Julho 2009 - Português na Rede

ADÉQUO ou ADEQUO?

Antigamente, o verbo "adequar" era tido como defectivo, ou seja, um verbo que não tinha conjugação completa.

Ele só era conjugado nas formas arrizotônicas, as que têm a vogal tônica fora do radical.

Por isso, não existiam as formas “adéquo" e "adequo", nem nenhuma outra em que a vogal tônica era o "e" da sílaba “de-” ou o "u" do encontro “qu”.

A história mudou.

Atualmente, "adequar" já é visto como verbo de conjugação completa, não mais defectivo.

Dicionários - como o Houaiss - o veem assim.

E registram "adéquo" e "adequo" como possíveis formas de "adequar".

Desse modo, você pode usá-las tranquilamente.

Há apenas uma particularidade a ser observada: no Brasil, é mais comum "adéquo"; em Portugal, "adequo".
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É PRECISA A PACIÊNCIA DE TODOS ou É PRECISO A PACIÊNCIA DE TODOS?

Numa oração em que o sujeito está indeterminado (sem artigo, pronome ou adjetivo) e o predicativo é representado por adjetivos como "bom", "necessário" e "proibido", o verbo "ser" não varia: "Vitaminas é bom para todos"; "Comida é necessário"; "É proibido cães".
Se, porém, o sujeito estiver determinado, a concordância será normal: "A vida é boa"; "É necessária a sua ajuda"; "São proibidas pessoas estranhas".
E no caso do adjetivo "preciso", quando ele abre a oração, fica no singular e no masculino, estando ou não determinado o sujeito: "É preciso a participação popular"; "É preciso muitas qualidades para trabalhar naquela empresa"; "É preciso a paciência de todos".
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"CERCA DE 22 PESSOAS...": QUAL É O ERRO?

“Cerca de 22 pessoas...” é uma forma equivocada, pois a locução “cerca de...” expressa arredondamento.

Isso significa que só pode ser usada com números redondos, como 10, 50, 100, 140, 300, 500, 1.020, 5.000...
Assim sendo, “Cerca de 20 pessoas estavam na fila”.
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Noções básicas de...

Eis como o dicionário Aurélio define o substantivo "noções": "Conhecimentos elementares, rudimentos".

Ou seja, a forma "noções básicas" é tão redundante quanto "subir para cima", "sair para fora", "acabamento final", "encarar de frente", "hemorragia de sangue", "países do mundo", "planos para o futuro", "regra geral", "sorriso nos lábios", "viúva do falecido", entre outros pleonasmos repetidos irrefletidamente à exaustão.
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Em Recife ou no Recife?

É obrigatório o uso do artigo antes do nome "Recife"?

Não existe na gramática nenhuma regra específica sobre esse assunto.

"Quê?!" - dirão alguns - "Mas e aquela regra que diz que todo topônimo originário de um acidente geográfico é antecedido pelo artigo definido?"

Lenda gramatical. Como dissemos, não existe - repetimos, não existe - na gramática nenhuma regra nesses termos.

Se assim fosse, diríamos "Moro na Chã Grande", pois a palavra "chã", sinônimo de planalto, designa um acidente geográfico.

Mas ninguém diz "Moro na Chã Grande", nem os moradores dessa cidade do Agreste pernambucano, nem os que defendem a obrigatoriedade do artigo masculino antes do nome Recife baseados na regra que é uma lenda.

Logo, podemos afirmar com convicção que gramaticalmente tanto faz, pode ser "em Recife" ou "no Recife".

Mas a questão não se encerra aqui, pois extrapola a gramática. Na verdade, diz mais respeito à sociolinguística, porque envolve história e tradição de um povo.

Não por acaso, as mais ardorosas defesas a favor do emprego do artigo antes do nome "Recife" foram feitas não por gramáticos, mas pela nata dos intelectuais da cidade.

Uma delas partiu do sociólogo Gilberto Freyre.

Em O Recife, sim! Recife, não!, o autor de Casa-grande & senzala afirmou categoricamente: "O recifense diz "Chegar ao Recife", "Vir para o Recife", "Sair do Recife", "Voar sobre o Recife".

O teatrólogo Waldemar de Oliveira, em Luzes da cidade, corroborou a opinião do Mestre de Apipucos de modo mais incisivo: "Isso de dizer "em Recife" é ignorância de gente do Sul, que não sabe muito de tais coisas..."

Conclusão: que as pessoas de fora digam "em Recife" é até aceitável, pois elas não conhecem nossa história e tradição.

Mas ouvir um recifense dizer "em Recife" é clara demonstração de desconhecimento ou, pior, de indiferença às coisas da terra.
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O ferrugem ou a ferrugem?

