Fevereiro 2010 - Português na Rede

A POLÊMICA DE TWITTAR (3): O FIM

Caros leitores, nosso debate perdeu a força porque a leitora que sugeriu o uso de "piar" no lugar de "tuitar" e "twittar" resolveu retirar os comentários dela.

Infelizmente, ela não compreendeu o espírito do meu texto e do de Yuri e, em vez de partir para o debate, salutar para o desenvolvimento das instituições, inclusive da língua portuguesa, preferiu o apagamento de suas ideias.

É triste, mas, em pleno século 21, muita gente ainda se comporta jurassicamente.
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A POLÊMICA DE "TWITTAR" (2) - RESPOSTA A JUSSARA E A YURI

Caros leitores, eis minha opinião a respeito do que pensam Jussara e Yuri.


Jussara, que defende o uso de"piar", parte da premissa de que “twitter” em inglês significa “chilrear”, “piar”.

Jussara estaria certa se a referência primeira de “twittar” fosse o verbo inglês “to twitter”.

Mas não é.

A referência desse neoverbo é o nome próprio Twitter, o microblog que é o mais recente fenômeno da internet.

Tanto que muitos twitteiros nem sabem o significado da palavra “twitter”.

O que prova que o twittar que está sendo usado se associa mais à ideia de “pequeno texto publicado no Twitter”, e não a “piar”.

Yuri, que é defensor de "tuitar", tem razão ao considerar anormal a forma "twittar".

Ocorre, amigo Yuri, que a língua é grávida de aberrações.

O plural "gols", as palavras "déficit" e "superávit" e os hibridismos "camelódromo" e "sambódromo" servem-nos como exemplos dessas aberrações.

Assim, por mais anormal que seja, "twittar" é uma forma abonada pela ortografia oficial, e isso é relevante.

Ademais, existe a vontade do povo.

Sabemos que, para muitos, a voz do povo não é vox dei (voz de Deus), e sim vox humbug (voz da tapeação).

Mas em língua, os fatos provam, é a vontade do povo que prevalece.

E tudo indica que o povo já escolheu "twittar", como mostra o Google, que dá cerca de 1.200.000 para "twittar", quase dez vezes mais que "tuitar".

Encerro o "debate" aqui.

Agora é com o leitor que quiser opinar.
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A POLÊMICA DE "TWITTAR"

Alguns leitores opinaram acerca da postagem "tuitar ou twittar?".

Um deles foi a tradutora Jussara Simões, que defende uma postura mais nacionalista: para ela, nem "tuitar", nem "twittar", o negócio é "piar".

Para saber com mais profundidade a opinião de Jussara, sugiro a leitura dos comentários sobre "tuitar ou twittar?".

Foi o que fez o dileto amigo Yuri Brandão, professor e jornalista dos bons, que acompanhou todo o meu diálogo com Jussara e enviou a seguinte missiva eletrônica:

Por que piar com o verbo "twittar/tuitar"?

Amigo Lutibergue:

Desde a censura política que meu blogue de Português e Sociopolítica sofreu por estas terras das estradas perdidas – que sempre levam a lugar nenhum –, reservei-me às leituras e às mensagens trocadas apenas com meia dúzia de seletos amigos e interlocutores do miolo "duro".

Tu já sabes dessa prosa, às vezes com mais ou com menos poesia. Também já estás ciente de que, no início de março, volto à labuta (como jornalista-articulista, é claro; a docência e a revisão e tradução de textos se mantiveram incólumes).

Minha nova página ficará hospedada no alagoano portal de notícias Cada Minuto, cujo leiaute e linha editorial vão aprimorar-se, e estreio como articulista no cenário nacional: o Mídia Sem Máscara, do mestre Olavo de Carvalho, abriu-se profissionalmente – para o "piar" de muitos – a esta jovem "alma impura"; talvez eu assine, ainda, uma coluna de Português (a Sociopolítica fica de fora) no nacional Vírgula.

As coisas caminham assim, meu querido; esta mensagem tem, no entanto, um propósito bem definido: comentar brevemente o debate entre tu e a leitora Jussara Simões (JPS).

Como o e-mail (ou devo, in casu – Latim pode? –, recusar o Inglês e empregar "endereço eletrônico"?) dela não está disponível nos blogues que assina, resolvi excepcionalmente te pedir um espaço no Português na Rede para dois dedos de "pio", hehe.

A ousada leitora (e isso é bom, porque a ousadia dela me parece salutar, descolada daquele coitadismo típico de muitas pessoas) sustenta que "piar" deve ter primazia em relação a "twittar"; ou melhor, primazia não: exclusividade!

