Janeiro 2009 - Português na Rede

Desafio

Em qual das opções as palavras não apresentam erro de grafia:

a) catéter, uréter.

b) cateter, uréter.

c) cateter, ureter.


Veja a resposta aqui amanhã cedo.


Resposta do desafio

As grafias “cateter” e “ureter”, sem acento e com vogal tônica na última silaba, são as recomendadas por gramáticas e dicionários.
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Bom-dia ou bom dia?

“Bom-dia” ou “bom dia”? Muita gente se confunde com isso. Também pudera, os dicionários não ajudam, forçando-nos a fazer elucubrações linguísticas.


A chave da solução é a seguinte: quando for substantivo, significando “um cumprimento”, e em geral precedido pelo artigo “um”, escreve-se com hífen:


Gostaria de desejar-lhes um bom-dia antes de me retirar.

O mesmo vale para “boa-tarde” e “boa-noite”:


Abraçou-me com um grande sorriso de boa-tarde.
Deu-nos um boa-noite com muito carinho.


Observe: “um boa-tarde” e “um boa-noite. O artigo, neste caso, não concorda com a palavra da frente ("boa"), mas sim com toda a estrutura composta ("boa-tarde", "boa-noite").

A forma sem hífen, bom dia (boa tarde, boa noite), não é um substantivo. É o próprio ato de se cumprimentar:



Bom dia, gente.
Boa tarde, queridos alunos.
Boa noite, Brasil.
Bom dia, presidente.
Bom dia, meu amor.
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Lua de mel

Na Babilônia, há mais de 4 mil anos, era costume o pai da noiva oferecer ao genro hidromel, uma bebida fermentada à base de água e mel.


Essa bebida era consumida nos 30 dias imediatos ao casamento, quando os noivos comemoravam, só entre eles, a união matrimonial.


Na época, a contagem dos dias era feita pelo calendário lunar, razão pela qual esse período de comemoração ficou conhecido como "lua de mel".
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Plural desnecessário

É cada vez mais frequente o plural desnecessário. Esse plural é aquele que não acrescenta nada - em termos de significação, de estilo e de correção - ao texto.

A pluralização desnecessária costuma ocorrer com palavras abstratas. Palavras como "ausência", "identidade", "escalação (de jogador)", "nome", "presença", "alma", "morte" e "vida" não devem ser pluralizadas quando se referirem a mais de um proprietário.


Veja o caso da frase "É melhor todo mundo ir cuidar de suas vidas". O que diz ela? Que "todo mundo" tem mais de uma vida, pois deve cuidar de "suas vidas". Isso seria possível, crenças religiosas à parte, se fôssemos gatos, que dizem ter sete vidas. Mas, como somos humanos, "É melhor todo mundo ir cuidar de sua vida".

Outro caso: "Os nomes dos aprovados estão no jornal". Todos temos um só nome, certo? Certo. Mas não é isso que diz a frase. Ela diz literalmente que os aprovados têm vários nomes. Melhor e mais lógico seria dizer que "O nome dos aprovados está no jornal".

O plural desnecessário é frequente também com as partes do corpo que são únicas. Um exemplo: "Os sindicalistas balançaram as cabeças afirmativamente". São sindicalistas ou extraterrestres? Sim, porque, como os seres humanos só têm uma cabeça, deveria ser "Os sindicalistas balançaram a cabeça afirmativamente".

E nem as palavras que já encerram ideia de plural estão a salvo da pluralização desnecessária. Vejamos estes dois casos: "A solicitação das documentações será feita o mais breve possível"; "A rua está cheia de metralhas".

Nesses dois exemplos, as palavras "documentação" e "metralha" foram vítimas do excesso de plural. Por expressarem a idéia de "conjunto", de "grande quantidade", o singular já daria conta: "A solicitação da documentação será feita o mais breve possível"; "A rua está cheia de metralha".

Há outros casos de plural desnecessário. Mas você pode se livrar deles com facilidade: basta avaliar a real necessidade de pluralizar uma palavra, observar se o plural acrescenta alguma coisa, se faz diferença. Se não faz, esqueça o plural. Seu texto ficará mais leve, ficará melhor.
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Desafio

Considerando o acordo ortográfico, falta acento em:

a) Tabloide.
b) Ideia.

c) Destroier.


A resposta sai na manhã do sábado.


Resposta


O acordo derrubou o acento dos ditongos abertos "ei" e "oi" de algumas palavras paroxítonas, como "ideia" e "tabloide".


No entanto, "destróier", apesar de ter o ditongo aberto "oi", conservou o acento porque é paroxítona terminada em "r", como "mártir" e "repórter".
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A vírgula

A palavra "vírgula", em sua origem latina, é um diminutivo: "virga"(= vara) + "-ula" (= sufixo diminutivo). "Vírgula", portanto, significa "varinha". Essa é a razão de sua forma lembrar um pequeno ramo.

A maioria dos manuais ensina que a vírgula corresponde a uma pausa. Um olhar atento, porém, perceberá que isso não é verdade. Muitas vezes, há pausa, mas não há vírgula. Eis um exemplo: "Eu fui e voltei".

A constatação desse fato levou o saudoso Celso Luft a afirmar que "a pontuação em língua portuguesa obedece a critérios sintáticos, e não prosódicos". Ou seja, a vírgula é um recurso da escrita que serve para separar palavras, organizando-as e deixando claras suas relações sintáticas.

Concordamos com o professor Luft, pois nossa convivência com textos nos deu a certeza de que para empregar bem a vírgula é preciso saber análise sintática. Os que não sabem análise sintática tendem a se apoiar na história da pausa e erram enchendo o texto de vírgulas.