"Ferrugem" é palavra feminina.

Logo, "Todos ficaram espantados com a ferrugem no carro".
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O gerundismo de “sendo que”

Quando se fala em gerundismo, imediatamente nos vem à cabeça a clássica frase dos operadores de telemarketing: "Nós vamos estar providenciando".
No entanto, o conceito de gerundismo é mais abrangente e, grosso modo, refere-se a todo emprego desnecessário de um gerúndio.
É o que ocorre com a locução "sendo que", um "gerundismo-muleta" que pode, quase sempre, ser substituído por uma conjunção ou por um pronome relativo e até mesmo ser simplesmente omitido, de tão inútil que é em alguns casos.
O pior é que essa locução é uma verdadeira praga. No Google, por exemplo, encontramos milhares de citações com a dita-cuja. Recortamos duas para mostrar quão inútil ela é.
Em um dos textos, estava: "Ano passado o Tribunal de Justiça de São Paulo abriu concurso para 183 vagas, sendo que apenas 76 foram ocupadas".
Ficaria melhor se fosse: "Ano passado o Tribunal de Justiça de São Paulo abriu concurso para 183 vagas, das quais apenas 76 foram ocupadas".
Noutro, estava: "Duas mulheres são executadas em João Pessoa, sendo que uma delas estava grávida de sete meses".
Neste caso, melhor seria: "Duas mulheres são executadas em João Pessoa e uma delas estava grávida de sete meses".
Como podemos ver, o não uso de "sendo que", além de nos afastar do gerundismo, contribui para melhorar a redação do nosso texto.
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EMERGIR x IMERGIR

“Emergir” significa vir à tona, aparecer, sair de onde estava mergulhado: “Novos escândalos emergiram no fim de semana”; “Os mergulhadores emergiram das profundezas do oceano e encerraram as buscas”.
“Imergir” significa mergulhar, afundar, lançar-se: “Imergiu os pés na bacia com água morna”; “O submarino imergiu no mar e de lá só sairá no fim do mês”.
Como reforço, observe que emergir começa com “e” como outras palavras que indicam movimento para fora: exportar, externo, emigrar.
E que “imergir” começa com “i” como outras palavras que indicam movimento para dentro: importar, interno, imigrar.
Para finalizar, esses verbos antigamente eram considerados defectivos, pois não tinham as formas em que ao “g/j” da raiz se seguia “a” ou “o”.

Ou seja, formas como “emerjo”, “emerja”, “imerjo” e “imerja” eram tidas como erradas.

Hoje, porém, todas essas formas são aceitas e “emergir” e “imergir” são vistos como verbos de conjugação completa.
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A PÍTON ou O PÍTON?

"Píton" (ou "pitão") é uma cobra da família das serpentes.

Por ser uma cobra, as pessoas pensam que "píton" é do gênero feminino.

Estão equivocadas, pois "píton" é nome masculino.

O certo, portanto, é “o píton”: “Um píton de 4 metros de comprimento devorou um gato”.
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AFIM (DE) ou A FIM DE?

AFIM, numa só palavra, é adjetivo e significa “semelhante”, “que tem afinidade”:

Os diretores têm pensamentos afins. 

Aquele casal tem gostos afins. 

A física é uma disciplina afim da química. 

A FIM DE, locução de finalidade, equivale a “para”: 

Voltou para casa mais cedo a fim de estudar.

Os bailarinos ensaiaram bastante a fim de fazer uma grande apresentação no sábado.

Refez o texto a fim de evitar polêmicas.

"A FIM DE" também é usada na expressão "a fim de algo/ alguém": 

Ela está a fim de você.

Eu estou a fim de comer pizza.  

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MICROONDAS ou MICRO-ONDAS?

Agora, na nova ortografia, usa-se hífen quando a vogal que encerra o primeiro elemento é igual à que inicia o segundo: anti-ibérico, anti-imperialista, anti-inflacionário, anti-inflamatório, auto-observação, contra-atacar, contra-ataque, micro-ondas, micro-ônibus, micro-organismo, para-atleta, semi-internato, semi-interno, multi-instrumentista.
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Origem da palavra "sincero"

Existe mais de uma versão sobre a origem da palavra “sincero”.

A mais interessante é esta: na Roma antiga, escultores desonestos ocultavam com cera as imperfeições de suas estátuas de mármore.
Na hora, o comprador não percebia as falhas.

Mas depois de um tempo as imperfeições vinham à tona e se descobria que era uma escultura "cum cera".Sabedores dessa fraude, os escultores honestos faziam questão de ressaltar que suas estátuas eram "sine cera", ou seja, verdadeiras, autênticas, honestas.
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