Setembro 2010 - Português na Rede

A CABO ELEITORAL MARIA ou O CABO ELEITORAL MARIA?

"Cabo" é substantivo masculino.

Logo, pela norma-padrão, é "o cabo eleitoral Maria".

Observe que se escreve “cabo eleitoral”, sem hífen.
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Sessão ou seção eleitoral?

Domingo é dia de pegar o título de eleitor – e, este ano, também um documento de identificação com foto – e de se dirigir à seção eleitoral. Ou será sessão eleitoral? Ou cessão?


As palavras parônimas, parecidas na grafia e na pronúncia e diferentes no significado, são um estorvo na hora de escrever.


O trio “cessão”, “sessão” e “seção”, por exemplo, costuma levar muitos ao erro.


Se você não quer ser a próxima vítima, concentre-se na explicação a seguir.


“Cessão” é o ato de ceder: “A cessão do imóvel está cancelada”.


“Sessão” é o tempo de duração de um evento: sessão da Câmara, sessão de cinema, de teatro, de música, de ginástica.


“Seção”, que pode ser também “secção”, é o departamento, a fração, a repartição, o setor: seção do jornal, seção da loja, seção de brinquedos, seção eleitoral.


Como a maior confusão é com “sessão” e “seção”, reforçamos a diferença entre elas com a seguinte dica: “sessão” tem a ver com tempo, tem hora para começar e hora para terminar; “seção” tem a ver com espaço, não tem hora para começar nem para terminar.


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Crase: Lula acredita que vai passar a faixa À ou A dona Dilma?

Não há crase antes da palavra “dona”.


Portanto, "Lula acredita que vai passar a faixa a dona Dilma".


Olho vivo!


Se “dona” estiver particularizada, haverá crase: “Ele não se referiu à dona Maria do supermercado da esquina, mas sim à dona Maria da farmácia do bairro".


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TODA CIDADE x TODA A CIDADE

A gramática diz que “todo” sem artigo significa “qualquer”, “cada”; e  com artigo significa “inteiro”.

Ou seja, “toda cidade” quer dizer “qualquer cidade”.

E “toda a cidade” significa “a cidade inteira”.

Moral da história: o artigo faz muita diferença no caso de "todo".


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Resposta do desafio

A pergunta 

A concordância está correta em:

a) Um e outro cidadão conscientes protestaram.

b) Um e outro cidadãos conscientes protestou.

c) Um e outro cidadão consciente protestou.


 A resposta 

A concordância com a expressão “um e outro” é feita assim: substantivo no singular, adjetivo no plural e o verbo fica facultativamente no singular ou no plural.

A opção correta é, pois, a letra “a”: “Um e outro cidadão conscientes protestaram”. 


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Desafio: concordância verbal e nominal

A concordância está correta em:

a) Um e outro cidadão conscientes protestaram.

b) Um e outro cidadãos conscientes protestou.

c) Um e outro cidadão consciente protestou.

Esta é a resposta.


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A importância da vírgula

Este vídeo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) mostra com muita competência a importância da vírgula.
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Excesso de plural

É cada vez mais frequente o plural desnecessário.

Esse plural é aquele que não acrescenta nada – em termos de significação, de estilo e de correção – ao texto.

A pluralização desnecessária costuma ocorrer com palavras abstratas.

Palavras como “ausência”, “identidade”, “escalação (de jogador)”, “nome”, “presença”, “alma”, “morte” e “vida” não devem ser pluralizadas quando se referirem a mais de um sujeito.

Veja o caso da frase “É melhor irmos cuidar de nossas vidas”.

O que diz ela?

Que temos mais de uma vida, pois devemos cuidar de “nossas vidas”.

Isso seria possível, crenças religiosas à parte, se fôssemos gatos, que dizem ter sete vidas.

Mas, como somos humanos, “É melhor irmos cuidar de nossa vida”.

Outro caso: “Os nomes dos aprovados estão no jornal”.

