Particípio e verbos abundantes

Particípio é, assim como o gerúndio e o infinitivo, uma forma nominal do verbo. É nominal porque tem valor de adjetivo: "A casa foi construída", "A aula está encerrada", "Ele é apressado".

A maioria dos particípios termina em "-ado" e "-ido": cantado, lutado, partido, vencido, permitido… E todos os verbos têm um particípio. Ou melhor, quase todos. Porque há os que têm mais de um. São os chamados verbos abundantes, que têm dois particípios: o regular, maior e terminado em "-ado" ou "-ido", e o irregular, menor e de variada terminação.

Alguns desses:

aceitar – aceitado/aceito;
acender – acendido/aceso;
benzer – benzido/bento;
eleger – elegido/eleito;
entregar – entregado/entregue;
expressar – expressado/expresso;
expulsar – expulsado/expulso;
extinguir – extinguido/extinto;
imprimir – imprimido/impresso;
matar – matado/morto;
prender – prendido/preso;
salvar – salvado/salvo;
soltar – soltado/solto;
submergir – submergido/submerso;
suspender – suspendido/suspenso.

Como usá-los? Por motivos sonoros, a gramática recomenda usar as formas regulares com "ter" e "haver" e as irregulares com "ser" e "estar": "O árbitro já o tinha expulsado", "Ele já foi expulso pelo árbitro".

Há, porém, três verbos especiais que hoje, preferencialmente, só são usados com os particípios irregulares. São "ganhar", "gastar" e "pagar", todos, por coincidência, relacionados com a carteira ($). Por isso, deve-se dizer/escrever "eu tinha ganho", "eu tinha gasto", "ele havia pago", e não "eu tinha ganhado", "eu tinha gastado", "ele havia pagado".

E o caso "pegar"? Existe a forma "pego"? Antigamente, não existia, era só "pegado". Hoje, além de amplamente usada, ela está nos dicionários e no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Ou seja, "pego" pegou.

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