Já tu, Lutibergue, preferes seguir, em língua, aquilo que em princípio representa a maioria.

Desde já eu pio contra o verbo "piar", se este se atrever a designar a emissão de opiniões no microblogue (os que rejeitam tanto a forma inglesa quanto essa minha optarão por, sei lá, "diário", ou "diário em rede", ou "diário virtual"?) Twitter.

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Antes de expor o motivo básico de meu posicionamento, faço uma sucinta (e necessária) digressão, assim como faria, no caso, meu mestre gaúcho Cláudio Moreno.

Particularmente, na esmagadora maioria das vezes, uso o vocábulo "sítio" em vez do inglês site. Isso não se deve, porém, à repulsa injustificada e injustificável que geralmete as pessoas têm ao Inglês; deve-se tão somente ao fato de que, em regra (eu disse "em regra"), as formas estrangeiras – chamadas, com aquele ar preconceituoso dos puristas fascistas, de "estrangeirismos" – vêm para preencher uma lacuna, e não substituir um uso vernacular já consagrado.

"Sítio" não encontra muita guarida entre nós, é verdade, mas entre os portugueses é corrente, e correto; sendo forma portuguesa, merece uso também aqui no Brasil, mas isso não nos permite levantar o dedo acusador e demonizar o popularíssimo e consagradíssimo site — ou os puristas da linguagem, assemelhados demais aos puristas raciais e, logo, preconceituosos, não lançam mão de internet ou marketing, por exemplo?

Nesse sentido, desprezam absolutamente "performance", já em nossos dicionários há tempo, em favor de "desempenho"? Conseguem grafar "portfólio", com estrutura do Inglês e acento característico da ortografia do Português, mas registrado em nossos dicionários? Não piam sobre o "t" isolado? Ou recorrem mesmo ao inglês portfolio (sempre em itálico, já que vocábulo de outra língua)? Ou legitimamente aportuguesam, antes dos dicionaristas, e grafam "portifólio" (forma que uso, e com o danado do "i", para desmanchar aquele encontro consonantal inexistente em nossa fonologia)?

E podem fazer isso, pois as regras de acentuação e ortografia são de superestrutura, tal qual a Constituição que rege um país, por exemplo. No nível estrutural, mais profundo, estão as disposições sintáticas e morfológicas (de qualquer língua); aí a "brincadeira" se torna bem mais séria...

Não bastasse, e para ficar apenas em um exemplo, essa gente totalitária – que de tão arrogante nos supõe seus aprendizes – prefere "etilômetro" a "bafômetro", mesmo este sendo infinitamente mais expressivo e igualmente adequado. Por que a preferência? Porque demonizam, também, os hibridismos, como a refutar, no fundo, a mestiçagem e fazer imperar sua suposta e pretensiosa pureza de raça. Só ingênuos não identificam a pureza linguística com a racial. Na impossibilidade desta, os valentes avançam para a área da linguagem, revelando antes do preconceito a própria ignorância.

Augusto Comte que o diga — coitado do vocábulo "sociologia"!

Quanto ao temível Inglês – para encerrar esta já longa digressão, pois não quero ser acusado de estelionatário do tempo (eu disse que seria breve) –, seu abundante uso não tem nada a ver (ou, vá lá, tem muito menos a ver) com a superioridade econômica e militar dos EUA ou mesmo com o complexo de vira-lata dos brasileiros (Nelson Rodrigues); ele se tornou a língua universal, e isso cresce ainda mais, devido ao menor número de flexões, ao número de verbos com menos formas, à não dependência de muitas informações acerca do gênero das palavras e por aí vai.

Não preciso lembrar que se trata de um idioma que importou muitas palavras, não é mesmo? Seria por isso subserviente? Sei que o argumento da leitora Jussara reside no uso desnecessário de uma forma estrangeira, e concordo com a essência disso, que não se aplica ao tal do "twittar", todavia.

Ademais, por que, então, nossos dicionários consignam on-line (ou online), performance...? A birra é só com o Inglês! E é ideológica, não verdadeira e tecnicamente linguística. Ou os puristas não usam "detalhe", porque vocábulo francês na origem? Preferem exclusivamente "pormenor", que nasceu entre nós, da locução "por menor"?

Paciência!

