Junho 2011 - Português na Rede

Desparecer x espairecer

A palavra "desparecer" é sinônimo de "desaparecer", de "sumir".

Muitos a usam com o sentido de "distrair-se", de "entreter-se", de "descansar a mente por meio de recreação".

Quem assim procede está confundindo "desparecer" com  "espairecer".

Esta sim é que significa "distrair-se", "entreter-se", "descansar a mente por meio de recreação": "Estou estressado. Preciso espairecer um pouquinho".

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A concordância na voz passiva

A voz passiva sintética é uma ilustre desconhecida para a maioria.

É por isso que predominam frases equivocadas como “Vende-se carros”, “Aluga-se salas” e “Contrata-se costureiras”.

A gramática nos ensina que existem três vozes – ativa, o sujeito pratica a ação: “Ele vende carros”; passiva, o sujeito sofre a ação: “Vendem-se carros” ou “Carros são vendidos”; e reflexiva, o sujeito pratica e sofre a ação: “Ele se cortou”.

O grande problema é que o brasileiro não entende que nas orações o sujeito pode ser passivo e  vê o substantivo que exerce a função de sujeito como objeto direto, por isso diz “Vende-se carros”.

É isso que leva alguns linguistas a dizer que no português do Brasil não existe a voz passiva sintética e que o substantivo dessa estrutura é realmente um objeto direto.

Será mesmo? Vamos pronominalizar o termo “carros” da construção popular “Vende-se carros”.

Que pronome usaremos? Se “carros” é objeto direto, o pronome que substitui objeto direto é o oblíquo, neste caso,“os”.

Fica, dessa forma, “Vende-se os”.

Ruim, não é?

Vamos tentar com outro pronome: “Vende-se eles”.

Agora, sim, ficou bom.

Sabe por quê? Porque “ele” é pronome pessoal que exerce a função de sujeito.

Isso prova que “carros” é sim o sujeito da oração, tanto que foi substituído por um pronome que pode exercer a função de sujeito.

Não há dúvida, portanto, que existe a voz passiva sintética.
Se o brasileiro não sabe identificá-la, são outros quinhentos.

E pode haver várias causas.

Uma delas: a qualidade do nosso ensino.

Para identificar a voz passiva sintética, o primeiro passo é entender que existem orações em que o sujeito sofre a ação expressa pelo verbo, ou seja, é passivo.

O segundo é saber que todas as orações na voz passiva sintética têm esta estrutura: verbo transitivo direto (que pede complemento sem preposição) acompanhado da partícula apassivadora “se” e de substantivo, que é o sujeito passivo e leva o verbo a concordar com ele.

Veja: “Alugam-se casas”.

Estrutura da oração: verbo transitivo direto + se + substantivo/sujeito passivo.

Há vezes em que o “se” vem antes do verbo e a estrutura muda um pouquinho: “Em Bruxelas dificilmente se veem mendigos”.

Estrutura da oração: se + verbo transitivo direto + substantivo/sujeito.

Importante também é saber que todas essas orações podem ser passadas para a voz passiva analítica, que tem a seguinte estrutura: substantivo/ sujeito passivo + verbo ser + particípio.

Ou seja, “Alugam-se casas” se transforma em “Casas são alugadas” e “Em Bruxelas dificilmente se veem mendigos” vira “Em Bruxelas dificilmente mendigos são vistos”.

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A importância da língua portuguesa nos cursos de formação

Os cursos de formação profissional favorecem a evolução global do indivíduo, uma vez que partem dos conhecimentos adquiridos e de experiências vividas.

Desse modo, permitem a ele conseguir elementos mais completos de autorrealização, bem como se adaptar melhor ao meio de inserção, sobretudo no plano socioprofissional.

Em outras palavras, a formação profissional leva as pessoas a enriquecer seus conhecimentos, desenvolver suas capacidades e melhorar suas atitudes ou comportamentos, aumentando suas qualificações técnicas ou profissionais.

