Maio 2011 - Português na Rede

MANDATO TAMPÃO ou MANDATO-TAMPÃO?

Manchete de jornal: "Brasil vai propor ao FMI mandato tampão até 2012".

Há um problema gráfico nessa manchete.

A forma dicionarizada é “mandato-tampão”, com hífen.
Portanto, "Brasil vai propor ao FMI mandato-tampão até 2012".

Compre o novo livro de Laércio Lutibergue AQUI.
Leia Mais ►

Oxi ou óxi?

"Biquíni", "júri" e "táxi" levam acento porque são palavras paroxítonas terminadas em "i".

"Óxi"” (pronuncia-se ócsi), que se originou da redução do vocábulo "oxidação" e é o nome de uma nova droga considerada mais destrutiva que o crack, está no mesmo caso dessas palavras: é paroxítona terminada em "i" e, por isso, escreve-se com acento.

Compre o novo livro de Laércio Lutibergue AQUI.
Leia Mais ►

Meu óculos ou meus óculos?

"Meu pés está machucado."

Dificilmente falantes escolarizados dirão uma frase como essa.

Mas o interessante é que muitos desses falantes proferem com naturalidade períodos como "O óculos está sujo", "Meu óculos está quebrado", "Seu óculos é bonito".

Desconsideram, assim, a informação gramatical de que "óculos"”é um pluralício e, por isso, leva tudo que a ele se refere para o plural: "Os óculos estão sujos", "Meus óculos estão quebrados", "Seus óculos são bonitos".

E o fato de "óculos" ser sempre plural não é por acaso: carregamos sobre nosso rosto um par de lentes. Cada lente é um óculo. É por isso que devemos dizer "os óculos".

Agora, por que quem diz "meu óculos" não diz "meu pés"? Simplesmente porque as pessoas perderam a noção de que a palavra "óculos" é um plural.

Como ninguém mais usa o singular "o óculo", apagou-se a noção de dualidade dela.

E então os falantes incluíram "óculos"”no rol das palavras terminadas em "s" que não são plural, como "lápis" e  "ônibus", estabelecendo a seguinte lógica: "Se digo 'Meu lápis está quebrado', posso dizer 'Meu óculos está sujo'".

A nosso ver, é isso o que explica a forte tendência em tornar "óculos" uma palavra de dois números, com o singular "o óculos" e o plural "os óculos".

Mas é bom deixar claro que tal tendência ainda não chegou a dicionários e a gramáticas.

Logo, se você faz questão de falar conforme a regra, diga "Os óculos dela são lindos", "Meus óculos estão sujos", com a palavra "óculos"sendo tratada como um pluralício.

Compre o novo livro de Laércio Lutibergue AQUI.
Leia Mais ►

Eu posso falar “os livro”?

Nos últimos dias, manchetes como “Livro adotado pelo MEC defende falar errado” povoaram jornais, revistas, emissoras de TV, de rádio, portais de notícia. Mas na verdade tudo não passou de um grande exagero midiático. Quando folheamos o livro “Por uma vida melhor”, da professora Heloísa Ramos, descobrimos que se trata apenas de mais um livro de língua portuguesa, como todos os outros, com enfoque no ensino da norma culta. O problema é que em determinado trecho a autora fez a seguinte reflexão:

Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar 'os livro'?” Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião.

E foi baseada nesse trecho que a mídia fez um grande estardalhaço, a ponto de dizer que o livro defendia o ensino errado de português. Mas basta uma mediana capacidade de interpretação de texto para descobrir que isso não é verdade. O que a professora Heloísa aborda no fragmento em questão é a ideia de heterogeneidade linguística, a de que uma língua é composta de mais de uma variedade, e não apenas da norma culta, a ensinada nas escolas e em livros como “Por uma vida melhor”. É verdade que a professora Heloísa poderia ter se expressado melhor, ter usado uma redação que não permitisse essa interpretação equivocada de alguns. Mas é uma grande injustiça, pelo que está no trecho reproduzido, dizer que ela defende o “ensino errado”.

Convém dizer que o preconceito linguístico, combatido pela professora Heloísa Ramos no texto mal interpretado por alguns, não é exclusividade da língua portuguesa. Isso ocorre em todas as línguas que não são homogêneas. Na língua de Shakespeare, por exemplo, americanos e britânicos brigam pelo título de "quem fala o melhor inglês". No fim das contas, o que importa é a capacidade comunicativa. E isso implica o domínio das variedades de uma língua. Ou seja, num registro formal, uso a norma culta; num registro informal, eu uso a variante popular. Isso se chama competência linguística. E infelizmente, no Brasil, essa competência, esse domínio de variedades, é muito raro.

