Dezembro 2008 - Português na Rede

Ano se inicia com mudanças na ortografia

Primeiro de janeiro de 2009 marca, além do novo ano, o início do período de transição para a nova ortografia. Desse dia até o último de 2012, todos no Brasil terão que se adequar às novas regras, pois, pelo cronograma de implantação do acordo, em janeiro de 2013 toda a produção escrita em língua portuguesa terá de seguir a nova ortografia.

Muitos, como grandes jornais e revistas do nosso país, estarão aderindo ao acordo logo no início. E é claro que haverá os equívocos, pois sair de uma ortografia usada há décadas para entrar noutra não é simples. Mas essa etapa de equívocos será necessária, pois só praticando as novas regras é que vamos assimilá-las.


Para você que ainda não está a par das mudanças provocadas pelo acordo ortográfico, segue um resumo delas:


As mudanças do acordo ortográfico (português do Brasil)

1. O retorno das letras “k”, “w” e “y”


É na verdade um retorno oficial, pois elas de fato nunca deixaram de fazer parte do nosso alfabeto. Basta consultar nossos principais dicionários e ver que todos registram verbetes com “k”, “w” e “y”.


E não há nenhuma mudança quanto ao emprego delas, que continuam a ser usadas:


a) na grafia de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W (watt);


b) na grafia de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): show, playboy, playground, yin, yang, Washington, William, Kennedy, Kafka, kafkiano, kardecista.


2. O fim do trema

O trema deixa de ser usado. Ele, porém, permanece nos nomes próprios estrangeiros e em seus derivados: Hübner, hübnerita.

3. Novas regras de acentuação

- As palavras paroxítonas com os ditongos abertos “ei” e "oi" perdem o acento. Como é: idéia, geléia, bóia, apóie, apóiem, apóio (verbo), asteróide, heróico. Como será: ideia, geleia, boia, apoie, apoiem, apoio, asteroide, heroico. Atenção: permanece o acento das palavras terminadas em “éis”, “éu(s)” e “ói(s)”: papéis, céu, troféus, dói, heróis.

- O acento do “i” e do “u” tônicos precedidos de ditongo, em palavras paroxítonas, deixa de ser usado. Como é: baiúca, feiúra, cauíla. Como será: baiuca, feiura, cauila.

Observação: O acento permanece em palavras oxítonas: Piauí, tuiuiú.

- O circunflexo das palavras terminadas “oo” e “eem” deixa de ser usado: voo, abençoo, creem, deem, leem e veem.

- O acento diferencial de “pára” (verbo), “pêlo”, “pélo”, “pêra” e “pólo” desaparece. O correto passa a ser “para”, “pelo”, “pelo”, “pera” e “polo”.



Atenção: o acento de “pôr” e “pôde” permanece.


- O acento agudo de verbos como “apaziguar”, “averiguar”, “arguir” e “redarguir” deixa de ser usado. Como é: apazigúe, averigúem, argúem, redargúi. Como será:




a) Alguns verbos terminados em guar, quar e quir, como "aguar", "averiguar", "apaziguar", "desaguar", "enxaguar", "obliquar", "delinquir", admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e do imperativo. Nesse caso, duas grafias serão aceitas: se a tonicidade recair no "u", não haverá acento: aguo, enxague, delinquem; se a tonicidade recair nas vogais "a" ou "i" da sílaba anterior, elas serão acentuadas: águo, enxágue, delínquem.




b) O “u” tônico de arguir e redarguir deixará de ser acentuado nas formas (tu) arguis/ redarguis, (ele) argui/ redargui, (eles) arguem/ redarguem.


4. Novas regras do hífen

- Prefixos e falsos prefixos se ligam com hífen a palavras iniciadas por “h”: anti-higiênico, anti-histórico, macro-história, mini-hotel, proto-história, sobre-humano, sub-hepático, sub-humano, super-homem, ultra-humano.



Algumas exceções – palavras formadas pelos prefixos des-, in- e re-: desumano, desumidificar, inábil, inumano, reidratar, reidratação, reabilitar.


