Agosto 2013 - Português na Rede

“Risco de vida” e “correr atrás do prejuízo”: é correto usar essas expressões?


Qual a expressão certa: risco de morte ou de vida?

Com frequência, sou solicitado a responder a essa pergunta.

E minha resposta é... as duas!

"Risco de morte" (ou "de morrer") é mais recente e, à primeira vista, mais lógica, pois em geral "risco de..." se associa a algo ruim: corre-se risco de morrer afogado, de ser sequestrado, de eleger um demagogo, etc.

No entanto, temos de reconhecer que "risco de vida" tem forte e tradicional uso e este uso torna-a legítima. 

Além disso, há os que veem nesta expressão a ocorrência de uma elipse, ou seja, um trecho dela está subentendido: "risco de [perder a] vida".

Ou seja, sem a elipse, a expressão seria "risco de perder a vida" e, desse modo, ela também teria sua lógica.

Em resumo, posso dizer, caro leitor, que hoje essa questão é muito mais um caso de preferência.

Use, pois, a expressão que melhor lhe convier.

Quanto a “correr atrás do prejuízo”, não há o que se discutir: é uma expressão consagrada e muito lógica.

Quando digo que o “A seleção brasileira está perdendo por 1x0 e tem que correr atrás do prejuízo”, o sentido é de “diminuir o prejuízo, acabar com o prejuízo”. 

Não embarque, portanto, nesta história de que o certo é “correr atrás do lucro, e não do prejuízo”.

Isso é bobagem.

Na língua portuguesa, não existe a expressão “correr atrás do lucro”.

O que há é “correr atrás do prejuízo”, que, como eu disse, quer dizer “correr atrás para diminuir ou acabar com o prejuízo”.
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Seje e esteje ou seja e esteja?

Nunca diga ou escreva "seje" e "esteje".

Essas formas não existem

As grafias corretas são "seja" e "esteja".

Exemplos:

Seja feliz, meu amigo!

Espero que você esteja certa.
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Sete grandes "pecados" da crase


PECADO NÚMERO 1

"Ela viajou à convite do governador."

Afora o caso em que se subentende a palavra “moda” (Governa à [moda de] Maquiavel), não há crase antes de palavras masculinas. 

"Convite" é nome masculino: "o" convite.

Por isso, “Ela viajou a convite do governador”, sem crase.


PECADO NÚMERO 2

“Lula está se dedicando à reeleger Dilma."

Não há crase antes de verbo. 

“Reeleger” é verbo. 

Logo, “Lula está se dedicando a reeleger Dilma".


PECADO NÚMERO 3

"O diretor se referiu à ela."

Não há crase antes dos pronome pessoais, inclusive os femininos. 

Motivo: esses pronomes rejeitam a anteposição de artigo. 

Não se diz “A ela é bonita”, mas simplesmente “Ela é bonita”.

Assim, "O diretor se referiu a ela".

PECADO NÚMERO 4

"O professor se dirigiu à você."

"Ele se dirigiu à Vossa Excelência com muito respeito."

Não se usa artigo antes de pronome de tratamento: "Você é muito linda", e não "A você é muito bonita"; "Vossa Excelência está certa", e não "A Vossa Excelência está certa.

Portanto, não ocorre crase em  "O professor se referiu a você" e "Ele se dirigiu a Vossa Excelência com muito respeito".

Observação: Às vezes os pronomes "dona", "senhora" e "senhorita" aceitam artigo, razão pela qual pode ocorrer crase no "a" que os precede.

PECADO NÚMERO 5

“Ele deixou as latas de tinta em frente à telas em branco.”

Não há crase no "a" no singular seguido de palavra no plural. 

Assim, "Ele deixou as latas de tinta em frente a telas em branco".

PECADO NÚMERO 6

"Nós trabalhamos de segunda à sexta."

Só há crase na correlação “de... a...” quando a preposição “de” aparece combinada com artigo, como em “Funciona do meio-dia às 18 horas”. 

De outra forma, nada de crase: "Nós trabalhamos de segunda a sexta".

PECADO NÚMERO 7

"Ele se declarou à uma linda garota."

Não ocorre crase antes da palavra "uma", pois ela rejeita a anteposição do artigo "a". 

Diz-se "ela é uma garota bonita", e não "ela é a uma garota bonita".

Dessa forma, "Ele se declarou a uma gatora bonita".

Atenção! Quando “uma” for numeral, pode haver crase, principalmente se expressar hora. 

É o que ocorre em “O jogo começa à uma em ponto”.

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Dica de redação: a importância de saber escolher a palavra

Um dos principais problemas dos candidatos de concursos e vestibulares, nas provas de redação, é a má escolha das palavras.

A palavra certa é fundamental e faz muita diferença na hora de escrever.

