Maio 2009 - Português na Rede

Concordância do verbo “ser”

O verbo "ser" tem uma característica muito especial: é o único na língua portuguesa que permite a concordância com o predicativo.

Essa característica nos faculta escolher entre "Tudo é flores" ou "Tudo são flores", só para ficar num exemplo clássico.

O fato é que, com o verbo "ser", não importa muito a função sintática.

É tudo uma questão de preferência, que pode ser resumida assim:

1. Sujeito coisa e predicativo coisa - a preferência é pela coisa plural: "Nossa força são as florestas".

2. Sujeito pessoa e predicativo pessoa - como no caso anterior, preferência pela forma plural: "Aqueles personagens eram um só ator"; "Um só ator eram aqueles personagens".

3. Oração formada por pessoa e coisa - independentemente da função sintática desses termos (sujeito ou predicado), o verbo concorda preferencialmente com a pessoa: "As crianças são o melhor do mundo"; "O melhor do mundo são as crianças".

4. Oração formada por pessoa e pronome pessoal - qualquer que seja a função sintática deles, a preferência é pelo pronome: "O comandante, trabalhadores do Brasil, sois vós".

5. Coisa e pronome - independentemente da função sintática, preferência pelo pronome: "A cor dessa cidade sou eu".

6. Sujeito pronome pessoal e predicativo pronome pessoal - preferência pelo pronome sujeito: "Eu sou eles amanhã"; "Eles são eu amanhã".

UM CASO ESPECIAL


Numa oração em que o sujeito está indeterminado (sem artigo, pronome ou adjetivo) e o predicativo é representado por adjetivos como "bom", "necessário" e "proibido", o verbo "ser" não varia: "Vitaminas é bom para todos"; "Comida é necessário"; "É proibido cães".

Se, porém, o sujeito estiver determinado, a concordância será normal: "A vida é boa"; "É necessária a sua ajuda"; "São proibidas pessoas estranhas".

Convém acrescentar que o adjetivo "preciso", quando abre a oração, fica no singular, estando ou não determinado o sujeito: "É preciso a participação popular"; "É preciso muitas qualidades para trabalhar naquela empresa".


» DESAFIO

Qual frase está de acordo com a norma culta?

a) Eram perto das 12 horas.

b) Era perto das 12 horas.

c) “a” e “b” estão corretas.

» RESPOSTA

Indicando horas e seguido de locuções como "perto de", "cerca de", "mais de", o verbo "ser" tanto pode concordar no singular como no plural. Portanto, "a" e "b" estão corretas.
Leia Mais ►

Malgrado ou mau grado?

Antes de tudo, é bom saber que a palavra "grado" significa "vontade".
Posto isso, vamos às diferenças.
"Malgrado", numa só palavra e com "l", significa "apesar de": "Malgrado os meus esforços, não cheguei a tempo de ver o filme".
"Mau grado", em duas palavras e com "u", significa "contra a vontade": "Respondeu às perguntas de mau grado".
Leia Mais ►

DEIXE ELE FALAR ou DEIXE-O FALAR?

Os verbos deixar, fazer, mandar, ver, escutar, ouvir e sentir regem pronome oblíquo (me,o, a, os, as), e não pronome reto (eu, ele), quando seguidos de infinitivo.

Assimile pelos exemplos:
Deixem-me mudar o País (e não Deixem eu mudar o País).
Mande-o entrar (e não Mande ele entrar).
Deixaram-me pegar apenas os meus documentos (e não Deixaram eu pegar apenas os meus documentos).
Em relação à concordância, quando o pronome é plural, o infinitivo fica no singular:
Mande-os entrar.
Se, em vez do pronome, for usado um substantivo no plural, o infinitivo poderá ficar no plural:
Deixe os rapazes falar ou Deixe os rapazes falarem.
Leia Mais ►

Inicial maiúscula ou minúscula: calcanhar de Aquiles ou calcanhar de aquiles?

Escrevem-se com inicial minúscula os nomes próprios que, empregados em sentido figurado, entram na composição de expressões hifenizadas ou não: um deus nos acuda, calcanhar de aquiles, um(a) maria vai com as outras, ao deus-dará, castanha-da-índia, canário-do-ceará.
Não havendo, porém, sentido figurado, a inicial do nome próprio é maiúscula: além-Brasil, aquém-Atlântico, anéis de Saturno, doença de Chagas, mal de Parkinson.
Leia Mais ►

A confusão dos “porques”

"Porque" junto, "por que" separado, "porquê" junto com acento, "por quê" separado com acento.

São os "porques" da língua portuguesa a confundir a cabeça de muita gente!

Agora, cá entre nós, não há motivo para tanta confusão.

O entendimento da regra dos "porques" não é nenhum bicho de sete cabeças, como veremos agora.