- Se o prefixo termina por vogal e o segundo elemento começa pela mesma vogal, usa-se o hífen: anti-ibérico, anti-imperialista, anti-inflacionário, anti-inflamatório, auto-observação, contra-atacar, contra-ataque, micro-ondas, micro-ônibus, micro-organismo, para-atleta, semi-internato, semi-interno.



Exceções – os prefixos “co” e “re”: coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante, rescrever, reedição, reeleito, reestruturar, reenviar.


- Se o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento, não se usa o hífen: aeroespacial, agroindustrial, antiaéreo, antieducativo, autoaprendizagem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, coautor, coedição, extraescolar, infraestrutura, plurianual.

- Se o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de “r” ou “s”, não se usa o hífen: anteprojeto, antipedagógico, autopeça, autoproteção, coprodução, geopolítica, microcomputador, pseudomédico, semicírculo, semideus, seminovo, ultramoderno.

- Se o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por “r” ou “s”, além de não haver hífen, dobram-se essas letras: antirrábico, antirracismo, antirreligioso, antirrugas, antissocial, biorritmo, contrarregra, contrassenso, cosseno, infrassom, georreferência, microssistema, minissaia, microrregião, multissecular, neorrealismo, neossimbolista, semirreta, ultrarresistente, ultrassom.

- Se o primeiro elemento termina por consoante igual à que inicia o segundo, usa-se o hífen: hiper-requintado, inter-racial, inter-regional, mal-limpo, sub-bibliotecário, super-racista, super-reacionário, super-resistente, super-romântico.

- Se o prefixo termina em consoante diferente da que inicia o segundo elemento, não se usa o hífen: hipermercado, intermunicipal, superproteção, subchefe, subsede.



- O prefixo “sub-” se liga com hífen a “b”, “h” e “r”: sub-bloco, sub-humano, sub-hepático, sub-região, sub-reino.


- Os prefixos “circum-” e “pan-” se ligam com hífen a vogal, “h”, “m” e “n”: circum-escolar, circum-navegação, pan-americano, pan-mágico, pan-negritude.


- Se o prefixo termina em consoante e o segundo elemento começa por vogal, não se usa o hífen: hiperacidez, hiperativo, interescolar, interestadual, interestelar, interestudantil, superamigo, superaquecimento, supereconômico, superexigente, superinteressante, superotimismo.

- Os prefixos “ex-”, “além-”, “aquém-”, “recém-”, “sem-”, “pós-”, “pré-”,“pró-” e “vice-” ligam-se com hífen ao elemento seguinte: além-mar, aquém-mar, ex-aluno, ex-diretor, ex-prefeito, ex-presidente, pós-graduação, pré-história, pré-vestibular, pró-europeu, pró-reforma, recém-casado, recém-nascido, sem-terra, sem-teto, vice-governador, vice-presidente.

-Usa-se o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani “-açu”, “-guaçu” e “-mirim” quando o primeiro elemento termina em vogal acentuada graficamente ou em tônica nasal: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu, Ceará-Mirim, paraná-mirim.



-Não se usa o hífen em palavras que perderam a noção de composição: girassol, madressilva, mandachuva, paraquedas, paraquedista, pontapé.


Observação: Como o texto do acordo é muito vago, considere, neste primeiro momento, apenas essas palavras como as que “perderam a noção de composição”.


- A regra de “bem” com hífen não muda, continuaremos grafando “bem-humorado”, “bem-sucedido”, “bem-visto”. No entanto, algumas palavras perderão o hífen e ficarão unidas ao termo seguinte com o “m” virando “n”. Ei-las: benfeito, benquerer e benquerido.

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FELIZ ANO-NOVO!
Nesta última postagem do ano, queremos agradecer a todos os amigos que acompanharam este blog, que procurou fazer jus à proposta de ser um tira-dúvidas de português na internet.

Português na Rede, com os seus quase 10 mil acessos mensais, é uma prestação de serviço consolidada e tem orgulho de dizer que você, amigo leitor, é o grande responsável por isso.