Quando corrijo provas de vestibulandos e “concurseiros”, observo um grande volume de vocábulos equivocados e de sonoridade ruim.

O que o candidato precisa saber é que empregar palavras simples, curtas, compreensíveis pela maioria dos leitores e com significado preciso é a melhor estratégia.

Nada de exageros, excessos cultistas e, o pior, palavras cujo significado não é adequado ao contexto da redação.

Por isso, o bom redator, no lugar de,

(a) esposo/esposa,
(b) diligenciar,
(c) falecer,
(d) féretro,
(e) genitora,
(f) matrimônio,
(g) chefe da nação,
(h) unicamente,
(i) alavancar
(j) patamar

optará por

(a) marido/mulher
(b) esforçar-se,
(c) morrer,
(d) caixão,
(e) mãe,
(f) casamento,
(g) presidente,
(h)
(i) melhorar/ impulsionar
(j) nível

Uma frase do poeta francês Paul Valéry (1871–1945) resume tudo o que dissemos: “Entre duas palavras, escolha sempre a mais simples; entre duas palavras simples, escolha a mais curta”.

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Questão de sentido: anteontem x antes de ontem


Muitos usam "antes de ontem" no lugar de "anteontem".

No entanto, essas expressões não têm exatamente o mesmo sentido.

"Antes de ontem" é mais genérica.

De modo prático: se hoje é quinta-feira e eu digo que um fato ocorreu antes de ontem, esse fato pode ter ocorrido terça-feira, segunda-feira, domingo, sábado, ou seja, qualquer dia antes de ontem.

"Anteontem" é específica, refere-se apenas a um determinado dia.

Por exemplo: se hoje é quinta e eu digo que um fato ocorreu anteontem, esse fato ocorreu exatamente terça-feira.

Em resumo:

antes de ontem - qualquer dia antes de ontem.

anteontem - o dia anterior a ontem.

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Seja bem-vindo ao novo Português na Rede!

Amigo leitor, nosso Português na Rede mudou e está com nova identidade visual.

Novas fontes, novas cores, novas páginas, maior leveza gráfica.

Leiaute mais moderno, logomarca em harmonia com a proposta do blog, maior integração às redes sociais, enfim, são muitas mudanças!

E tudo isso com a finalidade de agradar a você, amigo leitor, razão maior da existência desta página na internet.

Em outubro deste ano, Português na Rede completará seis anos de existência e com o expressivo número de mais de 600 mil pageviews segundo o Google Analytics.

Está reforma gráfica e o nosso empenho em lhe oferecer um rico conteúdo sobre assuntos da língua portuguesa são a nossa forma de lhe dizer “muito obrigado!”

É principalmente a você, leitor, que devemos este sucesso.

Aproveite, portanto, este nosso presente: explore ao máximo o novo Português na Rede.

Leia nossos mais de 700 posts, divulgue-os, compartilhe-os! 

Este blog é seu!

P.S.: A Adelson Smania e a Samanta Modesto, parceiros nesta renovação de Português na Rede,  nosso agradecimento e reconhecimento pelo belo trabalho.
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Aterrizar ou aterrissar?

A melhor grafia é “aterrissar”, com dois "s".

A forma “aterrizar”, com "z", apesar de dicionarizada, não é recomendada por manuais e autores da norma culta.

Tanto que os dicionários e o Vocabulário da Academia Brasileira de Letras, quando registram o substantivo da família, só consideram "aterrissagem", também com dois "s".

Assim sendo:

O avião aterrissará no aeroporto hoje à tarde.

Espero que o helicóptero aterrisse sem problemas.

A nave aterrissou na Lua com sucesso.

Atenção à pronúncia: pronuncie o dígrafo "ss" de "aterrissar" e "aterrissagem" como você pronuncia o dígrafo "ss" da palavra "passado".

P.S.:

O leitor Fernando S. Fabbri leu este post e, no Facebook, formulou a seguinte pergunta: "Perfeito, Laércio Lutibergue. Na Lua, entretanto, não seria alunissar?"

Nossa resposta: segundo Houaiss, "aterrissar" significa "descer, pousar (em qualquer lugar)".

Exemplo que consta no dicionário: "O homem ainda vai aterrissar em Marte". 

Essa opinião é corroborada por Flávio Ledur e Paulo Sampaio na página 51 do volume 2 do livro "Os pecados da língua". 

Sucedeu o seguinte: "aterrissar", apesar de na origem se ligar a "terra", com o passar do tempo, ampliou o seu alcance e hoje pode designar pouso em qualquer lugar. 

O mesmo ocorreu com "embarcar", que se relacionava primitivamente com "barco", mas hoje não mais, tanto que as pessoas embarcam em aviões. 

Quanto a "alunar" e "alunissar", elas se restringem tão somente a pouso na Lua. 

