Em Recife ou no Recife?

É obrigatório o uso do artigo antes do nome "Recife"?

Não existe na gramática nenhuma regra específica sobre esse assunto.

"Quê?!" – dirão alguns – "Mas e aquela regra que diz que todo topônimo originário de um acidente geográfico é antecedido pelo artigo definido?"

Lenda gramatical. Como dissemos, não existe – repetimos, não existe – na gramática nenhuma regra nesses termos.

Se assim fosse, diríamos "Moro na Chã Grande", pois a palavra "chã", sinônimo de planalto, designa um acidente geográfico.

Mas ninguém diz "Moro na Chã Grande", nem os moradores dessa cidade do Agreste pernambucano, nem os que defendem a obrigatoriedade do artigo masculino antes do nome Recife baseados na regra que é uma lenda.

Logo, podemos afirmar com convicção que gramaticalmente tanto faz, pode ser "em Recife" ou "no Recife".

Mas a questão não se encerra aqui, pois extrapola a gramática. Na verdade, diz mais respeito à sociolinguística, porque envolve história e tradição de um povo.

Não por acaso, as mais ardorosas defesas a favor do emprego do artigo antes do nome "Recife" foram feitas não por gramáticos, mas pela nata dos intelectuais da cidade.

Uma delas partiu do sociólogo Gilberto Freyre.

Em O Recife, sim! Recife, não!, o autor de Casa-grande & senzala afirmou categoricamente: "O recifense diz "Chegar ao Recife", "Vir para o Recife", "Sair do Recife", "Voar sobre o Recife".

O teatrólogo Waldemar de Oliveira, em Luzes da cidade, corroborou a opinião do Mestre de Apipucos de modo mais incisivo: "Isso de dizer "em Recife" é ignorância de gente do Sul, que não sabe muito de tais coisas…"

Conclusão: que as pessoas de fora digam "em Recife" é até aceitável, pois elas não conhecem nossa história e tradição.

Mas ouvir um recifense dizer "em Recife" é clara demonstração de desconhecimento ou, pior, de indiferença às coisas da terra.

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Scroll to Top