Abril 2010 - Português na Rede

Tuitar x twittar: o retorno

Volto a falar de "tuitar" e "twittar".

Confesso que não era minha intenção, mas tenho de repisar o assunto porque fui citado na coluna "O prazer das palavras" de 24 de abril, publicada no jornal Zero Hora, de Porto Alegre.

O responsável pela coluna, o ínclito professor Cláudio Moreno, é defensor da forma "tuitar" e sabe que um certo professor pernambucano prefere "twittar".

Quem acompanha esta coluna e o blog Português na Rede (www.portuguesnarede.com) sabe minha opinião a respeito de "tuitar" e "twittar".

Optei pela segunda por entender que deriva de um nome próprio estrangeiro e, por isso, se enquadra na regra que manda conservar o "k", o "w" e o "y" na palavra originada de um nome próprio estrangeiro que contém essas letras.

O professor Moreno tem opinião diversa da minha e cita como exemplo palavras que teriam sofrido o mesmo processo de adaptação, entre as quais "ioiô" (de Yo-yo) e "teletipo" (de Teletype).

É muito boa a argumentação do professor Moreno e eu até concordaria com ela se houvesse um afastamento da forma "tuitar", defendida por ele, do nome registrado que deu origem a ela.

Como ocorreu com "ioiô", com "teletipo" e com "gilete", que se afastaram da marca.

Se, por exemplo, o "tuitar" do professor Moreno passasse a ser qualquer minimensagem trocada entre pessoas, como na seguinte situação: "Na sala de aula, a professora repreende duas alunas por trocarem bilhetinhos: ‘Meninas, parem de tuitar!’"

Entendeu, leitor? "Tuitar" neste caso já teria adquirido outro sentido e se afastado da marca comercial.

Mas por enquanto isso não aconteceu e "twittar" está sendo tão somente associado à ideia de "pequeno texto publicado no Twitter".

Mas, a bem da verdade, apesar de toda essa teoria, a minha opinião e a do professor Moreno valem muito pouco neste caso.

O surgimento de "tuitar/ twittar" é recente, está em marcha e o povo ainda está decidindo a forma que ficará.

Somente daqui a alguns anos, quando a palavra estiver completamente incorporada ao léxico, saberemos qual foi a escolhida.

Publicado na coluna "Com todas as letras", Jornal do Commercio, em 28/4/2010.
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As palavras não têm sexo

O Jornal do Commercio publicou uma excelente série de reportagens sobre a difícil situação dos travestis em nossa sociedade.

Participei da edição/revisão da série e, em determinado momento, me perguntaram qual era o gênero da palavra "travesti".

Expliquei que "travesti" podia ser nome masculino ou feminino dependendo da pessoa a que se referisse.

Se fosse um homem travestido de mulher, seria "o travesti"; se fosse uma mulher travestida de homem, "a travesti".

À informação acrescentei o fato de a palavra "travesti" ser um particípio de origem francesa, o mesmo que "travestido".

E por essa razão a concordância lógica seria "o travesti Fulana", "o travesti Beltrana", "o travesti Sicrana", equivalentes a "o (homem) travestido de Fulana", "o (homem) travestido de Beltrana", "o (homem) travestido de Sicrana".


Posto isso, fui informado de que na série sairia "a travesti Fulana", "a travesti Beltrana", "a travesti Sicrana", pois o movimento dos transgêneros faz questão do uso do artigo feminino antes da palavra "travesti" quando ela se refere a uma pessoa nascida homem que se veste de mulher.

Entendi as razões do jornal, órgão democrático que é, mas até hoje não entendi as dos travestis.

Para mim, essa história de "a travesti Fulana" não passa de uma idiossincrasia sem nenhum embasamento linguístico.

O que o pessoal do movimento dos transgêneros precisa saber é que as palavras não têm sexo, e sim gênero.

"Cônjuge", por exemplo, é masculina, até mesmo quando se refere a uma mulher, como em "O prefeito presenteou seu cônjuge com um lindo par de brincos".


Portanto, não existe nenhuma atitude discriminatória em "o travesti Fulana", mas apenas um uso forçado pela lógica, pois, como dissemos, "Fulana" é um ser nascido homem e está travesti(do) de mulher.

Se existe algum problema, é com o uso da palavra "travesti”, que deixa explícito o fato de alguém estar vestido com uma roupa que não caracteriza seu sexo de nascença.