Obrigado e um 2009 de paz, saúde e muitas alegrias!
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Plural de "sem-terra" e outros casos

As palavras compostas formadas por "sem-" aplicadas a pessoas são em geral invariáveis: o sem-terra, os sem-terra, o sem-pão, os sem-pão, o sem-trabalho, os sem-trabalho, o sem-vergonha, os sem-vergonha, o sem-teto, os sem-teto.

Quando é necessário deixar claro que essas palavras estão sendo usadas no plural, isso é feito por um artigo, adjetivo, pronome ou verbo: "Os sem-terra estão acampados no Centro da cidade", "Choque expulsa vários sem-teto", "Sem-trabalho diminuem no Brasil".

Qual a lógica dessa ausência de flexão?

Em todos esses casos, há um substantivo implícito. Por isso, não ocorre a flexão numérica: "Os (agricultores) sem-terra estão acampados no Centro da cidade", "Choque expulsa vários (moradores) sem-teto", "(Pessoas) Sem-trabalho diminuem no Brasil".

Convém observar que algumas palavras com "sem-" que são aplicadas a coisas e ações variam em número.

Algumas dessas: o sem-fim, os sem-fins, o sem-segundo, os sem-segundos, o sem-termo, os sem-termos, a sem-vergonhez, as sem-vergonhezes, a sem-vergonhice, as sem-vergonhices.

Neste caso, a flexão ocorre porque não existe um substantivo implícito: “Infelizmente, as ( ) sem-vergonhices dos políticos brasileiros são incontáveis”.
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O gênero dos espumantes (1): a champanhe ou o champanhe?

"Champanhe" é um vinho, por isso é nome masculino: “O [vinho] champanhe Veuve Clicquot vale cada gole”.


Não confunda a bebida com o nome da região da França onde se produzem os verdadeiros champanhes.


Este é feminino e deve ser grafado à francesa, com o dígrafo "gn": "A Champagne é uma boa opção para as férias".
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O gênero dos espumantes (2): a cava ou o cava?

"Cava", espumante típico da Espanha, é nome masculino, tanto no Brasil como no país de origem.


Subentende-se, assim como no caso de "champanhe", a palavra "vinho": "O [vinho] cava é um espumante cada vez mais consumido no Brasil".


A forma "a cava", feminina, tem outro significado: é o mesmo que "adega".
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Desafio da sexta

A frase que não apresenta erro de grafia é:


a) No Brasil, no fim de ano, bebe-se muita cidra.

b) No Brasil, no fim de ano, bebe-se muita sidra.


Veja a resposta aqui, na manhã do sábado.


RESPOSTA

"Cidra", com "c", é o fruta da "cidreira"; "sidra", com "s", é o espumante feito com suco de maçã fermentado. Logo, letra "b" é a resposta correta.
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Natal

Para os romanos, Natal era o deus que assistia as pessoas no momento do nascimento delas.

Foi do nome desse deus que veio o latim "natale", o mesmo que nascimento e origem da palavra "natal", que, entre outras acepções, nomeia a mais importante data do calendário cristão.

E, aproveitando o mote, desejamos a todos os amigos-leitores um feliz Natal!

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O infinitivo flexionado

O infinitivo flexionado é uma exclusividade da língua portuguesa.

Talvez, por isso, não exista consenso em relação a seu emprego.

As regras são claramente apoiadas em fundamentos estilísticos, o que resulta numa liberdade de uso.

Para quem sabe disso, o infinitivo não é problema.

Para quem não sabe, essa liberalidade resulta em insegurança, que quase sempre leva à pior opção: a de flexionar sempre o infinitivo.

No entanto, a melhor opção é justamente o contrário disso: flexionar poucas vezes o infinitivo.

A rigor, a obrigatoriedade de flexionar o infinitivo só existe quando há risco de ambiguidade, como nesta frase: "Fiz tudo para não reclamares".

Se o infinitivo não fosse flexionado - "Fiz tudo para não reclamar" -,  o texto ficaria ambíguo, daria a impressão de que o sujeito de "fiz" era o mesmo de "reclamar". 

