Junho 2008 - Português na Rede

A fora ou afora?

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Quase sempre é "afora", em uma palavra.

"A fora", separado, só se usa em oposição a "dentro": "Dedetizou a casa de dentro a fora".

Nos demais casos, "afora": "Foram todos ao cinema, afora o pai"; "Ajuda vários amigos, afora a família"; "Saiu porta afora"; "Andou por este país afora"; "Seguiu rio afora"; "O filme está quebrando recordes de bilheteria mundo afora".
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Domingueira

Chegou o dia da Domingueira! Hoje, com Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987).


Sentimento do mundo


Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.


Links para pesquisar vida e obra do autor:

http://www.carlosdrummond.com.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Drummond_de_Andrade
http://www.releituras.com/drummond_bio.asp
http://www.ciadaescola.com.br/zoom/materia.asp?materia=97
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Excessão ou exceção?

Escreve-se “exceção”, com “ç” iniciando a última sílaba.

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Nem um ou nenhum?

"Nem um" equivale a "nem sequer um", "nem ao menos um": "Não te darei nem um real a mais"; "Comeram tudo, não restou nem uma empadinha para contar história"; "O treinador, por sinal, não gostou nem um pouco da forma como a tabela determina os jogos".

"Nenhum" é pronome indefinido, o contrário de "algum": "Nenhum brasileiro está livre da violência"; "Nenhum candidato tem essa unanimidade"; "O jornal dedicou-lhe quatro matérias, nenhuma delas favorável".
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Concordância: a gente

Apesar de corresponder a "nós", a expressão "a gente" leva o verbo para a terceira pessoa do singular. Desse modo, "A gente prepara os doces rapidamente". Ou, se não quiser ser coloquial, "Nós preparamos os doces rapidamente".


Observe que, quando há um adjetivo, a concordância se dá com o sexo da pessoa a que se refere "a gente". Ou seja, um homem diz "A gente está cansado"; uma mulher, "A gente está cansada".
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Haviam muitas pessoas na festa ou Havia muitas pessoas na festa?

Significando "existir", o verbo haver é impessoal, concorda sempre na terceira pessoa do singular. Assim, "Havia muitas pessoas na festa".
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Dica de redação

Quando escrevemos, devemos dedicar especial atenção à escolha das palavras. Nada de exageros, excessos cultistas. O melhor é empregar palavras simples, curtas, com significado preciso e compreensíveis pela maioria dos leitores. Por isso, o bom redator, no lugar de



esposo/esposa,

diligenciar,
falecer,
féretro,
genitora,
matrimônio,
chefe da nação,
unicamente,




optará por


marido/mulher
esforçar-se,
morrer,
caixão,
mãe,
casamento,
presidente,
só.

Uma frase do poeta francês Paul Valéry (1871–1945) resume tudo o que dissemos: “Entre duas palavras, escolha sempre a mais simples; entre duas palavras simples, escolha a mais curta”.
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Domingueira

Hoje a Domingueira é com o poeta gaúcho Mário Quintana (1906 - 1994).


O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.



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Regência: responder

De acordo com os dicionários, o verbo "responder" tem as seguintes regências:

a) Transitivo direto quando o complemento é a resposta: "Ele respondeu que não é contra a CPMF".

b) Transitivo indireto com a preposição "a" quando significa dar resposta a alguém ou a alguma coisa: "Respondeu ao ministro em tom agressivo"; "Os estudantes terão três horas para responder às questões de português e matemática"; "Haverá tempo para responder ao restante dos testes"; "Acusado responderá a processo na OAB e pode ser cassado"; "Ele respondeu à pergunta rapidamente".

c) Significando dar resposta a alguém ou a alguma coisa, "responder" pode também ser intransitivo: "Eu a chamei, mas ela não respondeu"; "O réu não ergueu os olhos nem respondeu".

d) Transitivo indireto com a preposição "por" quando significa responsabilizar-se: "Todo cidadão responde pelos seus atos"; "Parecia que outro personagem respondia por ele, a fim de deixá-lo à vontade".

e) Transitivo direto e indireto quando há dois complementos: "Respondeu ao ministro que é contra a CPMF"; "O deputado respondeu aos jornalistas que não aceitava a acusação"; "Ele responderá o que quiser ao público"; "Respondeu-lhes que aceitava a proposta".
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Crase

"A empresa foi multada devido à irregularidades."