O resumo da história: quando nos referimos a uma pessoa nascida homem que se veste de mulher, o lógico é dizer "o travesti Fulana" e, se for uma mulher que se veste de homem, "a travesti Fulano".
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DILMA DESEJA SUCEDER O PRESIDENTE LULA ou DILMA DESEJA SUCEDER AO PRESIDENTE LULA?

Na língua culta, o verbo “suceder” não rege objeto direto: uma pessoa ou coisa sempre sucede a outra.

Portanto, "Dilma deseja suceder ao presidente Lula".

Olho vivo! Como “suceder” não rege objeto direto, não existe a forma “sucedê-lo”, mas sim “suceder-lhe”: “Preferida de Lula para lhe suceder, Dilma Rousseff virou alvo da oposição”.
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OBRIGADO ou OBRIGADA?

Homem diz “obrigado”; mulher, “obrigada”.

Seguem a mesma lógica outras formas de agradecimento, como “grato” e “agradecido”.

Um homem, portanto, diz “grato” ou “agradecido”; uma mulher, “grata” ou “agradecida”.

P.S.: Não seja contaminado pelo comodismo fonético que leva muitos a dizer "brigado".

A palavra é "obrigado", com "o" no início.

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GALÁTICO ou GALÁCTICO?

O adjetivo relativo à nossa Galáxia ou a qualquer outra é “galáctico”, com “c” no meio da palavra.

“Galático”, sem “c” no meio, refere-se à Galácia, uma antiga província romana que ocupava a parte central da Ásia Menor.
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PERCA ou PERDA?

"Perca" é forma do verbo "perder": 

Deus, não permita que eu perca a esperança!

E “perda” é substantivo, vindo geralmente acompanhado de artigo (antes) ou da preposição “de” (depois) ou de adjetivo (antes ou depois): 

A perda da memória tem relação com o estresse.

Estudar não é perda de tempo. 

O veículo teve perda total.
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Mesmo x igual

Muitos usam "mesmo" por "igual", e vice-versa, mas não é bem assim.


Vejamos isso de uma maneira prática: Pedro conheceu Paula em abril do ano passado e desde então começou a namorá-la.


Um ano depois, Pedro continua namorando Paula, ou seja, Pedro está namorando a mesma garota.


Enquanto isso, o vizinho de Pedro comprou um carro novo.


Pedro gostou muito do modelo e está pensando em comprar um carro igual.


Entendeu a diferença?


"Mesmo" refere-se a um único ser/coisa, enquanto "igual" refere-se a um ser/coisa que guarda muitas semelhanças com outro.
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Entendendo a acentuação

A escola nos ensina, bem ou mal, as regras de acentuação.

A escola, porém, deixa de nos ensinar o mais importante: os critérios que levaram à formulação dessas regras.

Nosso sistema de acentuação foi planejado para que se acentuasse o menor número possível de palavras.

Por isso, o primeiro critério é a raridade de determinado grupo de palavras.

As proparoxítonas, por exemplo, são as palavras menos numerosas da língua portuguesa.

Por serem as mais raras, todas elas são acentuadas.

Esse mesmo critério valeu para as paroxítonas: as menos numerosas, as terminadas em -l, -n, -r, -x, -i(s), -u(s), -um, -uns, -ã(s), -ão(s), -ps, são acentuadas.

O segundo critério é o de relação binária entre as paroxítonas e as oxítonas. Ele funciona da seguinte forma: se uma palavra paroxítona com determinada terminação for acentuada, uma palavra oxítona com a mesma terminação não será.

É por isso que “fácil”, paroxítona terminada em “l”, é acentuada, mas “Brasil”, oxítona terminada em “l”, não é.

Vemos, desse modo, como é simples o entendimento dos acentos nas palavras portuguesas.

Infelizmente, toda essa relevante informação é muito pouco explorada na hora de ensinar as regras de acentuação.
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Páscoa

Deriva do hebraico "pessach", o mesmo que "passagem", numa referência à libertação do povo judeu do cativeiro no Egito.

Entre os cristãos, a Páscoa comemora a ressurreição de Cristo, a sua passagem da morte para a vida no céu.

Os adjetivos relativos à palavra são "pascal" e "pascoal".

E a todos, feliz Páscoa!

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