Resumo: você pode dizer "A nave aterrissou na Lua" ou "A nave alunissou".

E mais uma informação: não diga "Aterrissar na Terra" e "Alunissou na Lua", pois são construções redundantes em razão de já terem no radical a ideia de "terra" e "lua".
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Ortografia: excessão ou exceção?

Aquilo que se afasta de regras e modelos é "exceção", com "ç".

É palavra pertencente à família do verbo "excetuar".

Exemplos:

Programas de boa qualidade são exceções na TV brasileira.

No Brasil, a cidade de Curitiba, em termos de mobilidade, é uma exceção.

No Congresso, político honesto é a exceção da regra, 

E "excessão", com o dígrafo "ss", existe?

Oficialmente, não.

Mas sua existência tem lógica.

Seria um derivado do verbo exceder e, por isso, significaria um grande excesso:

Ele bebeu todas e acordou de ressaca - cometeu um excessão!
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Origem dos nomes dos dias da semana

O leitor José Lucimar quer saber por que os nomes dos dias da semana em português se diferem dos das outras línguas neolatinas.

Em outras palavras, por que em espanhol, francês e italiano esses nomes são associados ao Sol, à Lua e a planetas, e no português não?
        
Ocorre, José Lucimar, que somos mais católicos.

Sim, é isso mesmo, pois os nomes dos dias da semana, em português, saíram do calendário católico.

O primeiro dia, domingo, vem do latim dominicu, que significa dia do Senhor.

Os que têm a palavra feira provêm de feria, em latim festa em honra de um santo.

Daí a palavra feriado.

O último dia da semana, o  sábado,  é o menos católico, pois é de origem judaica.

Apesar de nos chegar pelo latim sabbatu, vem do hebraico shabbath e quer dizer descanso semanal.

Como reforço didático, e visando àqueles que não conhecem os dias da semana nas principais línguas neolatinas, seguem abaixo os calendários semanais em espanhol, francês e italiano

Dias da semana

Espanhol: Segunda - lunes; terça - martes; quarta - miércoles; quinta - jueves; sexta - viernes; sábado - sábado; domingo - domingo.

Francês: Segunda - lundi; terça - mardi; quarta - mercredi; quinta - jeudi; sexta - vendredi; sábado - samedi; domingo - dimanche.

Italiano: Segunda - lunedì; terça - martedì; quarta - mercoledì; quinta - giovedì; sexta - venerdì; sábado - sabato; domingo - domenica
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Dica de redação: “a nível de” e outras “muletas”

Palavras e locuções muito usadas perdem a força, desgastam-se,  tornam-se “muletas”.

E o pior: na maioria das vezes, não significam aquilo que as pessoas pensam.

Esse é o caso de “enquanto”, mais bem empregada expressando simultaneidade de ações (“Enquanto você reclama, eu trabalho”), mas muitos a usam forçadamente no lugar de “como” ou das locuções “na condição de” ou “na qualidade de” (Ela, enquanto mãe, merece respeito).

Outra muleta irritante é “a nível de”.

Locução vetada pela gramática, costumeiramente aparece em textos de pseudoeruditos.

Jamais a use.

Em virtude do significado da palavra “nível” (altura, grau, categoria), você pode dizer que “O Recife está ao nível do mar” ou que “O assunto será discutido em nível de governo federal”.

Sabendo disso, não diga nem reproduza “absurdos” como os que se seguem: “A secretaria tem problemas graves a nível de recursos”; “Os jogadores do Brasil são melhores a nível de habilidade”; “A relação do casal só é boa a nível de cama”.

Meios e locuções não faltam (em relação a, quanto a, no que se refere a, relativamente a, no que tange a, no que respeita a, no âmbito de, numa escala, na esfera de, com relação a, no que concerne a, do ponto de vista de) para substituir a famigerada “a nível de” e tornar essas frases lógicas: “A secretaria tem problemas graves no que concerne a recursos”; “Os jogadores do Brasil são melhores com relação à habilidade” (ou simplesmente “são mais hábeis”); “A relação do casal só é boa na cama”.

Sobre a locução “em nível de”, apesar de ter lógica, está também, pelo exagero de uso, virando uma muleta, razão pela qual se recomenda a substituição dela por uma preposição ou por outra locução: “O assunto será discutido pelo governo federal” ou “O assunto será discutido na esfera do governo federal”.

Além das muletas vistas, fique longe do “já” dispensável (“Maracanã já está pronto para a decisão”, bastava “Maracanã está pronto para a decisão”), do “seu/sua” redundante (“O cantor elogiou sua mãe”, bastava “O cantor elogiou a mãe”), do uso exagerado dos artigos (”Estou com uma vontade de comer pizza”, bastava ”Estou com vontade de comer pizza”).
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