Não sendo esse o caso, fique com a opção que vai proporcionar à sua frase a melhor sonoridade.

E, na dúvida, siga o conselho do saudoso professor Napoleão Mendes de Almeida, não flexione o infinitivo.

MAIS INFINITIVO

O ponto de vista do professor Antenor Nascentes (1886 - 1972) reforça o que dissemos: "O emprego do infinitivo é regulado pela clareza e eufonia. Os gramáticos inventaram numerosas regras para disciplinar o emprego do infinitivo pessoal, mas toda essa multiplicidade só serve para trazer confusão".
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A PERSONAGEM ou O PERSONAGEM?

Antigamente, era "a personagem", substantivo feminino, seja referindo-se a homem, seja referindo-se a mulher: "A personagem Papai Noel povoa o imaginário das crianças"; "A atriz está interpretando bem a personagem Anita Garibaldi".


Hoje, de acordo com os dicionários, é nome de dois gêneros, ou seja, concorda com o sexo da pessoa a que se refere: "O personagem Papai Noel povoa o imaginário das crianças"; "A atriz está interpretando bem a personagem Anita Garibaldi".
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Desafio da sexta

Estomatite é:

a) Inflamação do esôfago.
b) Inflamação da boca.
c) Inflamação do estômago.

Na manhã do sábado, você encontrará a resposta aqui. Fique de olho!


Resposta do desafio



"Estomatite" significa "inflamação da boca". 


Provém do grego "stoma" (= boca) + "itis" (= inflamação). 

A inflamação do estômago se chama "gastrite". 

E a do esôfago, "esofagite".
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À MESA ou NA MESA?

Pessoas ficam “à” mesa; e os alimentos, “na” mesa.

Isso porque a preposição “a” indica que algo está ao lado de, junto a.

E a preposição “em”, que algo está sobre, em cima de.

Desse modo, “As crianças estão à mesa esperando a refeição”; “Seria tão bom que no Natal todos tivessem muita fartura na mesa”.
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Nacionalidade: brasileiro ou brasileira?

A leitora Daniele Barros quer esclarecer a seguinte dúvida: preenchendo um questionário, após o item “nacionalidade”, um homem deve escrever o quê?

Por exemplo: "Nacionalidade: brasileira". Ou será "brasileiro"?

Daniele, não existe vínculo sintático que justifique a concordância com o substantivo "nacionalidade".

A concordância, portanto, é feita naturalmente com o sexo da pessoa.

Ou seja, quando é um homem, "Nacionalidade: brasileiro"; quando é uma mulher, "Nacionalidade: brasileira".

Se houver vínculo sintático, isto é, os termos pertencerem a uma frase/oração, claro que o adjetivo-predicativo concordará com o substantivo-sujeito: "A nacionalidade do diretor é brasileira".
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A ambiguidade do seu/sua

Quando escrevemos, devemos ter como preocupação constante o entendimento que o leitor terá de nosso texto.

Não basta compreendermos nossos escritos; o mais importante é o outro compreender bem.

Se tivermos essa preocupação, estaremos mais "vacinados" contra problemas como a ambiguidade da seguinte frase, retirada de uma revista: "Prefeito cumprimenta governador em seu aniversário".

Ao lê-la, temos duas interpretações,1. O prefeito cumprimentou o governador no dia do aniversário do chefe do Executivo estadual.
2. O prefeito, no dia de seu aniversário, cumprimentou o governador.Em alguns casos, a solução desse problema é a substituição do seu/sua pelo dele/dela.

Não é, porém, o caso dessa frase, pois coincidiu de os substantivos "prefeito" e "governador" terem o mesmo gênero e número.

Ou seja, ficaria do mesmo modo ambíguo "Prefeito cumprimenta governador no aniversário dele".

Alguns advogam a repetição do substantivo após o "dele", entre parênteses, para resolver o problema: "Prefeito cumprimenta governador no aniversário dele (o governador)".

A nosso ver, essa saída pode ser boa para a compreensão, mas é péssima para o estilo.