Todos temos um só nome, certo?

Certo.

Mas não é isso que diz a frase.

Ela diz literalmente que os aprovados têm vários nomes.

Melhor e mais lógico seria dizer que “O nome dos aprovados está no jornal”.

O plural desnecessário é frequente também com as partes do corpo que são únicas.

Um exemplo: “Os sindicalistas balançaram as cabeças afirmativamente”.

São sindicalistas ou extraterrestres?

Sim, porque, como os seres humanos só têm uma cabeça, deveria ser “Os sindicalistas balançaram a cabeça afirmativamente”.

E nem as palavras que já encerram ideia de plural estão ficando livres da pluralização desnecessária.

Vejamos estes dois casos: “A solicitação das documentações será feita o mais breve possível”; “A rua está cheia de metralhas”.

Nesses dois exemplos, as palavras “documentação” e “metralha” foram vítimas do excesso de plural.

Por expressarem a ideia de “conjunto”, de “grande quantidade”, o singular já daria conta: “A solicitação da documentação será feita o mais breve possível”; “A rua está cheia de metralha”.

Há outros casos de plural desnecessário.

Mas você pode se livrar deles com facilidade: basta avaliar a real necessidade de pluralizar uma palavra, observar se o plural acrescenta alguma coisa, se faz diferença.

Se não faz, esqueça o plural.

Seu texto ficará mais leve, ficará melhor.


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AR CONDICIONADO ou AR-CONDICIONADO?

"Ar condicionado" sem hífen é o ar: "O ar condicionado é ruim para quem sofre de sinusite"; "No Nordeste brasileiro, o aparelho de ar condicionado é essencial".

Neste caso é possível a interposição da palavra "tipo": "O ar [tipo] condicionado é ruim para quem sofre de sinusite"; "No Nordeste brasileiro, o aparelho de ar [tipo] condicionado é essencial".

"Ar-condicionado", com hífen, é o aparelho: "Comprei um ar-condicionado"; "O ar-condicionado está quebrado".

Neste caso não é possível a interposição da palavra "tipo".

E o plural da forma hifenizada é "ares-condicionados": "A loja vendeu todos os ares-condicionados".
 

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Resposta do desafio

A pergunta

Assinale a alternativa em que não existe erro de acentuação.

a) ítens, patio.

b) benígno, cajú.

c) medico, historia.

A resposta

Há erro de acentuação em todas as palavras das letras “a” e “b”.

Diferentemente da letra “c”, em que ambas estão corretas: “medico” e “historia” são formas do verbos “medicar” (eu medico) e “historiar” (ele historia).

Não confunda com os substantivos “médico” (o médico da familia) e “história” (a história da cidade).


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Desafio

Assinale a alternativa em que não existe erro de acentuação.

a) ítens, patio.

b) benígno, cajú.

c) medico, historia.

Veja a resposta aqui.


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FLUIDO ou FLUÍDO?

"Fluido", como substantivo, designa qualquer líquido ou gás: "Acabou o fluido do isqueiro".

Como adjetivo, significa suave, fácil, fluente: movimentos fluidos, linguagem fluida, humor fácil e fluido.

"Fluído"é o particípio do verbo "fluir", o mesmo que "correr em abundância".

É usado geralmente como parte de uma locução verbal: "A água já havia fluído completamente"; "As palavras dele tinham fluído com muita sabedoria".


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CICLO VICIOSO ou CÍRCULO VICIOSO?

“Ciclo” e “círculo” têm, etimologicamente, o mesmo sentido.

A diferença é que o primeiro termo é de origem grega, e o segundo, latina.

Pode-se, portanto, inferir que tanto faz dizer “ciclo/ círculo vicioso” e “ciclo/ círculo virtuoso”, certo?

Não, não é bem assim.

Ocorre que a expressão legitimada por dicionários e gramáticas é tão somente “círculo vicioso”.

