Junho 2009 - Português na Rede

EM QUE PESE

A locução "em que pese" tem duas possibilidades de uso:

1. Quando faz referência a coisas, o verbo "pesar" concorda com a coisa referida: "Em que pesem seus bons argumentos, mantenho meu ponto de vista".

Quando faz referência a pessoas, o verbo "pesar" rege a preposição "a" e fica invariável: "Em que pese ao árbitro incompetente, nosso time venceu fácil".
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SAIU USANDO BERMUDA JEANS ou BERMUDAS JEANS?

As duas formas estão corretas.

No entanto, no português moderno, a forma “bermuda” tem ampla preferência, ao passo que “bermudas” praticamente só é usada quando se faz referência a mais de uma bermuda, como em “Comprei duas bermudas”.

Em tempo - o topônimo é “Bermudas”, nome plural: "Passei as férias nas Bermudas".
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São-João ou São João?

Segundo a ortografia oficial, "São-João", com hífen e iniciais maiúsculas, significa o Dia de São João, a festa, o feriado: "Passei o São-João em Bezerros"; "O São-João de Caruaru é muito bom"; "Gosto muito do São-João de Campina Grande".
E "São João", sem hífen e iniciais também maiúsculas, quando significa o santo: "A festa de São João"; "O Dia de São João"; "Sou devoto de São João".
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DESPERCEBIDO x DESAPERCEBIDO

Hoje os dicionários dizem que "despercebido" e "desapercebido" são palavras sinônimas.


Mas a rigor há diferença entre elas.


DESPERCEBIDO é mais bem empregada com o sentido de "o que não é percebido": "O fato passou despercebido"; "Não passaram despercebidos os cartazes do governo"; "O ex-ministro destacou que o Brasil enfrenta a crise global com ferramentas que quase são despercebidas".


DESAPERCEBIDO é mais bem empregada com o sentido de "o que é desprovido, desprevenido": "O Ministério da Educação está desapercebido de recursos"; "O futebol está desapercebido de craques"; "Seu discurso estava desapercebido de ideias".
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Cacófatos

A palavra "cacófato", dos elementos gregos "kakós" ( = mau) e "phaton" ( = que pode ser dito ou expresso), designa a produção de um som ruim oriundo da junção da sílaba final de uma palavra com a inicial da seguinte.
Existem dois grupos de cacófatos: os que produzem formações obscenas, e os que não produzem formações obscenas.
Só os primeiros devem ser combatidos, pois se cultivarmos uma obsessiva vigilância contra todo tipo de cacófato, incorreremos no erro de censurar construções como "ela tinha", "já tinha", "uma mão", "por cada", "por tal", "pouca fé", tão comuns até entre os melhores escritores. Como bem disse Rui Barbosa, "se a ideia de ‘porta’, suscitada em ‘por tal’, irrita a ‘cacofatomania’ desses críticos, outras locuções vernáculas têm de ser, como essa, refugadas".
Há, porém, como dissemos, os cacófatos que produzem palavras obscenas e estes - por uma gama de razões, entre as quais as piadas que motivam - devem ser coibidos. Alguns deles: Cuba lançou, carioca gosta, confisca gado, marca gol, polêmica gay, por razões, triunfo da, nunca ganho, socar alho.
A lista é extensa e nosso espaço infelizmente chegou ao fim. Com o perdão do cacófato, vou-me já!
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POUSAR x POSAR

POUSAR refere-se à aterrissagem de veículos aéreos. Portanto, aviões, naves e helicópteros POUSAM.

POSAR refere-se à ação de se preparar para ter a imagem reproduzida por um pintor, escultor ou máquina fotográfica. Portanto, crianças, jovens e adultos POSAM.
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“O petista colocou que sempre quis conversar com o governador”

Os dicionários dão mais de dez acepções para o verbo “colocar” e em nenhuma delas ele aparece como sinônimo de “dizer, declarar”.
Logo, estão em desacordo com a norma culta frases como “O petista colocou que sempre quis conversar com o governador”; “O vereador colocou que a questão do destino do lixo estava sendo mal conduzida pela Prefeitura”; “Ele colocou que a greve não vai prejudicar os alunos”.
Em bom português, “dizer” e “declarar” substituem “colocar” nessas frases: “O petista disse que sempre quis conversar com o governador”; “O vereador declarou que a questão do destino do lixo estava sendo mal conduzida pela Prefeitura”; “Ele disse que a greve não vai prejudicar os alunos".
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UM EQUIPAMENTO DESSE ou DESSES É CARO?

Quando está posposto a substantivo precedido do artigo “um(a)”, em frases como a que encima esta postagem, “desse” (e formas como “deste” e “daquele”) fica no plural: “Um jogador desses deve ganhar muito bem”; “É triste um país destes depender do capital estrangeiro”; “É chato ter de fazer uma coisa dessas”; Um equipamento desses é muito caro”.
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BENÇÃO ou BÊNÇÃO?

Atualmente se escreve “bênção” (plural: bênçãos), paroxítona com acento no “e”.

Existe a forma “benção” (plural: benções), oxítona sem acento, que caiu em desuso, sendo hoje considerada um arcaísmo.
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INTERVISSEM ou INTERVIESSEM?

O verbo “intervir” deriva de “vir” e, por isso, conjuga-se à semelhança deste.
Assim sendo, é “ele interveio” porque “ele veio”; é “eu intervenho” porque “eu venho”; é “eles intervieram” porque “eles vieram”; é “se eu intervier” porque “se eu vier”; é “se eles interviessem” porque “se eles viessem”.
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RAIOS ULTRAVIOLETAS ou RAIOS ULTRAVIOLETA?

O certo é “raios ultravioleta”, sem flexão na segunda palavra.

Substantivo em função adjetiva não varia.
Por isso, “comícios monstro”, “tons pastel”, “listras vinho”, “bolas laranja”, “saias xadrez”.
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INFANTO-JUVENIL ou INFANTOJUVENIL?

Depois do acordo ortográfico, “infanto-” passou a seguir a regra dos prefixos e falsos prefixos que terminam em vogal: se o segundo elemento começa por consoante, não existe hífen. Assim sendo, atualmente se escreve “infantojuvenil”, sem hífen.

Hífen, no caso de "infanto-" e na maioria dos elementos prefixais que terminam com vogal, só quando o segundo elemento começa com "h" ou com vogal igual à que encerra o primeiro: anti-inflamatório, micro-ondas, mini-hotel.
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SEÇÃO ou SESSÃO?

SEÇÃO, que pode ser também SECÇÃO, é o departamento, a parte, o setor: seção do jornal, seção de classificados, seção eleitoral, seção de brinquedos, seção de cosméticos da loja.
SESSÃO é o tempo de duração de uma atividade: sessão da Câmara, sessão de cinema, de teatro, de música, de ginástica, de psicanálise.
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