São cinco os tipos de "porques":

Por que - separado - significando "por que razão" - no início ou no meio de frase interrogativa com ou sem ponto de interrogação: "Por que (= por que razão) você chegou atrasado?"; "Não sei por que (= por que razão) ele reagiu daquele modo".

Por quê - separado - significando "por que razão" - no final de frase interrogativa com ou sem ponto de interrogação: "Você chegou atrasado por quê?"; "Estou certo e vou mostrar por quê".

Por que - separado - significando "pelo qual": "A crise por que (= pela qual) passa o mundo pode ser muito útil".

Porque - junto - significando "pois" ou "pelo fato de que": "Chegue cedo, porque (pois) não quero dormir tarde"; "A seleção perdeu porque (pelo fato de que) jogou mal".

Porquê - junto - significando "motivo" - precedido de artigo: "Ninguém sabe o porquê (= o motivo) da crítica".

Esses são os "porques" da língua portuguesa.

Apesar da diversidade, cremos que com o que está exposto aqui dá para você empregá-los sem grandes aperreios.

Para iniciar a prática, responda ao desafio a seguir.

» DESAFIO

Dos três “porques” abaixo, qual o correto?

a) Quero saber porque você não foi trabalhar ontem.
b) Quero saber por que você não foi trabalhar ontem.
c) Quero saber por quê você não foi trabalhar ontem.

» RESPOSTA

Letra “b” é a resposta certa. É “por que” separado e sem acento por significar “por que razão” e por não estar no fim da frase.
Leia Mais ►

A vírgula do vocativo

"Vocativo", do latim "vocativu" (e este de "vocare", "dirigir a palavra a alguém"), é o termo a que se dirige o chamado, a interpelação, a ordem.
O vocativo fica OBRIGATORIAMENTE separado dos outros termos por vírgula.
E há uma razão para essa vírgula: sem ela, o significado pode ser alterado. Veja:
- Você viu o professor Luís?
- Vou lhes contar outro caso pessoal.
- Ouça meu amigo.
Agora, essas frases com vírgula:
- Você viu o professor, Luís?
- Vou lhes contar outro caso, pessoal.
- Ouça, meu amigo.
O sentido é bem diferente, não?
Por isso, não podemos menosprezar a importância da vírgula do vocativo.
Ela é necessária, pois nos dá a certeza de estarmos comunicando aquilo que de fato queremos.
Ah, o problema é identificar o vocativo?
É muito simples: sabemos que um termo da frase é vocativo quando podemos antepor a esse termo a interjeição de vocativo "ó":
- Parabéns, (ó) Recife!

- Dá-lhe, (ó) Brasil!

- (Ó) Pedro, fecha o portão, por favor.
E mais uma informação: quando se usa a interjeição "ó", muitos costumam pôr a vírgula entre a interjeição e o nome próprio, como em "Ó, Maria, volte logo".
Essa pontuação é equivocada.
O certo é a vírgula ficar antes da interjeição e/ou depois do ser chamado:
- Volte logo, ó Maria.

- Ó Maria, volte logo.

- Volte logo, ó Maria, porque estou com pressa.
Leia Mais ►

China

É o nome do país mais populoso do mundo.

Provém de "Ts’in", dinastia que unificou esse país asiático no século 3º da nossa era.

O topônimo "China" surgiu no século 7º. 

Lá chegando, os árabes, influenciados pelo nome "Ts’in", batizaram a região de "Cin", que na boca dos comerciantes venezianos virou "Cina" e, na nossa língua e em boa parte das outras ocidentais, redundou em "China".

Convém acrescentar que o que para nós é "China", para os chineses é "Zhong Guo", literalmente "país do meio" ou "reino central", porque seus habitantes acreditavam que ele estava localizado no centro do mundo.
Leia Mais ►

Interrogativas diretas e indiretas

Nem sempre uma frase interrogativa é encerrada com o ponto de interrogação.

Entenda: há dois tipos de frases interrogativas, as diretas e as indiretas.

As interrogativas diretas se caracterizam pela entonação crescente e por começarem, quase sempre, com vocábulos interrogativos (por que, quem, onde, quantos).

Nestas o ponto de interrogação (?) é obrigatório.

Exemplos:

Por que você faltou?
Onde mora sua irmã?
Quantos filhos você tem?
Quem fez o trabalho?

As interrogativas indiretas se caracterizam pela entonação decrescente e por não começarem com vocábulos interrogativos.

Nestas não há ponto de interrogação.

Exemplos:

Eu perguntei a ele qual o motivo da falta.
Quero saber onde sua irmã mora.
Informe-nos quantos filhos você tem.
Diga quem é você.

No desafio abaixo, veremos se você assimilou este assunto.

» DESAFIO

Qual a opção corretamente pontuada?

a) Quem diria que o Brasil um dia emprestaria dinheiro ao FMI.
b) Quem diria que o Brasil um dia emprestaria dinheiro ao FMI?

