Novembro 2008 - Português na Rede

Animalzinhos ou animaizinhos?

O plural de palavras com o diminutivo "-zinho" é feito da seguinte forma: plural da palavra primitiva (menos "s") + sufixo (zinho ou zinha) + desinência "s". Assim, balõezinhos, pãezinhos, papeizinhos, animaizinhos.

Atenção! No caso de a palavra terminar em "r", aceitam-se dois plurais: barezinhos ou barzinhos, florezinhas ou florzinhas, mulherezinhas ou mulherzinhas.
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SÓCIO-AMBIENTAL ou SOCIOAMBIENTAL?

O elemento “socio-” junta-se com hífen apenas às letra "h" e "o": "sócio-histórico", "sócio-humanitário", "sócio-odontológico".

Às demais letras, une-se sem hífen, duplicando-se o “r” e o “s”: “socioambiental”, “sociocultural”, “sociodemográfico”,  “socioeconômico”, “sociopolítico", "sociorreligioso”, “sociorrecreativo”, “sociossexual”.
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AO INVÉS DE ou EM VEZ DE?

AO INVÉS DE é “o contrário de”, “o inverso”:


O Brasil importa alimentos, ao invés de exportá-los.
Ao invés de falar, preferiu calar.
O amor, ao invés do ódio, eleva a alma.


Repare: IMPORTAR é o contrário de EXPORTAR; FALAR é o contrário de CALAR; AMOR é o contrário de ÓDIO.

Não devemos usar, portanto, AO INVÉS DE quando não há a exposição de contrários, de opostos. Nesse caso, cabe a locução EM VEZ DE, que significa “no lugar de”:


Estudou português em vez de história.
Viajou de carro em vez de avião.
Em vez de cerveja, ofereceram vinho no churrasco.

Veja: ESTUDAR PORTUGUÊS não é o contrário de ESTUDAR HISTÓRIA; VIAJAR DE CARRO não é o contrário de VIAJAR DE AVIÃO; CERVEJA não é o contrário de VINHO.


Aí vai um conselho: esqueça “ao invés de”. Primeiro, porque é uma locução feia, estilisticamente ruim; segundo, porque, devido ao significado, tem uso muito restrito. Substitua-a por “em vez de” ou “no lugar de”. Assim procedendo, você acertará sempre.
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A crase

A crase assinala o encontro de dois aa: um deles, o "a" preposição, é pedido pela palavra da esquerda; o outro, o "a" artigo, é aceito pela palavra da direita. Quando esses aa se encontram, temos a fusão deles, o “a” craseado (à).


Observe o esquema. Entre barras está o "a" preposição e entre parênteses está o "a" artigo:

Eu vou /a/ (a) Bahia - há dois aa, pois o verbo "ir" exige a preposição "a" e o nome "Bahia" aceita artigo, logo, "Eu vou à Bahia".

Eu vou /a/ ( ) São Paulo - há um "a", pois o verbo "ir" exige a preposição "a" e o nome "São Paulo" não aceita a anteposição do artigo "a" - dizemos "Voltamos de São Paulo", e não "voltamos da São Paulo" - logo não há crase.

A novela vai ao ar /a/ ( ) partir das 21 horas - há apenas um "a", o "a" preposição, pois não se usa artigo antes de verbo.
Um bom expediente para saber se há crase é a "prova do ao": substitui-se a palavra feminina por uma masculina. Se o "a" virar "ao", há crase; caso contrário, não há.


Veja: há crase em "Ele se dirigiu à mãe" porque "Ele se dirigiu ao pai". Mas não há crase em "Ele se dirigiu a uma colega" porque "Ele se dirigiu a um colega", ou seja, na substituição da palavra feminina por uma masculina o "a" não virou "ao".


Publicado em 16/7/2008 no Jornal do Commercio do Recife, na coluna Com todas as letras, de Laércio Lutibergue.
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ELE POSSUE ou POSSUI?

Os verbos terminados em “-uir” não têm a terminação “-ue”.

A terceira pessoa do singular do presente do indicativo desses verbos termina em “-ui”: ele atribui, ele contribui, ele distribui, ele retribui, ele possui.
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O comércio mira no 13.º ou O comércio mira o 13.º?

O verbo “mirar” é transitivo direto: “Os caçadores miraram o animal”; “As crianças miravam os doces”; “O comércio mira o 13.º salário”.

O verbo “mirar” só rege a preposição “em” quando é pronominal: “Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas...”
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AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS ou AS MICROS E PEQUENAS EMPRESAS?

O certo é "as micros e pequenas empresas".


É que nesse caso o prefixo"micro-" está substantivado pelo artigo e, portanto, passa a sofrer flexão de número. É um processo parecido com o que ocorre em formações como "as múltis" (de "as multinacionais"), "as mínis" (de "as minissaias") e as "máxis" (de "as maxidesvalorizações").


Diferente é o caso "as micro e miniempresas", em que ocorre uma enumeração de prefixos e, para evitar a repetição do substantivo, só o último prefixo se agrega ao substantivo. Ou seja, em vez de se escrever "as microempresas e as miniempresas", escreve-se "as micro e miniempresas".


Mas que fique claro: isto só é possível nas enumerações de prefixos, quando há em seqüência dois ou mais prefixos. Não sendo assim, estando solto o prefixo no meio de outros adjetivos ou substantivos, deve-se proceder à substantivação dele, como em "as micros e pequenas empresas" ou em "os micros e pequenos empresários".
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Acento nas palavras com "-em" no fim


Essa palavra é paroxítona, a sílaba tônica é a penúltima, "on-". Por isso é "ontem", sem acento.

