Novembro 2011 - Português na Rede

Concordância: um dos que

Nossa leitora Maria Clara estava lendo o jornal quando se deparou com a seguinte frase: “Um dos fatos que CONTRIBUI para essa solução”.

Ela entende que o verbo deveria estar no plural: “Um dos fatos que CONTRIBUEM para essa solução”.

A maioria dos gramáticos, Maria Clara, aceita as duas formas.

Mas, sem dúvida, com a construção “um dos que” (e semelhantes, como “um daqueles que” e “um desses que”), o mais lógico é levar o verbo para o plural:

Ele é um dos jogadores que foram punidos.

A cantora Marisa Monte é uma das artistas que vão abrilhantar a festa.

O Sol é um dos astros que possuem luz própria.

A má remuneração dos professores é um dos fatos que contribuem para a péssima qualidade do ensino.

Invertendo a frase, descobrimos por que é mais lógico pôr o verbo no plural:

Dos jogadores que foram punidos, ele é um.

Das artistas que vão abrilhantar a festa, a cantora Marisa Monte é uma.

Dos astros que possuem luz própria, o Sol é um.

Dos fatos que contribuem para a péssima qualidade do ensino, a má remuneração dos professores é um.

Observe que em todos os exemplos existe ideia de pluralidade: mais de um jogador foi punido, mais de um artista abrilhantará a festa, mais de um astro possui luz própria, mais de um fato contribui para a péssima qualidade do ensino.

O verbo fica no singular só nas poucas vezes em que a ação se refere a um só agente:

Era uma das suas filhas que estava namorando ontem à noite na frente da escola.

O Sol é um dos astros que dá luz e calor à Terra.

Note que nestes exemplos, diferentemente dos primeiros, existe ideia de agente único, unitário: uma única filha namorou na frente da escola; o Sol é o único astro que dá luz e calor à Terra.

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Acreano ou acriano?

Antes do novo acordo ortográfico, era facultativo, podia ser “acreano” ou “acriano”.


Mas, depois da reforma, “acreano” deixou de constar nos dicionários e no Vocabulário da Academia Brasileira de Letras.


Agora, nessas obras, somente há o registro de “acriano”.


Convém saber que a terminação “-eano” só aparece em derivados de nomes próprios terminados em "-é” (Taubaté = taubateano) ou terminados em ditongo (Coreia = coreano; Galileu = galileano; Montevidéu = montevideano).


Nos demais casos, sempre “-iano”: “açoriano”, “camoniano”, "clariciano", “freyriano”, “machadiano”, “rodriguiano”, “shakespeariano”.


Caso especial é o adjetivo relativo a Pompeia, em que há divergência: Aurélio registra apenas “pompeiano”; Houaiss diz que também pode ser “pompeano”.


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