Não há nessas obras o registro de “ciclo vicioso”.

Logo, nos textos da língua culta, a expressão a ser usada é “círculo vicioso”, cujo correspondente positivo é “círculo virtuoso”.


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OS CANDIDATOS MELHORES PREPARADOS, MELHOR PREPARADOS ou MAIS BEM PREPARADOS?

A palavra “melhor” pode ser adjetivo ou advérbio.


Será adjetivo e variará normalmente quando significar “mais bom”: “Dunga não levou os melhores atacantes” (= os atacantes mais bons).


Será advérbio e não variará no plural quando significar “mais bem”: “Vencerão os candidatos que estiverem, técnica e emocionalmente, melhor preparados” (= mais bem preparados).


Ressalte-se que existe uma preferência da gramática normativa pelo uso, antes de particípio, da forma adverbial analítica “mais bem” em vez da forma adverbial sintética “melhor”.


Logo, “Vencerão os candidatos que estiverem, técnica e emocionalmente, mais bem preparados”.
 

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Resposta do desafio

A pergunta 

Considerando o feminino da raça de cães "pastor-alemão", a frase certa é:

a) Eu tenho uma pastora-alemã.

b) Eu tenho uma pastor-alemão.

c) Eu tenho um pastor-alemão fêmea.

A resposta

Há duas frases corretas: a "b", em que se subentende a palavra "cadela": "Eu tenho uma (cadela) pastor-alemão".

E a "c", em que o nome "pastor-alemão" é tratado como um substantivo epiceno e, por isso, está acompanhado do apositivo "fêmea": "Eu tenho um pastor-alemão fêmea".

A frase "Eu tenho uma pastora-alemã" é tecnicamente ruim, pois, se fosse aceita, teríamos, no caso da raça são-bernardo, o feminino "santa-bernarda".


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Desafio: o feminino de "pastor-alemão"

Considerando o feminino da raça de cães "pastor-alemão", a frase certa é:

a) Eu tenho uma pastora-alemã.

b) Eu tenho uma pastor-alemão.

c) Eu tenho um pastor-alemão fêmea.

Veja a resposta aqui.


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EXORCISAR ou EXORCIZAR?

O certo é "exorcizar", com "z" no fim.


Quando grafar "-isar" ou "-izar"?


É muito simples.


Basta saber que a terminação "-isar" só aparece em verbos que derivam de palavras cuja consoante final é "s": "análise - analisar"; "paralisia - paralisar"; "pesquisa - pesquisar".


Se o caso não for esse, o verbo termina em "-izar": "real -realizar"; "ágil - agilizar"; "exorcismo - exorcizar".
 

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Descendente ou ascendente?

Sua prole, os filhos, os netos, os que vieram depois de você, são seus "descendentes".

O substantivo equivalente é "descendência": "Pretendo deixar uma numerosa descendência".

Seus antepassados, os pais, os avós, os bisavós, os que vieram antes, são seus "ascendentes".

O substantivo equivalente é "ascendência": "Minha ascendência é africana".


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Meu veio ou meu véio?

Do leitor Carlos Marinho, do Recife-PE, recebo esta interessante pergunta: "Sei que caiu o acento de palavras como 'ideia' e 'estreia'. E 'véio', que o povo usa no lugar de 'velho', escreverei agora 'veio'?"

Prezado Carlos, as formações basiletais, aquelas de um registro extremamente popular, não se enquadram nas prescrições do acordo ortográfico.

Por isso "véio" (velho) e "véia" (velha) continuam com acento.

Esse acento, aliás, é essencial, pois do contrário podemos ler "veio" e "veia" com "e" fechado, perdendo-se toda a expressividade da palavra.


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Resposta do desafio

A pergunta feita ontem

Existe um par de sinônimos em:

a) Rapto e repto.

b) Antologia e florilégio.

c) Defesa e defeso


A resposta

As palavras da letra "a" não têm nenhuma relação de sentido: "rapto" é sequestro com fins libidinosos e "repto" é desafio.

