Senão x se não

 

Nem tudo que não parece, não é! Poeta dos Sonhos | Sonhos, Poeta, Citações

Hoje vamos falar da dupla “senão” e “se não”.

A gramática nos ensina que “senão”, numa só palavra, estabelece relação de adversidade e pode ser substituído por “caso contrário”, “a não ser”, “mas” e “mas sim”: “Ande logo, senão (= caso contrário) chegaremos tarde”, “Não fiz isso para irritá-lo, senão (= mas) para motivá-lo”, “Não víamos na época outra opção, senão (= a não ser) utilizar o viaduto”.

“Senão” pode ser também substantivo, caso em que significa “defeito”, “falha”: “Não há um senão naquele bolo”, “Seus muitos senões atrapalham-no”.

A forma em duas palavras, “se não”, estabelece relação de condição e equivale a “caso não” e “quando não”: “Se não chover (= caso não chova), irei ao zoo”, “Vamos vacinar 90% das crianças, se não (= quando não) todas”, “Se não (caso não) fosse ele, esta região seria muito pobre”, “O que seria a ficção se não (caso não fosse) a realidade com sentimento de culpa?”

Parece simples, mas a prática mostra que não é.

O problema é que há casos em que a distinção de sentido não fica tão explícita.

Por exemplo: tanto é certo escrever (1) “Este exemplo esclareceu tudo, se não, vejamos” como (2) “Este exemplo esclareceu tudo, senão, vejamos”, pois em (1) é possível a conversão para “Este exemplo esclareceu tudo, caso não, vejamos”, ao passo que em (2) é possível refazer para “Este exemplo esclareceu tudo, caso contrário, vejamos”.

São esses casos de proximidade de significado que complicam a nossa vida.

E não há muito o que fazer para evitá-los.

A não ser entender bem o contexto para saber quando é indiferente usar “senão” ou “se não”.

Publicado na coluna “Com todas as letras”, Jornal do Commercio do Recife, em 8/12/2010.

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