Qual o erro dessa frase? Não há crase no "a" no singular seguido de palavra no plural. Assim, "A empresa foi multada devido a irregularidades".
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Concordância: voz passiva

Oração com a estrutura "verbo transitivo direto + se + substantivo" (ou "se + verbo transitivo direto + substantivo") está na voz passiva sintética. O sujeito (passivo) dela é o substantivo da estrutura, e o verbo, naturalmente, concorda com ele. Observe:


"Vendem-se carros" (estrutura da oração: verbo transitivo direto + se + substantivo);
"Consertam-se relógios" (estrutura da oração: verbo transitivo direto + se + substantivo);
"Vêem-se muitas crianças e idosos na praça" (estrutura da oração: verbo transitivo direto + se + substantivo).


Repare que todas essas orações podem ser passadas para a voz passiva analítica (= verbo ser + particípio):


"Carros são vendidos";
"Relógios são consertados";
"Muitas crianças e idosos são vistos na praça".



E este – passar para a voz passiva analítica – é o melhor expediente para saber se uma oração está ou não na voz passiva sintética.
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Ítens ou itens?

"Jovem/jovens", "nuvem/nuvens", "viagem/viagens".

Três palavras paroxítonas (sílaba tônica é a penúltima) acompanhadas do plural.

Todas terminam em "-em/-ens".

Nenhuma delas é acentuada.

Conclusão: paroxítonas com "-em/-ens" no fim, como "item/itens", não levam acento.



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Domingueira

A partir de hoje, reservaremos um espaço para a boa literatura, a boa música, a boa arte. Semanalmente, apresentaremos uma seleção de obras que alimentam a vida e aplacam as dores da alma. Começaremos com o genial Fernando Pessoa e dois de seus mais belos poemas:



Gato que brincas na rua

Gato que brincas na rua

Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.



Liberdade
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!

Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...




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Trás ou traz?

"Trás", com "s" e acento, é advérbio de lugar e vem sempre introduzido por preposição: "Ele saiu de trás do carro"; "Ele andou para trás"; "O ônibus passa por trás da prefeitura".

"Traz", com "z" e sem acento, é a terceira pessoa do presente do indicativo do verbo "trazer": "Ele traz sempre uma mensagem de otimismo"; "Tenho saudade das coisas que o tempo não traz mais".
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Paraskevidekatriaphobia

Hoje é sexta-feira 13.

Existe um grupo de pessoas que têm verdadeira aversão a esse dia, chegando a desenvolver um medo doentio, ou seja, uma fobia à sexta-feira 13.

Essa fobia tem nome: "paraskevidekatriaphobia".

Conseguiu pronunciá-lo?

O estranho nome é formado pelos elementos gregos “paraskevi”, o mesmo que “sexta-feira”, mais “dekatria”, que significa “treze”, e o sufixo “phobia”, “medo mórbido”.

Foi o dr. Donald E. Dossey, psicoterapeuta americano especializado em fobias, que criou a palavra e com um fim terapêutico: segundo o dr. Dossey, a pessoa que consegue pronunciar essa palavra fica curada da "paraskevidekatriaphobia".

É, pela feiura da palavra, faz sentido.
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Dentre ou entre?

“Dentre" é a contração de “de” + “entre”. Significa "do meio de". Seu uso só é possível com palavras que regem a preposição "de", como "sair", "surgir/ressurgir" e "tirar": "Saíam formigas dentre (de + entre) as rochas"; "Cristo ressurgiu dentre (de + entre) os mortos"; "Tirou a mais bela dentre (de + entre) as moças do salão".