O mesmo ocorre com a letra "c": "defeso" está ligada a proibição, ao passo que "defesa" se prende a proteção.

É na letra "b" que encontramos duas palavras com o mesmo sentido: "antologia" e "florilégio" significam coleção de flores ou coletânea de trechos literários.

Nas duas palavras, o radical contém a ideia de flor.

Em "florilégio", de modo explícito.

Em "antologia", para os que não sabem que "anto-" é "flor" em grego, de modo implícito.


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Desafio

Existe um par de sinônimos em:

a) Rapto e repto.

b) Antologia e florilégio.

c) Defesa e defeso.

Veja a resposta aqui.


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Entenda a letra do Hino Nacional

Já no clima do 7 de Setembro, vamos agora falar do Hino Nacional brasileiro.

Um belo hino, porém de difícil compreensão.

A começar dos versos de abertura: "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas/ de um povo heroico o brado retumbante".

Muita gente pensa que quem ouviu o brado retumbante foi o povo brasileiro.

Mas não. O sujeito de "ouvir", ou seja, o termo que ouviu o brado, é "as margens plácidas".

Os versos não estão na ordem direta, por isso o sujeito não é prontamente identificado.

Mas, na ordem direta, fica mais fácil saber quem ouviu: "As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico".

Antes que você diga que não faz sentido as margens do Ipiranga ouvirem, pois elas não têm ouvidos, é bom entender que o Hino Nacional é uma expressão artística, poética, por isso usa e abusa da linguagem conotativa, que é metafórica, figurativa.

O autor da letra do hino, Joaquim Osório Duque Estrada, quis com esses versos dizer que o grito de independência dado por dom Pedro I ecoou às margens do Ipiranga.

Mas, em vez de uma linguagem objetiva, empregou uma simbólica, própria da poesia.

Um verso interessante, em termos de análise, é "E o sol da liberdade em raios fúlgidos brilhou no céu da Pátria nesse instante".

O adjetivo “fúlgido”, de uso raro, veio do latim “fulgidus”, o mesmo que fulgente, brilhante.

O verso informa, portanto, que a nossa Independência brilhou com intensidade.

E por que o autor usou "nesse instante" e não "neste instante"?

O demonstrativo "esse" indica passado. "Este", presente. Duque Estrada escreveu a letra em 1909, 87 anos depois da Independência.

Ou seja, estava relatando um fato passado.

Por isso acertou ao empregar "nesse instante".

Outro trecho interessante: "Se o penhor dessa igualdade conseguimos conquistar com braço forte, em teu seio, ó liberdade, desafia o nosso peito a própria morte".

A conjunção "se" não expressa nesse caso condição, que é o comum, e sim causa.

Equivale a “porque". Posto isso, a mensagem do verso é esta: "Porque conseguimos conquistar com braço forte o penhor (a garantia) da igualdade, nosso peito desafia a própria morte".


O que complica mesmo na interpretação do Hino Nacional é o grande número de inversões.

Um bom exemplo é este trecho: “Brasil, de amor eterno seja símbolo o lábaro que ostentas estrelado”.

Antes de tudo, “lábaro” é bandeira, e “ostentar”, no contexto, é exibir.

O símbolo de amor eterno a que se refere o verso é a nossa bandeira estrelada, como podemos ver na ordem direta: “(Que) a bandeira estrelada que o Brasil ostenta seja símbolo de amor eterno”.

Para finalizar esta minianálise do Hino Nacional, mais um exemplo de inversão da ordem: “Mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme quem te adora a própria morte”.

Está claro que “um filho” não foge à luta.

Mas e as outras relações? Quem ergue o quê? Quem adora a própria morte?

Só a ordem direta para esclarecer: “Se o Brasil erguer a clava forte da justiça, verá que seus filhos não fogem à luta e que aqueles que o adoram não temem a morte”.


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