Outubro 2009 - Português na Rede

A origem do nome "Honduras"

Em 1502, Cristóvão Colombo navegava em águas do atual território hondurenho quando sobreveio furiosa tempestade. 

Ante a força da natureza, Colombo e a tripulação de sua nau viram-se na iminência de um trágico fim.

E então, entre orações e desespero, a tormenta cessou, ocasião em que o navegador proferiu as seguintes palavras: "Gracias a Dios que hemos salido de esas honduras!"

Em espanhol, a palavra "hondura" significa "profundeza". E, depois da frase de Colombo, passou a nomear o país que hoje conhecemos como "Honduras".
Lenda ou não essa história, o fato é que, infelizmente, 500 anos depois da tempestade enfrentada por Colombo, o povo de Honduras ainda não conseguiu sair das profundezas em que o meteram.
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Pentaicosacampeão

O companheiro Fernando Menezes, o vovô da redação do Jornal do Commercio, nos procurou para esclarecer a seguinte questão: como se chama a equipe que conquista um campeonato 25 vezes seguidas?

A gênese da dúvida foi um leitor que, vendo que o time de remo do Sport Club do Recife havia ganho o 25º título seguido da competição estadual, procurou Fernando para saber a palavra designadora dessa conquista.
Ora, sabemos que quem conquista dois campeonatos é bicampeão; três, tricampeão; quatro, tetracampeão; cinco, pentacampeão; seis, hexacampeão; sete, heptacampeão; oito, octocampeão; nove, eneacampeão; e dez, decacampeão. Até aí é fácil.

A história se complica a partir do 11º campeonato. E há razão para isso: raramente uma equipe conquista 11, 12, 15, 20, 25 ou mais competições seguidas.

Além do mais, a maioria dessas palavras, digamos, designativas de campeões tem como base elementos de origem grega de pouquíssimo uso na língua portuguesa contemporânea.
Mas voltando à pergunta que deu origem a este comentário: como se chama aquele que conquista um campeonato 25 vezes seguidas?

"Pentaicosacampeão", palavra formada dos elementos gregos "penta", 'cinco', e "icosa", 'vinte', mais a palavra "campeão". Então comemorem, remadores do Sport, vocês são pentaicosacampeões!
E, para a conversa ficar quase completa, segue abaixo a relação dos campeões de 11 até 100 conquistas seguidas.

De hendeca a hectacampeão
11 vezes: hendecampeão ou undecacampeão
12: dodecacampeão
13: tridecacampeão
14: tetradecacampeão
15: pentadecacampeão
16: hexadecacampeão
17: heptadecacampeão
18: octodecacampeão
19: eneadecacampeão
20: icosacampeão
21: henicosacampeão
22: doicosacampeão
23: tri-icosacampeão
24: tetraicosacampeão
25: pentaicosacampeão
26: hexaicosacampeão
27: heptaicosacampeão
28: octoicosacampeão
29: eneaicosacampeão
30: triacontacampeão
40: tetracontacampeão
50: pentacontacampeão

60: hexacontacampeão

70: heptacontacampeão

80: octocontacampeão

90: nonacontacampeão

100: hectacampeão
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REGÊNCIA: REPROVAR

Saiu no jornal: “O jovem está apenas no segundo ano da faculdade de direito e já reprovou dois anos".

O verbo “reprovar” é transitivo direto.
E, na acepção de “considerar inabilitada uma pessoa”, ele tem duas construções possíveis:
1. Uma pessoa reprova outra pessoa: “O professor reprovou o aluno”.
2. Uma pessoa é reprovada (por outra): “O aluno foi reprovado pelo professor”; “O jovem está apenas no segundo ano da faculdade de direito e já foi reprovado dois anos”.
Repare que nessa acepção o “aluno” sofre a ação, e não a pratica. Por isso não pode ser “o aluno reprovou dois anos”, pois o aluno não reprova nada, ele “é reprovado”.
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Plural dos nomes próprios

Segundo a ortografia oficial, os nomes próprios estão sujeitos às mesmas regras estabelecidas para os nomes comuns.

Isso significa que nome próprio varia no plural.

Não há, portanto, razão para estranharmos plurais como "os Cavalcantis", "os Gusmões", "os Joões", "os Maias", "os Sampaios", "os Silvas", "os Pereiras", "os Rangéis", "os Vidais".

São normalíssimos todos eles, pois obedecem rigorosamente à regra.