Há acento nas palavras com a terminação "-em" quando elas possuem mais de uma sílaba e são oxítonas (a sílaba tônica é a última): além, vintém, (ele) mantém, (eles) mantêm, armazém.

Se for um monossílabo tônico (uma sílaba só) com essa terminação, não haverá acento: quem, sem, ele tem, ele vem.

Há ainda um acento diferencial empregado para diferenciar a terceira pessoa do singular de "ter" e "vir" (ele tem, ele vem) da terceira do plural (eles têm, eles vêm).
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A PROFESSORA MARIA MEDIA ou MEDEIA O DEBATE HOJE À TARDE?

O verbo “mediar” não tem a forma “media”. Irregular, ele se conjuga à semelhança de “odiar”:


eu odeio – eu medeio;

tu odeias – tu medeias;

ele odeia – ele medeia...

Assim sendo, “A professora Maria medeia o debate hoje à tarde no auditório da faculdade”.


Há outros verbos irregulares terminados em “-iar”. Seguem, sem exceção, o modelo de conjugação de “odiar”. São eles: os derivados de “mediar” (“intermediar”, “remediar”); “ansiar” e “incendiar”.
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POR ORA ou POR HORA?

POR ORA significa por enquanto, por agora: "Por ora, não acredito na queda dos juros"; "Por ora, não dispomos de policiais eficientes"; "Os cientistas, por ora, desconhecem a cura da aids".

POR HORA é o mesmo que a cada sessenta minutos, pelo tempo de uma hora: "O aluguel da lancha é R$ 100 por hora"; "Passam naquela rodovia 10 mil carros por hora"; "Ele passou aqui a mil por hora".
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Qual o feminino de “lavrador”?

Disse "lavradora"?


Errou.


Para gramáticas e dicionários, é "lavradeira".
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Antártica ou Antártida?

Para designar o continente onde fica o Polo Sul, ambas estão corretas.

Os que defendem a primeira dizem que ela é mais lógica, pois viria do grego Antarktikós, que significa "anti-Ártico" ou "do outro lado do Ártico".

Mas a forma "Antártida" é muito consagrada, tanto que há enciclopédias, manuais de redação (como o do Jornal do Commercio do Recife) e dicionários que a prescrevem.


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DEVEM HAVER BONS JOGADORES ou DEVE HAVER BONS JOGADORES?

Não se flexiona o verbo auxiliar quando o principal é impessoal, pois este transfere a impessoalidade para aquele.


O verbo "haver", com o sentido de "existir", "ocorrer", é impessoal, não varia no plural. Logo, "Deve haver bons jogadores no Nordeste".


Outros exemplos


"Pode haver (e não podem haver) vários conflitos naquela área."


"Deve haver (e não devem haver) muitos injustiçados naquele país."


"Vai haver (e não vão haver) novas revelações."
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Horas, artigo e preposição

Na indicação de horas, é obrigatória a combinação da preposição com o artigo. Portanto, tem de ser sempre "das 8h às 17h", "das 9h às 18h", "das 5h30 à 0h30”, e nunca "de 9h...", "de 13h...", "de 5h30..."

Quando não pode haver combinação, o artigo se segue à preposição e, neste caso, ele não tem acento grave, pois não há crase: “Entre as 8h e as 12h”; “Desde as 9h até as 12h ”.
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Abreviatura de apartamento e abreviaturas

Na escrita normalizada, “ap.”, e não “apto.”, é a abreviatura de apartamento.


Ainda sobre abreviaturas: o ponto ao término das abreviaturas de palavras é também prescrito pela norma.

Assim, “ap. 306”, “Empresa Automóveis do Brasil Ltda., localizada em Casa Forte”.

Não podemos também nos esquecer de pluralizar a abreviatura, apondo-lhe um “s” final, quando ela abrevia uma palavra no plural.

Desse modo, “arts. esportivos”, por abreviar “artigos esportivos”.
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O MUSSE ou A MUSSE?

“Musse” é substantivo feminino. Logo, “A musse de chocolate estava uma delícia”.
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"Palavrão"

A maior palavra da língua portuguesa é PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO, dicionarizada no Houaiss.



Se você tiver paciência para contar, descobrirá que ela tem “apenas” 46 letrinhas.



A dita-cuja designa a pessoa que padece de PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIOSE, doença pulmonar causada pela aspiração de cinzas vulcânicas.
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Em agradecimento, dizemos “obrigado” ou “obrigada”?

Depende do sexo: homem diz “obrigado”; mulher, “obrigada”.

Seguem a mesma lógica outras formas de agradecimento, como “grato” e “agradecido”.


Um homem, portanto, diz “grato” ou “agradecido”; uma mulher, “grata” ou “agradecida”.
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ESTEJE ou ESTEJA?

Na língua culta, é “esteja”. Do mesmo modo que é “seja”, e não “seje”.


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CALDA ou CAUDA?

CALDA, com L, é da mesma família de “caldo” e significa solução açucarada: calda de ameixa, pêssegos em calda, calda de gemas.

CAUDA, com U, significa rabo, apêndice: cauda de cachorro, piano de cauda, cauda de avião.
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ESPECTADOR ou EXPECTADOR?

"Espectador", com "s", é aquele que assiste a um filme, a um programa de TV, a uma peça de teatro, a um espetáculo:

"Milhares de espectadores já viram o filme Ensaio sobre a cegueira".

"Expectador", com "x", é quem tem expectativa: "Todo pai e mãe, quando um filho está para nascer, são expectadores".
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