O ideal mesmo é mudar a redação: se o aniversário for do prefeito, "Em seu aniversário, prefeito cumprimenta governador"; se o aniversário for do governador, "Prefeito cumprimenta governador pelo aniversário".

De tudo isso, fica a lição de que o seu/sua tem forte potencial para causar ambiguidade e, por isso, o emprego dele deve ser feito com muito critério.
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O brócolis ou os brócolis?

"Brócolis" é palavra que só se usa no plural. É como "férias", "óculos" e "parabéns".


Assim, "Os brócolis estão muito caros"; "Os brócolis fazem bem à saúde"; "Não se esqueça de preparar os brócolis".
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Desafio da sexta

A opção correta é:

a) Este documento autoriza a reforma da Escola Padre Antônio Vieira, sito na Rua das Flores, n.º 73.
b) Este documento autoriza a reforma da Escola Padre Antônio Vieira, sita na Rua das Flores, n.º 73.


Daremos a resposta amanhã cedinho.


Resposta do desafio

"Sito", forma apocopada de "situado", é um adjetivo e, como tal, concorda com o substantivo a que se refere. Logo, o certo é a opção "b": "Este documento autoriza a reforma da Escola Padre Antônio Vieira, sita (=situada) na Rua das Flores, n.º 73".


No entanto, pessoal, essa construção com "sita" é muito feia. Evitemo-la, pois!
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Por que "vinho tinto"?

Apenas nas línguas portuguesa e espanhola o vinho de cor vermelha é chamado de tinto: em inglês é "red", 'vermelho'; em francês é "rouge", 'vermelho'; em italiano é "rosso", 'vermelho'.

Por que isso?

Uma consulta ao dicionário nos informa que tinto é sinônimo de tingido, pintado.

Essa parece ser a razão.

Na Espanha, era comum tingir os vinhos brancos com vinhos "vermelhos", cujo resultado eram os vinhos tingidos, ou melhor, tintos.

O tempo passou e a expressão "vinho tinto" deixou de designar os brancos tingidos e passou a nomear os vermelhos.

Foi melhor assim - "vinho vermelho" não soa nada bem!
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ERMO ou ESMO?

ERMO, do grego "éremos", significa deserto, desabitado, solitário: "É bom evitar lugares ermos"; "A fazenda fica numa região erma"; "Trata-se de uma pessoa erma".

Da família de "ermo" fazem parte palavras como "ermitão", "eremita", "eremítico", "eremitério" (lugar onde vivem ermitões).

A palavra ESMO, do verbo "esmar" (avaliar, estimar), significa estimativa, conjetura. É mais usada na locução "a esmo", que quer dizer "à toa", "ao acaso", "sem rumo", "sem certeza": "Americano é preso por atirar a esmo em escola de Nova Iorque".
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Partitivos e coletivos

No início era o verbo.

Depois vieram o nome, a oração...

E as dúvidas: Uma série de irregularidades foi cometida ou foram cometidas? Um total de 55 questões foi respondido ou foram respondidas? A maioria dos estudantes foi ou foram ao parque?

Quando os primeiros gramáticos estabeleceram os princípios lógicos que norteariam a sintaxe (as relações entre as palavras nas orações), sabiamente determinaram que o verbo concordaria com a parte central do sujeito, isto é, o NÚCLEO.

Contudo, a língua é um organismo vivo, não é estática, modifica-se ao longo do tempo.

A concordância dos sujeitos partitivos e coletivos é uma amostra dessa mudança.

Inicialmente, a concordância era apenas com o núcleo.

Com o passar do tempo, de tanto as pessoas fazerem a concordância com o adjunto plural em vez do núcleo, como em “Um grupo de dez estudantes foram ao parque”, os gramáticos cederam e passaram a aceitar também a concordância com o adjunto, no caso exclusivo dos nomes coletivos e partitivos.

Não gostamos dessa concordância porque há substantivos coletivos que repelem a concordância com o adjunto.

“Equipe” é um deles.