Em resumo, se você quer dominar o emprego da vírgula, aprenda primeiro análise sintática. Livre-se também da falsa ideia de que toda vírgula representa uma pausa. E o mais importante, como recomenda Celso Luft, "economize vírgulas!", pois a tendência entre os que não dominam as regras gramaticais é carregar nas vírgulas.
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A toque de caixa

Significa fazer algo com muita pressa.


"Caixa", nesse caso, se refere a "tambor".


A expressão veio de Portugal, onde havia o costume de expulsar indivíduos desajustados (bêbados, vagabundos e ladrões) a toque de caixa, isto é, batendo os tambores.
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Desafio

A frase que segue a norma culta é:

a) Ela pediu emprestadas as panelas de inox.

b) Ela pediu emprestado as panelas de inox.


Amanhã cedo você terá a resposta.


Resposta


A opção “a”, “Ela pediu emprestadas as panelas de inox”, é a correta.


Em frases como essa, o particípio concorda com a coisa que se pede emprestada.
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Servilismo linguístico

A língua pode revelar muitas coisas - inclusive o nacionalismo de um povo. Baseados nisso, podemos afirmar que o brasileiro não é nacionalista, pois, se o fosse, não haveria essa profusão de palavras estrangeiras entre nós.

Repare que não estamos com isso adotando uma postura xenófoba. De maneira alguma. Reconhecemos que as importações linguísticas são importantes para o enriquecimento do vocabulário de uma língua. Nossa crítica é contra as palavras estrangeiras desnecessárias: por que o coffee-break dos congressos e palestras se temos intervalo? Por que o off e o sale das vitrines se temos desconto e liquidação? Por que o delivery dos restaurantes se temos tele-entrega? Por que o job das agências de publicidade se temos trabalho? E os edifícios comerciais e residenciais, os parks, os towers e os residences? E nossa aversão a formas aportuguesadas? Temos vergonha de acordeom, balé, leiaute, Nova Iorque e Quioto; queremos acordeon, ballet, layout, Nova York e Kyoto!

Tudo isso reflete nossa falta de identidade como nação. Afinal se, no dizer do poeta, nossa língua é nossa pátria, estamos nesse emprego exagerado de termos estrangeiros renegando a nossa e exaltando outra - a mais rica, a mais poderosa - e, desse modo, assumindo o papel de colonizados.

E não vale dizer que a língua não é nossa, é dos portugueses, pois nos apropriamos da língua portuguesa do mesmo modo que os americanos se apropriaram do inglês. Basta ver que somos o país com o maior número de falantes da língua portuguesa e o maior irradiador - pelo teatro, cinema, televisão, música e literatura - dessa língua.


O crescimento e a afirmação de uma nação, mostra a história, passam pela valorização de sua língua. Nações fortes têm línguas fortes. Nações fracas, línguas fracas. O que queremos para o Brasil?
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QUERO UM ESPAÇO PARA MIM FALAR ou PARA EU FALAR?



Os pronomes oblíquos (me, mim, te, ti, se, si, o, a, lhe, nos, vos...) não exercem a função de sujeito.

Essa função é dos pronomes do caso reto (eu, tu, ele, nós, vós, eles).

Logo, não existe a menor possibilidade de ser "Quero um espaço para mim falar", pois dessa forma o pronome oblíquo "mim" está como sujeito de "falar", o que é, como vimos, gramaticalmente inviável.

Só pode ser "Quero um espaço para eu falar", em que "eu", um pronome do caso reto, exerce a função de sujeito de "falar".
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Desafio

A opção que está de acordo com a norma culta é:


a) Se nós nos virmos amanhã, eu deixarei o livro com você.

b) Se nós nos vermos amanhã, eu deixarei o livro com você.

c) Nenhuma das duas.

Amanhã cedo publicaremos a resposta.


Resposta


A opção correta é a letra “a”, “Se nós nos virmos amanhã, eu deixarei o livro com você”.

Ocorre que o verbo "ver" no futuro do subjuntivo, precedido de "se" ou "quando", tem a forma "vir".

Por isso, "Se eu vir meu irmão..." (e não "Se eu ver meu irmão..."), "Quando ela vir você..." (e não "Quando ela ver você..."), "Se nós virmos o texto antes..." ( e não "Se nós vermos o texto antes...").

Importante! Os derivados de "ver" conjugam-se da mesma forma: "Se eu revir...", "Quando eu previr...", "Se ela antevir..."

Exceção - "prover": "Se eu prover...", "Quando ele prover...", "Se nós provermos..."
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R$ 1,9 MILHÕES ou R$ 1,9 MILHÃO?

No caso dos números decimais, a concordância é feita da seguinte forma: a palavra que vem depois concorda com o algarismo antes da vírgula.


Veja: 1,8 metro, 3,5 metros, 1,3 quilômetro, 2,1 quilômetros, R$ 1,9 milhão, R$ 5,5 milhões.
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INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA ou AUTOMOTIVA?

Há dicionário, como o Houaiss, que diz que tanto faz, pode ser “indústria automobilística” ou “automotiva”.

Há outros, como o Aurélio e o de Sacconi, que dizem que o certo é “indústria automotiva”.

Concordamos com os dois últimos, pois “indústria automobilística” é uma péssima e desnecessária novidade trazida por Houaiss.

O fato é que o adjetivo “automobilístico” sempre se referiu à modalidade esportiva “automobilismo”. E só.

Não havendo referência ao automobilismo, o mais comum é usar “automotivo”: som automotivo, setor automotivo, indústria automotiva.



Observe, leitor, o primeiro exemplo: som automotivo.

Normalíssimo, certo?


Segundo o Houaiss, porém, pode ser “som automobilístico”.

Onde já se viu isso?!


É, nossos dicionários precisam melhorar.
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