A língua do futebol

Foram os ingleses que trouxeram o futebol para o Brasil.

Por isso, até metade do século passado predominavam expressões inglesas no vocabulário do futebol brasileiro.

Torcedores e cronistas esportivos falavam e escreviam palavras como “football”, “goal”, “penalty”, “score”, “shoot”, “team”, “back”, “goalkeeper”, “referee”, “corner”, “hands”.

Com a popularização do esporte bretão, nacionalistas se insurgiram contra esse abuso de anglicismos.

E, assim, entraram em campo os aportuguesamentos futebol, gol, pênalti, escore, chute, time, beque, goleiro, juiz/árbitro, escanteio e toque, substituindo as formas estrangeiras.

O inglês, porém, não foi a única fonte das palavras futebolísticas.

Por exemplo, do francês “placard”, veio “placar”; “zagueiro”, que substituiu o aportuguesamento de origem inglesa “beque”, veio do espanhol “zaguero”; e o espanhol sul-americano importou do quíchua, língua nativa do Peru, “cancha” e a exportou para nós, que a assimilamos sem nenhuma modificação.

Mas nem todas as palavras do futebol vieram de fora.

“Torcedor”, por exemplo, é exclusividade brasileira. No português lusitano, seu correspondente é adepto; em inglês é supporter (o que dá “suporte” ao clube); em italiano, tifoso (o que é “doente” pelo clube); em espanhol, hincha (o que se “infla” pelo clube).

O uso da palavra “torcedor” com o sentido de simpatizante de clube esportivo vem de uma época em que as pessoas acompanhavam as partidas educadamente e controlavam seus arroubos emotivos torcendo lenços.

Infelizmente os atuais torcedores perderam a polidez e, em vez de lenços, torcem o pescoço dos adversários.

Publicado na coluna "Com todas as letras", Jornal do Commercio do Recife, em 30/6/2010.

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