Ao fim e ao cabo, é muita polêmica por muito pouco. O cerne da questão, no que se refere ao ensino de língua portuguesa, é outro: o que fazer para melhorar o que hoje é muito ruim? Não é difícil. O sucesso desse ensino depende de fatores como a intensificação da leitura, da produção de textos, da prática de atividades que enfatizem a modalidade falada da língua (debates, teatro, produção de programas de rádio no ambiente escolar, etc.). E, principalmente, da valorização do professor. Algo muito simples e exequível, mas que no Brasil, graças aos que detêm o poder, parece ser uma utopia.

Compre o novo livro de Laércio Lutibergue AQUI.
Leia Mais ►

Somatória ou somatório?

Como substantivo, só pode ser “o somatório”, nome masculino: "Conhecimento é o somatório das informações que adquirimos"; "O somatório dos valores não pode exceder o limite estabelecido pela empresa"; "Ainda é pequeno o somatório dos trabalhadores assistidos pelo programa".

Como adjetivo, pode ser "somatório" ou “somatória”: "atitude somatória"; "valores somatórios"; "ações somatórias".

--> Compre o novo livro de Laércio Lutibergue AQUI.
Leia Mais ►

Resposta do desafio: o verbo "parir"

A pergunta

Escolha a opção em que "parir" está corretamente conjugado.

a) Espero que você para uma criança saudável.

b) Espero que você paira uma criança saudável.

c) As opções "a" e "b" estão erradas, pois o verbo "parir" é defectivo.

A resposta

O verbo "parir" tem conjugação completa.

Só há nele uma irregularidade: um "i" aparece antes do "r" da primeira pessoa do presente do indicativo e isso se repete nos tempos que derivam dela, como todo o presente do subjuntivo.

Portanto, no presente do indicativo temos: eu pairo, tu pares, ela/você pare...

No presente do subjuntivo: que eu paira, que tu pairas, que ela/você paira, que nós pairamos, que vós pairais, que elas/vocês pairam.

Posto isso, a opção correta é letra "b": Espero que você paira uma criança saudável.

Compre o novo livro de Laércio Lutibergue AQUI.
Leia Mais ►

Conta-corrente ou conta corrente?

Segundo Houaiss, é “conta-corrente”, com hífen.

Para Aurélio, é “conta corrente”, sem hífen.

Qual dicionário seguir?

O Aurélio.

O hífen nesse caso é bobagem, porque não há a formação de substantivo composto.

Trata-se apenas de um substantivo qualificado por um adjetivo, como ocorre em “conta bancária”, “conta especial”, “conta conjunta”, “conta gorda”.

Aurélio registra “contas-correntes”, com hífen e os termos no plural, mas o sentido é outro: livro onde se escrituram as contas.

Exemplo: “No fim do expediente, sempre olha o 
contas-correntes da empresa”.

Compre o novo livro de Laércio Lutibergue AQUI.
Leia Mais ►

Desafio: o verbo "parir"

Escolha a opção em que "parir" está corretamente conjugado.

a) Espero que você para uma criança saudável.

b) Espero que você paira uma criança saudável.

c) As opções "a" e "b" estão erradas, pois o verbo "parir" é defectivo.

Na próxima semana, daremos a resposta.

Compre o novo livro de Laércio Lutibergue AQUI.
Leia Mais ►

Porisso ou por isso?

A forma correta é "por isso", em duas palavras.

Compre o novo livro de Laércio Lutibergue AQUI.
Leia Mais ►

Resposta do desafio: concordância verbal

A pergunta

A concordância está correta em:

a) Cem mil pernambucanos falta declarar o Imposto de Renda.

b) Cem mil pernambucanos faltam declararem o Imposto de Renda.

c) Cem mil pernambucanos faltam declarar o Imposto de Renda.

A resposta

A opção certa é a letra "a":  "Cem mil pernambucanos falta declarar o Imposto de Renda".

Muitos acham estranha essa concordância.

Mas ela está certíssima.

Ocorre que, quando seguido de um infinitivo, o verbo "faltar" não varia, pois nesse caso seu sujeito é a oração do infinitivo.

Pondo na ordem direta e flexionando o infinitivo, fica mais fácil entender o porquê dessa concordância: "Cem mil pernambucanos declararem o Imposto de Renda falta".

Compre o novo livro de Laércio Lutibergue AQUI.
Leia Mais ►