Devemos apenas ficar atentos a algumas particularidades:

1) Se o nome termina em "s" ou "z", fica invariável: os Muniz, os Quadros, os Queirós, os Rodrigues, os Vaz. 

Exceção: os Luíses.

2) Se o nome próprio é composto, só o primeiro elemento varia: os Machados de Carvalho, as Marias do Carmo, os Pedros Paulo, os Luíses Antônio, os Pedros Camargo.

3) Se os elementos do nome composto forem ligados pela conjunção "e", ambos irão para o plural: os Andradas e Silvas, os Plácidos e Sousas, os Rosas e Silvas.

4) Se for um nome estrangeiro, o plural será indicado por um "s", mesmo que essa não seja a flexão de plural da língua de origem: os Bushs, os Collors, os Disneys, os Jacksons, os Kennedys, os Lincolns, os Suplicys.

Para concluir, é importante o registro de que a regra da boa sonoridade deve prevalecer em certos casos.

Por outras palavras, não devemos flexionar os nomes que não soam bem no plural: os Gil (e não "os Gis"), as Ester (e não "as Esteres").
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SE O RELATOR REVER SUA POSIÇÃO ou SE O RELATOR REVIR SUA POSIÇÃO?

O certo é “Se o relator revir sua posição”.
Ocorre que o verbo “rever” no futuro do subjuntivo, precedido de “se” ou “quando”, tem a forma “revir”.

Por isso, “Se eu revir meu irmão...” (e não “Se eu rever meu irmão...”); “Quando ele revir o texto...” (e não “Quando ele rever o texto...”); “Se nós revirmos o trabalho antes...” ( e não “Se nós revermos o trabalho antes...”).
Olho vivo! O verbo “ver” e seus derivados (“rever” é um deles) conjugam-se da mesma forma: “se eu vir”, “quando eu previr”, “se ela antevir”.
Exceção: “prover” (“se eu prover”, “quando ele prover”, “se nós provermos”).
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APOSENTADO VAI PAGAR JUROS MENOR ou MENORES?

“Juros” é uma forma de plural e por isso leva os determinantes – artigo, pronome e adjetivo – também ao plural. Desse modo, “Aposentado vai pagar juros menores”.
Convém acrescentar que, com a forma “juro”, a história é diferente – os determinantes ficam no singular: “Aposentado vai pagar juro menor”.
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A pronúncia de "Nobel"


"Nobel" é palavra oxítona.

A sílaba tônica é a última, "-bel".

Logo, pronuncia-se "Nobel" do mesmo modo que "papel".
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SÓCIOECONÔMICO ou SOCIOECONÔMICO?

O certo é “socioeconômico”, sem acento no primeiro “o”.
Por um motivo muito simples: nas palavras da língua portuguesa, só três sílabas são acentuáveis – última sílaba (oxítona: cajá, jiló), penúltima sílaba (paroxítona: júri, repórter) e antepenúltima sílaba (proparoxítona: rápido, translúcido).

Razão pela qual grafias como “rádiopatrulha”, “sócioeconômico” e “vídeoconferência”, com acento antes da antepenúltima sílaba, são erradas.
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Conectivos

Um texto é um encadeamento de frases.

Para que haja esse encadeamento, é preciso usar elementos de ligação chamados de "conectivos".

Em geral, os conectivos são conjunções e preposições.

Saber quando e como usar o conectivo certo é muito importante, pois a habilidade de escrever bem está relacionada a essa capacidade.
Infelizmente poucos sabem empregar corretamente os conectivos.

Por isso é comum escutarmos frases como "O jogo onde nosso time jogou bem".

Ora, "onde" é um conectivo usado exclusivamente para se referir a lugar:

A rua onde mora.

O prédio onde trabalha.

A região onde chove muito.

Se assim não for, usa-se "em que", "no qual", "na qual", como nas seguintes frases:

O jogo em que nosso time jogou bem.

No discurso em que...

O panfleto em que...

Eram dois discos nos quais...

Distribuiu memorando em que...

Uma carta na qual ...

A declaração em que...

A ideia em que...

Palavras em que...

Um filme em que..

O pensamento em que...

O pior é que, quando é para se usar "onde", empregam outro conectivo:

A empresa que eu trabalho.

Típico exemplo de frase malformulada, pois o conectivo era para ser outro.

Como há relação de lugar, em vez de "que", era para estar "onde":

A empresa onde eu trabalho.
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