Fica estranho, por exemplo, “Uma equipe de médicos operaram o paciente no Hospital das Clínicas”.

É por isso que preferimos a concordância tradicional, que, além de ter melhor sonoridade,  é sempre certa: “Uma série de irregularidades foi cometida”; “Um total de 55 questões foi respondido”; “A maioria dos estudantes foi ao parque”; “Uma equipe de médicos operou o paciente no Hospital das Clínicas”.


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DEBATER SOBRE O ASSUNTO ou DEBATER O ASSUNTO?

O verbo “debater” é transitivo direto.

Debatemos alguma coisa, e não “sobre” alguma coisa. 

Assim, “Vamos debater o assunto”.
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Desafio da sexta

Agora, às sextas-feiras, um desafio da língua portuguesa como "aperitivo" de início de fim de semana.


O primeiro desafio é:


Em qual das opções abaixo todas as palavras estão grafadas corretamente?



a) Berinjela, gia, tigela.

b) Beringela, jia, tigela.
c) Berinjela, jia, tigela.



Você vai ter a resposta ainda hoje, depois das 19 horas.


Resposta do desafio
Para nós brasileiros, a opção correta é a terceira: berinjela, tigela, jia. Para os portugueses, a correta é a segunda, pois eles escrevem "beringela", com "g".
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Um caso de vírgula equivocada

O zagueiro sofreu uma fratura no menisco do joelho direito, e será operado pelo ortopedista.

Há um probleminha de pontuação na frase acima. Não existe vírgula antes da conjunção “e” que liga orações com o mesmo sujeito.


Assim, O zagueiro sofreu uma fratura no menisco do joelho direito e será operado pelo ortopedista, sem vírgula, pois “o zagueiro” tanto é o sujeito do verbo da primeira oração (sofreu) como do verbo da segunda (será).
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O verbo computar


Defectivo é o verbo que, quase sempre por questões sonoras, não tem conjugação completa, faltam-lhe algumas formas.


COMPUTAR é um desses verbos.

Não tem as três primeiras pessoas do presente do indicativo (“eu computo”, “tu computas” e “ele computa” não existem), todo o presente do subjuntivo (“eu compute”, “eles computem”, etc., não existem), bem como o imperativo negativo.

No imperativo afirmativo, só tem a segunda pessoa do plural, “computai vós”.

Nos passados e futuros, é completo: “eu computei”, “nós computávamos”, “ele computará”.
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Armadilhas de concordância

Na língua portuguesa, a maioria dos verbos fica depois do sujeito:

Eu (sujeito) canto (verbo).

As meninas (sujeito) viajaram (verbo).

Guilherme e Mariana (sujeito) chegaram (verbo).

O falante escolarizado dificilmente comete deslizes de concordância com esses verbos.


Há, porém, um pequeno grupo de verbos que quebram esse paradigma e normalmente ficam antes do sujeito.


Ei-los: “acontecer”, “bastar”, “caber”, “existir”, “faltar”, “ocorrer”, “restar” e “sobrar”.


Com eles, são freqüentes erros como Aconteceu fatos desagradáveis, Basta dois gols, Falta duas semanas para o Natal, Restou muitas dúvidas, Sobrou algumas empadas

Esses erros mostram a importância da ordem "sujeito - verbo" e como o deslocamento do sujeito confunde as pessoas a ponto de elas acharem que o sujeito é um objeto direto.

Para se livrar de erros como esses, há duas orientações.


A primeira: na hora de fazer a concordância é preciso estar ciente de que a ordem "sujeito - verbo" pode estar invertida, pode ser "verbo - sujeito".


A segunda: saber identificar o sujeito e, para isso, é só perguntar "o quê?" antes do verbo - a resposta é o sujeito.


Vejamos: queremos saber se o certo é Falta ou Faltam duas semanas para o Natal.


Perguntamos "O que falta?".

A resposta, "duas semanas para o Natal", é o sujeito.


Temos então certeza de que o certo é Faltam duas semanas para o Natal e não há risco de sermos traídos pelo deslocamento do sujeito.


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