Fora da condição exposta acima, usa-se "entre": "A empresa ocupa o sétimo lugar no ranking de vendas entre as 25 marcas que atuam no País"; "Entre os jogadores do Sport, Carlinhos Bala foi o destaque na decisão".
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A VIOLAÇÃO PODE ACARRETAR EM MULTA DE R$ 1.000 ou PODE ACARRETAR MULTA DE R$ 1.000?

O verbo “acarretar” é transitivo direto, não rege a preposição "em".

Portanto, "A violação pode acarretar multa de R$ 1.000”.
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Ele proviu a conta bancária da empresa ou Ele proveu a conta bancária da empresa?



No presente do indicativo e no presente do subjuntivo, "prover" conjuga-se à semelhança de "ver": "Hoje eu vejo", logo "Hoje eu provejo"; "Ela quer que ele veja", logo "Ela quer que ele proveja".

Nos outros tempos, "prover" segue a conjugação regular dos verbos terminados em "-er", como "vender": "Ontem eu vendi", logo "Ontem eu provi"; "Ontem ele vendeu", logo "Ontem ele proveu".
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Emprego dos pronomes demonstrativos

Em relação ao LUGAR

O lugar onde o falante está: este
O lugar onde o ouvinte está: esse
O lugar distante do falante e do ouvinte: aquele


Exemplos:

Este quarto está muito desarrumado. Vamos organizá-lo agora, filha?

Essa poltrona onde você está sentado pertenceu ao meu avô.
Traga-me esses livros que estão com você!

Aquela casa antiga por onde passamos todos os dias será demolida amanhã. 

Em relação ao TEMPO

Presente e futuro muito próximo: este
Passado e futuro próximos: esse
Passado distante: aquele

Exemplos:

Este ano eu vou tirar férias em dezembro. [o ano corrente]

Esta noite vou ao cinema.
O ano de 2005 me trouxe muitas alegrias. Nesse ano eu viajei a Paris, conheci meu grande amor e ainda consegui um emprego novo. Dá para acreditar?

Em abril de 1940, nascia uma grande estrela. Naquele ano, o país vivia dias difíceis.


Em relação ao DISCURSO


O que vai ser mencionado: este/isto
O que se mencionou antes: esse/isso
Entre dois ou três fatos citados: o primeiro que foi citado = aquele; o do meio = esse; o último citado = este


Exemplos:

É isto que eu digo sempre: cultura é fundamental.

Meu irmão vive repetindo este provérbio: “Casa de ferreiro, espeto de pau”.

“Casa de ferreiro, espeto de pau.” Meu irmão vive repetindo esse provérbio.

O fumo é prejudicial à saúde; isso já foi comprovado cientificamente.

O fumo é prejudicial à saúde, e esta deve ser preservada.

Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade são dois dos maiores nomes da literatura brasileira. Este é conhecido por suas poesias; aquele, por seus brilhantes romances.
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TRATAM-SE ou TRATA-SE DE PESSOAS SÉRIAS?

Grave erro gramatical comete quem diz/escreve “Tratam-se de pessoas sérias”. O verbo "tratar" em construções como essa não varia. É um caso de sujeito indeterminado, que ocorre sempre com verbos transitivos indiretos acompanhados do índice de indeterminação do sujeito "se"Além do mais, nunca devemos achar que o sujeito de uma oração é um elemento introduzido por preposição, como “de pessoas sérias”. Isso porque, na língua portuguesa, não existe sujeito preposicionado

Assim, em orações como "Necessita-se de motoristas", "Precisa-se de músicos", "Passava das 18 horas", o verbo fica no singular porque o sujeito está indeterminado.
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CANCELOU AS PROVAS DADO A GRAVIDADE DA DENÚNCIA ou DADA A GRAVIDADE DA DENÚNCIA?

O certo é "Cancelou as provas dada a gravidade da denúncia". Significando "devido a", o particípio "dado" concorda com o nome que se lhe segue. Veja outros exemplos: "Dadas as circunstâncias, achou melhor não comentar o assunto"; "Dada a procura, o livro vai ter nova edição"; "O governo suspendeu o aumento dada a repercussão".
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