» RESPOSTA

Pela entoação crescente e por começar com vocábulo interrogativo, a frase é uma interrogativa direta e, assim sendo, termina com ponto de interrogação:

Quem diria que o Brasil um dia emprestaria dinheiro ao FMI?
Leia Mais ►

Cínico

A palavra "cínico" nem sempre teve o sentido negativo que tem hoje.
Sua origem é o grego "kynos", que significa "cão".
Na Antiguidade, ela chegou até a designar uma corrente de filósofos, os cínicos, que receberam esse nome porque sua prática filosófica consistia em chocar a sociedade com a mesma intensidade com que cães ferozes mordem a vítima.
O mais famoso dos filósofos cínicos foi Diógenes, que, certa feita, ao ver um grupo de poderosos conduzindo alguns ladrões à forca, bradou: "Lá vão os ladrões grandes enforcar os pequenos".
Qualquer semelhança com a atualidade...
Leia Mais ►

JOGADOR MARROQUINO-FRANCÊS ou FRANCO-MARROQUINO?

Trata-se de uma questão da estilística, e não da gramática. 

Seguinte: na estilística existe uma regra segundo a qual os adjetivos pátrios compostos devem começar com o menor elemento e, de preferência, se houver, com a forma erudita.
Assim, pela regra, em vez de "jogador marroquino-francês", diz-se "jogador franco-marroquino".
Leia Mais ►

SAUDAR ou SALDAR?

“Saudar”, com “u”, significa “cumprimentar”: “O padre saudou os noivos”; “Eles saudaram os convidados”; “O menino saudou o autor”.
“Saldar”, com “l”, significa “liquidar dívida”: “O dinheiro das férias vai saldar aquele velho débito”; “Graças ao décimo terceiro, saldou as dívidas”; “O clube conseguiu dar um passo importante para saldar uma de suas maiores dívidas”.
Leia Mais ►

NAQUELA RUA JÁ TIVERAM ou JÁ TEVE VÁRIOS ARROMBAMENTOS?

O verbo "ter" usado com o sentido de existir é, à semelhança de "haver", impessoal, ou seja, concorda sempre no singular.
Assim sendo, "Naquela rua já teve vários arrombamentos".
P.S.: O uso de "ter" por "haver" é próprio da língua coloquial.
Leia Mais ►

Origem das palavras "gripe" e "influenza"

"Gripe" e "influenza" certamente são as palavras mais pronunciadas nos últimos dias.
A primeira veio do verbo francês "gripper", o mesmo que "agarrar", estando implícita a forma de agir do vírus nos indivíduos acometidos pela doença.
A segunda é de origem italiana e filha do latim medieval "influentia" , com o sentido de "influência da estação [inverno] sobre os homens".
Leia Mais ►

O INFLUENZA ou A INFLUENZA ?

De acordo com a ortografia oficial (leia-se Volp e dicionários), a palavra “influenza” refere-se tão somente à doença e pertence ao gênero feminino.
Se nos referimos ao vírus causador da influenza, a palavra é outra: “influenzavírus”, que é nome masculino.
Em resumo: a doença, “a influenza”; o vírus, “o influenzavírus”.
Leia Mais ►

UM MILHÃO DE PESSOAS PARTICIPOU ou PARTICIPARAM?

O leitor Luiz Carlos Barbosa, de Minas Gerais, achou estranha a concordância "1 milhão de pessoas participou da passeata" e quer saber se ela está certa.
Caro leitor, é possível sim essa concordância. E, aproveitando sua dúvida, vamos esclarecer como é a concordância do verbo com a palavra "milhão":

1. o verbo vem antes de milhão – concordância com milhão: “Sumiu R$ 1 milhão”; “Lá vive quase um milhão dos oito milhões de haitianos”; “O Ministério dos Transportes estima que pelos rios da Amazônia navegue 1 milhão de embarcações regularmente”.
2. o verbo vem depois de milhão – concordância com milhão ou com o nome que se segue a milhão: “Deste total, 1 milhão sairia das suas plantações”; “Um milhão de pessoas participou (ou participaram) do desfile do Galo”; “Um milhão celebra em Nova Iorque”.
Compare o segundo exemplo com o primeiro e o último. No segundo, o verbo pode concordar no plural porque depois de milhão há palavra no plural (“pessoas”). No primeiro e no último, o verbo só pode concordar com milhão, pois não há palavra no plural.
3. verbo de ligação – concordância com o nome que se segue a milhão, independentemente da posição do verbo: “Estão grávidas um milhão de adolescentes” ou “Um milhão de adolescentes estão grávidas”.
Veja bem, mesmo com o verbo antes, neste caso, “Estão grávidas um milhão de adolescentes”. Nunca, pelo bom senso sonoro, “Está grávido um milhão de adolescentes”.
Leia Mais ►