Junho 2010 - Português na Rede

Qual o plural de “gol”?

Este é um assunto polêmico.

Mas podemos dizer que oficialmente a palavra “gol” tem três plurais: “gois" (com “o” fechado), “goles” (com “o” também fechado) e “gols”.

Oficialmente porque é isso que diz a Comissão de Filologia da Academia Brasileira de Letras (ABL), responsável pela elaboração do dicionário da ABL e do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

Desses três plurais, indiscutivelmente o mais popular é “gols”, que também é o mais anormal, pois não existe na língua portuguesa nenhuma palavra terminada em “-ls” no plural.

Mas mesmo “gois" foge do padrão, porque as palavras
com  “-l” no fim têm vogal aberta, tanto no singular como no plural:

anzol = anzóis
aval = avais
cal = cais
farol = faróis
sol = sóis
fel = féis
mel = méis

E “goles” também não se enquadra no paradigma, pois contamos nos dedos as palavras que seguem esse modelo:

aval = avales
cal = cales
cônsul = cônsules
fel = feles
mal = males
mel = meles

Enfim, o melhor mesmo é respeitar a vontade do povo, soberana também em assuntos linguísticos: aceitemos o plural “gols”!

P.S.: Em Portugal, usa-se "golo" no singular, cujo plural é "golos".
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A pronúncia de “hexacampeão”

O Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras diz que a palavra “hexacampeão” tem duas pronúncias: /hezacampeão/ e /heksacampeão/.

A mais lógica sem dúvida é a primeira, pois, nas palavras iniciadas por “e” ou por “h”, o “x” que fica entre “e-” e outra vogal tem som de “z”: exame, exato, exímio, exumar, hexágono.

No entanto, a pronúncia /heksacampeão/ é hoje, graças a uma forcinha da imprensa, disparadamente a mais ouvida.
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O mascote ou a mascote?

Aurélio, Houaiss e o Vocabulário da ABL dizem que "mascote" é substantivo feminino.

A forma preferível, portanto, é "a mascote".

Há, porém, uma forte tendência, em razão do uso,  para se aceitar o masculino.

Tanto que o dicionário Caldas Aulete já traz "mascote" como nome de dois gêneros, ou seja, para este dicionário pode ser "o mascote" ou "a mascote".
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O país do bolapé

Imagine se, em vez de “país do futebol”, o Brasil fosse chamado de “o país do bolapé”.


Ou se fôssemos pentacampeões de “balípodo”.


Ou se a competição que mobiliza nosso país de quatro em quatro anos fosse a “Copa do Mundo de Ludopédio”.


O que acha?


Não está entendendo?


Eu explico: bolapé, balípodo e ludopédio foram três propostas de nacionalização do inglês football, que, por motivos que vão desde a sonoridade ruim até a falta de bom gosto, não pegaram.


Preferimos dar uma roupagem vernácula à inglesa football, grafando-a futebol, de acordo com os moldes da nossa ortografia.


Mais uma prova de que em língua não adiantam decretos nem invenções de gente como o filólogo Castro Neves, criador de balípodo, e como o poeta Fernando Pessoa, pai de bolapé.
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A seleção canarinho

Depois da perda do Mundial de 1950, tendo como cenário um Maracanã ocupado por 200 mil pessoas, a CBD, atual CBF, decidiu mudar as cores da seleção brasileira de futebol, que até então vestia branco.

Um concurso foi promovido para a escolha do novo uniforme e o vencedor foi o gaúcho Aldyr Garcia Schlee. A partir de então, o selecionado brasileiro vestiria camisa amarelo-canário com detalhes verdes e calção azul.

A nova camisa inspirou o radialista Geraldo José de Almeida a criar, na Copa de 1954, o termo “seleção canarinho”.

O nome pegou e hoje é uma espécie de apelido oficial da seleção cinco vezes campeã do mundo.

Em relação às questões gramaticais, observe o seguinte -“canarinho” terá inicial maiúscula quando for substantivo: “A Canarinho estreia contra a Coreia do Norte”.

Como adjetivo, tem a inicial minúscula e é sempre masculino, varia apenas no plural: camisas canarinhos, jogadores canarinhos, seleção canarinho.
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Uma lei, duas leituras

O presidente Lula sancionou na semana passada o Projeto Ficha Limpa e agora é lei: político com ficha suja não pode disputar eleição.

Antes da aprovação, muita polêmica marcou o projeto.

Uma, em especial, chamou a nossa atenção.

A primeira redação do Ficha Limpa dizia que eram inelegíveis para qualquer cargo “os que tenham sido condenados”.

Alteraram o texto e, no lugar de “os que tenham sido condenados”, ficou “os que forem condenados”.

Os mais atentos viram nisso uma manobra, pois entenderam que, pelo primeiro texto, com o verbo no passado, estavam impedidos de disputar eleições todos os políticos condenados, até mesmo os que o foram antes da vigência da lei.

Pela segunda redação, a história seria outra: com o verbo no futuro, estariam impedidos apenas os condenados após a promulgação da lgi.

Estarão certos os que pensam assim?

Em parte.

De fato “os que forem condenados” é futuro.

Mas isso é só uma das interpretações.

Há outra: “for” é verbo de ligação e “condenado”, além de particípio de verbo, é adjetivo.

Logo, “os que forem condenados” pode também ter o sentido de “os que forem políticos condenados”.

É muito válida a segunda interpretação, principalmente porque a estrutura do texto não remete ao futuro condicional.

Este é o caso de “Se ele for condenado, não assistirá ao casamento da filha”, em que a conjunção “se” deixa clara a ideia de condição futura.

É bem diferente de “Sigam-me os que forem honestos!”

O verbo está no futuro, mas a relação da frase é predicativa, ou seja, “forem” está ligando o sujeito a um atributo deste.

Por outras palavras, vão me seguir os indivíduos que são honestos agora, e não os que virão a ser.

A mesma relação predicativa pode ser vista na polêmica frase do Ficha Limpa.

Conclusão: é muito simplismo dizer que “os que forem condenados” é futuro.

É melhor dizer que a frase tem duplo sentido.

E se o legislador quiser, baseado em um desses sentidos, ele pode sim proibir a candidatura de todos os políticos com ficha suja.

Publicado na coluna "Com todas as letras", Jornal do Commercio do Recife, em 9/6/2010.
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A origem de "cosmético"

A palavra "cosmético" provém de "cosmos".


De imediato, não vemos vínculo entre essas palavras.


Começa a clarear quando sabemos que em "cosmos" existe a ideia de arrumação, de ordem do universo.


E o que faz um cosmético?


Arruma, põe ordem no rosto da mulher.
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Rápidamente ou rapidamente?

Os advérbios terminados em “-mente” não conservam o acento do adjetivo do qual eles derivam:

fácil - facilmente;

histórico - historicamente;

rápido - rapidamente.
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