O infinitivo flexionado

O infinitivo flexionado é uma exclusividade da língua portuguesa. Talvez, por isso, não exista consenso em relação a seu emprego. As regras são claramente apoiadas em fundamentos estilísticos, o que resulta numa liberdade de uso. Para quem sabe disso, o infinitivo não é problema. Para quem não sabe, essa liberalidade resulta em insegurança, que quase sempre leva à pior opção: a de flexionar sempre o infinitivo.

No entanto, a melhor opção é justamente o contrário disso: flexionar poucas vezes o infinitivo. A rigor, a obrigatoriedade de flexionar o infinitivo só existe quando há risco de ambigüidade, como nesta frase: "Fiz tudo para não reclamares". Se o infinitivo não fosse flexionado, o texto ficaria ambíguo, daria a impressão de que o sujeito de "fiz" era o mesmo de "reclamar".

Não sendo esse o caso, fique com a opção que vai proporcionar à sua frase a melhor sonoridade. E, na dúvida, siga o conselho do saudoso professor Napoleão Mendes de Almeida, não flexione o infinitivo.

MAIS INFINITIVO

O ponto de vista do professor Antenor Nascentes (1886 – 1972) reforça o que dissemos: "O emprego do infinitivo é regulado pela clareza e eufonia. Os gramáticos inventaram numerosas regras para disciplinar o emprego do infinitivo pessoal, mas toda essa multiplicidade só serve para trazer confusão".

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