Abril 2012 - Português na Rede

“Presidenta”, de novo

Frequentemente somos instados por leitores a opinar sobre o uso do feminino “presidenta”.


Agora foram Waldemar Etevaldo dos Santos Filho e Antônio José Soares.


Esse assunto já foi tratado neste blog.


Mas, em consideração aos leitores, vamos enfocá-lo de novo.


Para começo de conversa, não há nenhuma novidade na forma “presidenta”, pois já em 1899 Cândido Figueiredo a registrava em seu dicionário.


E, na atualidade, gramáticas e dicionários legitimam o uso dela.


Existe um terceiro aspecto a favor do polêmico feminino: a  Lei federal nº 2.749, de 1956, diz que o emprego oficial de nome designativo de cargo público deve, quanto ao gênero, se ajustar ao sexo do funcionário.


Ou seja, segundo a lei, os cargos, “se forem genericamente variáveis”, devem assumir “feição masculina ou feminina”.


Logo, como “presidente” genericamente pode, conforme gramáticas e dicionários, variar para “presidenta”, se fôssemos ortodoxos quanto ao respeito à lei, nem discutiríamos a forma “presidenta”, já estaríamos empregando-a.


No entanto, quem comanda a língua são os falantes.


E, neste momento, eles estão preferindo o uso de “presidente” como substantivo de dois gêneros.


Ou seja, dizem “o presidente”, no caso de homens, e “a presidente”, no caso de mulheres.


E é por esse motivo que preferimos tratar a chefe do Executivo nacional como “a presidente Dilma Rousseff”.

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A maioria das pessoas fazem assim ou A maioria das pessoas faz assim?

Com sujeitos partitivos, formados por expressões como "a maioria de", "parte de", "boa parte de", o verbo pode concordar com o núcleo dessa expressão ("A maioria das pessoas faz assim") ou com o termo que vem depois desse núcleo ("A maioria das pessoas fazem assim").


Recomenda-se, porém, mesmo com a flexibilidade da regra, a concordância puramente gramatical, a que é feita com o núcleo: "A maioria das pessoas estuda pouco", "A maior parte dos políticos é inútil", "Boa parte dos bandidos vive nos gabinetes".

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Precisam-se de técnicos ou Precisa-se de técnicos?

Grave erro gramatical comete quem diz/escreve “Precisam-se de técnicos”. 


O verbo "precisar" não varia em construções como essa.


É um caso de sujeito indeterminado, que ocorre sempre com verbos transitivos indiretos acompanhados do índice de indeterminação do sujeito "se".


Além do mais, nunca devemos achar que o sujeito de uma oração é um elemento introduzido por preposição, como “de técnicos”.


Isso porque, na língua portuguesa, não existe sujeito preposicionado. 


Assim, em orações como "Necessita-se de motoristas", "Trata-se de reclamações justas" e "Precisa-se de técnicos", o verbo fica no singular porque o sujeito está indeterminado.
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