"Ah, mas mesmo assim isso não justifica utilizar site", alguém pode dizer, naquela histeria nacionalista (ufanista até) que só vai até à esquina. E eu concordarei, mas observando isto: (1) a forma inglesa está consagradíssima pelo uso; (2) podemos traduzi-la para o Português, o que nos dará, e já dá, o vocábulo "sítio"; e (3) podemos adaptá-la à nossa ortografia e fonologia, gerando o aprazível "saite" — que mantém, obviamente, a pronúncia, e não a grafia, do idioma originário, assim como ocorreu com black-out e bureau, respectivamente "blecaute" e "birô".

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Digressão encerrada, embora haja ainda muito pio a dar.

"Twittar", à semelhança de "portfólio", é de uma aberração ululante: conserva a estrutura do Inglês e reveste-se de uma aparência portuguesa, sem encontrar abrigo total em nosso sistema ortográfico, entretanto — o "tt" denuncia bem isso.

Então vamos adaptar ("traduzir" é outra coisa): "tuitar"; se quiserem, deixem o "w" no lugar do "u".

Por que não "piar", afinal de contas? Tudo bem que uma das traduções – não a única – de tweet é mesmo "piar", mas teremos honestamente de admitir que a solução caseira se mostra um tanto pejorativa.

Quando esse verbo assume um de seus significados – o de emitir opinião ou protesto –, a carga negativa está ali marcando presença: "Não pie sobre o assunto, você não entende nada"; "Muitos podem não gostar deste texto, mas ainda assim eu vou dar pio sobre o verbo piar"; "Não gosto de jogar com quem fica piando o tempo todo"; e assim avante.

Os exemplos são meus; podem pesquisar, contudo, aqueles que os dicionários registram quando "piar" significa "emitir opinião ou protesto" (aliás, a noção de "protesto" já traz em si uma oposição, uma reclamação, uma postura negativa em relação a algo ou alguém).

Minha relutância em empregar "piar" nesse sentido e contexto, prezada Jussara, não se deve à subserviência ao Inglês – ou a qualquer outra língua –, mas antes ao fato de eu não enxergar nesse verbo a fidedignidade semântica que as palavras devem ter com o recorte da realidade que representam.

Por todo o exposto, convido-a gentil e honestamente a estas reflexões, e também à seguinte: em língua, quanto mais liberdade e espírito democrático, melhor!

Isso não significa abonar sempre as formas linguísticas da crace trabaiadora ou do "estrangeiro invasor" — significa, em verdade, que o complexo de vira-lata não deve ser às avessas, subordinando-nos a alguns de nossos próprios preconceitos e pré-conceitos sem pé nem cabeça.

Por ora é isso. Abraço.

Yuri Brandão/Maceió
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ESTADOS: COM ou SEM ARTIGO?

São dez os Estados brasileiros cujo nome rejeita artigo.

Ei-los: Alagoas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe.

Todos os demais aceitam artigo: o Acre, o Amazonas, a Bahia, a Paraíba, o Paraná, o Rio Grande do Norte, o Rio Grande do Sul, o Tocantins...
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TUITAR ou TWITTAR?

“Twitter”, o microblog mais popular do mundo, é um nome próprio estrangeiro.

Por ser nome próprio estrangeiro, se enquadra na regra da nova ortografia que manda escrever com “k”, “w” e “y” a palavra derivada de um nome próprio estrangeiro escrito com essas letras.

É por isso que se escreve, por exemplo, “darwinismo” (de Darwin), “kardecista” (de Kardec) e wagneriano (de Wagner).

E pelo mesmo motivo deve ser “twittar”, com o “w” e os dois “t” do nome de origem.

Olho vivo! Não existe acento no “i” do verbo “twittar”, mesmo em formas conjugadas, pois a regra não prevê acento no “i” que forma hiato com a vogal “w” (o “w” quando tem som de u é classificado como vogal).

Portanto, eu twitto, ele twitta, que ele twitte...

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ONDE x AONDE

“Onde” se usa com verbos estáticos, ou seja, os que regem a preposição "em".

Por isso, “Onde você estuda?”, porque “estudar” é verbo estático (não dá ideia de movimento) e estudamos em algum lugar.

“Aonde” se usa com verbos de movimento, ou seja, os que regem a preposição “a”.

Assim, “Aonde você quer chegar?”, pois “chegar” é verbo de movimento e chegamos a algum lugar.
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CAIXA D’ÁGUA ou CAIXA-D’ÁGUA?

Escrevem-se com hífen os nomes compostos entre cujos elementos há apóstrofo, como cobra-d’água, mestre-d’armas, mãe-d’água, espelho-d’água e caixa-d’água.
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