português tem várias.

Uma delas é "doa a quem doer".

Portanto, a opção correta é a letra "a": Direi a verdade, doa a quem doer.


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Desafio: doa "a" ou "em" quem doer?

A opção correta é:

a) Direi a verdade, doa a quem doer.

b) Direi a verdade, doa em quem doer.

c) “a” e “b” estão certas.

A resposta está AQUI.


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A pergunta do leitor: anos 1980 ou anos 80?

Vejo em várias ocasiões pessoas usando a expressão “Nos anos 1980”.

Até onde sei, só existiu um único ano 1980.

O correto não seria dizer “anos 70”, “80”, “90”, em vez de se usar um ano específico para se referir a uma década inteira?

(Christiane T. Galvão – Recife)

Resposta
A expressão “anos 1980” significa “anos da década de 80”.

Tem, portanto, o mesmo sentido de “anos 80”.

Esse tipo de representação ganhou força neste início de século, quando algumas pessoas acharam necessário deixar claro que a década referida era de outro século, e não do nosso.

Ou seja, para essas pessoas, a representação “anos 1910” nos dá a certeza de que se trata da década de 10 do século passado, diferentemente da forma “anos 10”, que pode ser a década de 10 de um século qualquer.

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O ponto e vírgula

Hoje vamos falar de um sinal de pontuação que está em extinção: o ponto e vírgula.

E não é exagero falar em extinção.

Quem lê muito, e todo tipo de texto, sabe que o ponto e vírgula está em desuso.

Poucas pessoas o empregam.

Por que será? Decerto por insegurança, o tal medo de errar.

Mas é ruim essa tática de evitar o ponto e vírgula.

Perdemos um bom recurso de pontuação, pois o ponto e vírgula tem sua importância e pode, quando bem empregado, deixar o texto melhor.

Não por acaso, grandes escritores, como Proust e Machado de Assis, usavam e abusavam desse sinal.

A função do ponto e vírgula é separar blocos de informação.

Mas não é qualquer bloco de informação.

Somente os que têm os elementos internos separados por vírgula.

Vejamos isso na prática: “Era um domingo normal: papai, apaixonado por automóveis, estava na garagem mexendo no carro; mamãe, que adorava cozinhar, decidia o cardápio do dia; e meu irmão, um dorminhoco inveterado, lutava para derrotar o sono”.

Há nesse exemplo três blocos de informação: 1. papai, apaixonado por automóveis, estava na garagem mexendo no carro; 2. mamãe, que adorava cozinhar, decidia o cardápio do dia; 3. e meu irmão, um dorminhoco inveterado, lutava para derrotar o sono.

Observe que cada um desses blocos tem elementos internos separados por vírgula.

Com o ponto e vírgula na separação interblocos, conseguimos demarcar melhor os três segmentos que formam o enunciado.

Se usássemos vírgula no lugar do ponto e vírgula, essa demarcação ficaria prejudicada, comprometendo a leitura e até mesmo a compreensão da frase.

Compare: “Era um domingo normal: papai, apaixonado por automóveis, estava na garagem mexendo no carro, mamãe, que adorava cozinhar, decidia o cardápio do dia, e meu irmão, um dorminhoco inveterado, lutava para derrotar o sono”.

Percebeu a diferença, leitor?

E isso é só uma pequena amostra do ganho estilístico que o ponto e vírgula pode representar no nosso texto.

O grande poeta gaúcho Mário Quintana (1906-1994) sabia muito bem disso.

Tanto que, num de seus poemas, fez questão de deixar registrada a importância do ponto e vírgula: “Quando completei 15 anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto e vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida”.

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Resposta do desafio

Não há erro de acentuação na letra "c": avaro, próvido, rubrica e valido.

Agora atenção: não confunda "próvido" (providente) com "provido" (abastecido, cheio) e "valido" (favorito, protegido) com "válido" (valioso, vigoroso, que tem existência legal; particípio de "valer").

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Desafio

Não há erro de acentuação em:

a) ávaro, provido, rúbrica, válido.

b) avaro, provido, rúbrica, válido.

c) avaro, próvido, rubrica, valido.

Veja a RESPOSTA.

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Um(a): artigo ou numeral?

Como saber se “um(a)” é artigo ou numeral?

Por exemplo: “Álcool e cigarro são uma ameaça à saúde”.

Esse “uma” é artigo ou numeral?

É simples.

Se “um(a)” for numeral, basta antepor-lhe os advérbios “apenas” e “somente” : “O Paraguai perdeu (apenas) um pênalti”.

Se for artigo indefinido, ele poderá ser substituído por “outro(a)”: “Vou comprar um computador esta semana” = “Vou comprar outro computador esta semana”; "Álcool e cigarro são uma ameaça à saúde" = "Álcool e cigarro são outra ameaça à saúde".

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O infinitivo flexionado

O infinitivo flexionado é uma exclusividade da língua portuguesa.

Talvez por esse motivo não exista consenso em relação a seu emprego.

As regras são claramente apoiadas em fundamentos estilísticos, o que resulta numa liberdade de uso.

Para quem sabe disso, o infinitivo não é problema.

Para quem não sabe, essa liberalidade resulta em insegurança, que quase sempre leva à pior opção: a de flexionar sempre o infinitivo.

No entanto, a melhor opção é justamente o contrário disso: flexionar poucas vezes o infinitivo.

A rigor, a obrigatoriedade de flexionar o infinitivo só existe quando há risco de ambiguidade, como nesta frase: “Fizemos tudo para passares na prova”.

Se o infinitivo não fosse flexionado (“Fizemos tudo para passar na prova”), o texto ficaria ambíguo.

Daria a impressão de que o sujeito de “passar” era o mesmo de “fizemos”.

Não sendo esse o caso, fique com a opção que vai proporcionar à sua frase a melhor sonoridade.

E, na dúvida, o melhor é não flexionar o infinitivo.

Para fechar, um pensamento do professor Antenor Nascentes (1886 - 1972) resume tudo o que dissemos acima: “O emprego do infinitivo é regulado pela clareza e eufonia. Os gramáticos inventaram numerosas regras para disciplinar o emprego do infinitivo pessoal, mas toda essa multiplicidade só serve para trazer confusão”.

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