O Hino Nacional

 

Hino Nacional Brasileiro (legendado) - YouTube

Hoje nossa coluna vai ser bem patriota, já no clima do 7 de Setembro. Vamos falar do Hino Nacional brasileiro.

Um belo hino, porém de difícil compreensão.

A começar dos versos de abertura: “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas/ de um povo heroico o brado retumbante”.

Muita gente pensa que quem ouviu o brado retumbante foi o povo brasileiro.

Mas não. O sujeito de “ouvir”, ou seja, o termo que ouviu o brado, é “as margens plácidas”.

Os versos não estão na ordem direta, por isso o sujeito não é prontamente identificado.

Mas, na ordem direta, fica mais fácil saber quem ouviu: “As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico”.

Antes que você diga que não faz sentido as margens do Ipiranga ouvirem, pois elas não têm ouvidos, é bom entender que o Hino Nacional é uma expressão artística, poética, por isso usa e abusa da linguagem conotativa, que é metafórica, figurativa.

O autor da letra do hino, Joaquim Osório Duque Estrada, quis com esses versos dizer que o grito de independência dado por dom Pedro I ecoou às margens do Ipiranga.

Mas, em vez de uma linguagem objetiva, empregou uma simbólica, própria da poesia.

Um verso interessante, em termos de análise, é “E o sol da liberdade em raios fúlgidos brilhou no céu da Pátria nesse instante”.

O adjetivo “fúlgido”, de uso raro, veio do latim “fulgidus”, o mesmo que fulgente, brilhante.

O verso informa, portanto, que a nossa Independência brilhou com intensidade.

E por que o autor usou “nesse instante” e não “neste instante”?

O demonstrativo “esse” indica passado. “Este”, presente. Duque Estrada escreveu a letra em 1909, 87 anos depois da Independência.

Ou seja, estava relatando um fato passado.

Por isso acertou ao empregar “nesse instante”.

Outro trecho interessante: “Se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braço forte, em teu seio, ó liberdade, desafia o nosso peito a própria morte”.

A conjunção “se” não expressa nesse caso condição, que é o comum, e sim causa.

Equivale a “porque”. Posto isso, a mensagem do verso é esta: “Porque conseguimos conquistar com braço forte o penhor (a garantia) da igualdade, nosso peito desafia a própria morte”.

O que complica mesmo na interpretação do Hino Nacional é o grande número de inversões.

Um bom exemplo é este trecho: “Brasil, de amor eterno seja símbolo o lábaro que ostentas estrelado”.

Antes de tudo, “lábaro” é bandeira, e “ostentar”, no contexto, é exibir.

O símbolo de amor eterno a que se refere o verso é a nossa bandeira estrelada, como podemos ver na ordem direta: “(Que) a bandeira estrelada que o Brasil ostenta seja símbolo de amor eterno”.

Para finalizar esta minianálise do Hino Nacional, mais um exemplo de inversão da ordem: “Mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme quem te adora a própria morte”.

Está claro que “um filho” não foge à luta.

Mas e as outras relações? Quem ergue o quê? Quem adora a própria morte?

Só a ordem direta para esclarecer: “Se o Brasil erguer a clava forte da justiça, verá que seus filhos não fogem à luta e que aqueles que o adoram não temem a morte”.

Publicado na coluna “Com todas as letras”, Jornal do Commercio do Recife, em 1º/9/2010.

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