Partitivos e coletivos

No início era o verbo. Depois vieram o nome, a oração… E as dúvidas: Uma série de irregularidades foi cometida ou foram cometidas? Um total de 55 questões foi respondido ou foram respondidas? A maioria dos estudantes foi ou foram ao parque?

Quando os primeiros gramáticos estabeleceram os princípios lógicos que norteariam a sintaxe (as relações entre as palavras nas orações), sabiamente determinaram que o verbo concordaria com a parte central do sujeito, isto é, o NÚCLEO. Contudo, a língua é um organismo vivo, que se modifica.

A concordância dos sujeitos partitivos e coletivos é uma amostra dessa mudança. Inicialmente, a concordância era apenas com o núcleo. Com o passar do tempo, de tanto as pessoas fazerem a concordância com o adjunto plural em vez do núcleo, como em “Um grupo de dez estudantes foram ao parque”, os gramáticos cederam e passaram a aceitar também a concordância com o adjunto, no caso exclusivo dos nomes coletivos e partitivos.

Não gostamos dessa concordância porque há substantivos coletivos que repelem a concordância com o adjunto. “Equipe” é um deles. Fica estranho, por exemplo, “Uma equipe de médicos operaram o paciente no Hospital das Clínicas”. É por isso que preferimos a concordância tradicional, que é sempre certa: “Uma série de irregularidades foi cometida”; “Um total de 55 questões foi respondido”; “A maioria dos estudantes foi ao parque”; “Uma equipe de médicos operou o paciente no Hospital das Clínicas”.

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