Muitas vezes os cursos de formação profissional são ministrados nas próprias empresas, que buscam, dessa forma, levar aos trabalhadores novos conhecimentos ou, quem sabe, aperfeiçoar aqueles já existentes.

Também é comum instituições ligadas ao governo oferecerem cursos de formação profissional gratuitos.

A educação no Rio de janeiro, por exemplo, conta com a oferta de cursos gratuitos em diversas instituições, como o Senai e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que oferecem capacitação de qualidade a quem pretende ter uma boa formação profissional.

O Senai disponibiliza diversos cursos técnicos gratuitos, abrangendo áreas como segurança no trabalho, controle e processos industriais, comunicação visual, edificações, alimentos, cervejaria, produção alimentícia, eletrotécnica, automação industrial, informática e eletromecânica; enquanto a FGV oferece cinco cursos gratuitos na área empresarial e dois na área de metodologia, voltados para quem quer seguir a carreira empresarial.

No currículo dos cursos de formação profissional, um elemento importante e que não pode faltar é o estudo da língua portuguesa, geralmente presente em disciplinas como português instrumental.

Essa é uma forma de levar aos alunos a língua portuguesa de maneira prática, mostrando-lhes como é essencial escrever bem para ser compreendido, de modo a obter sucesso na comunicação.

Redação oficial, regras de acentuação, ortografia e concordância quase sempre fazem parte dessa disciplina.

Claro que o objetivo não é formar o indivíduo na área, mas iniciá-lo, para que ele reconheça que o sucesso do bom profissional também depende do conhecimento da própria língua.

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Agradecimento

Faço questão de agradecer aos que compareceram ao lançamento de meu livro.

Numa noite chuvosa no Recife, tive o prazer de receber leitores amigos e conversar com eles sobre o livro e sobre a língua portuguesa.

Foi um dia muito especial!

E o livro Em Dia com a Língua - Um Jeito Fácil de Aprender Português continua sendo vendido.

Agora com duas opções: para quem é do Recife, a escolha é a Livraria Jaqueira, que fica na Rua Antenor Navarro, 138, bairro da Jaqueira. Telefone: (81) 3265-9455.

Para quem não é do Recife, a escolha é este blog (coluna da direita, clicando no botão "Comprar com PagSeguro") ou ainda o endereço http://laerciolutibergue.blogspot.com.

O livro é um ótimo apoio para quem quer ter o domínio da norma culta da língua portuguesa e traz um capítulo exclusivo sobre as novas regras ortográficas.

Ele custa R$ 30,00 e, para os que o adquirem pela internet, a entrega é gratuita
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Chegou o dia do lançamento do livro Em Dia com a Língua!

O lançamento do nosso livro será hoje no Recife, às 18 horas, na Livraria Jaqueira, na Rua Antenor Navarro, 138 (esquina com a Rua do Futuro), junto ao parque com mesmo nome.

Para quem quer ter o domínio do idioma pátrio, o livro Em Dia com a Língua - Um Jeito Fácil de Aprender Português é uma obra indispensável.

Com ótimo conteúdo sobre as principais dúvidas da língua portuguesa, a publicação traz ainda um capítulo exclusivo com as novas regras ortográficas explicadas detalhadamente.

O competente projeto gráfico da dupla de designers César Mafra e Érika Simona torna a leitura dos textos ainda mais agradável.

E aos leitores que moram longe, como os de outros Estados brasileiros, que devido à distância não poderão comparecer ao lançamento, uma informação importante: o livro também pode ser adquirido neste blog (basta clicar na reprodução da capa do livro, à direita)  ou em www.laerciolutibergue.blogspot.com/.
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O dengue ou a dengue?

A palavra dengue nasceu na Espanha. Seu significado original é “dengo”, “manha”.

Passou a nomear a doença porque, em teoria, os doentes de dengue ficam cheios de manha, com dengo.

Quanto ao gênero, em seu primeiro sentido (“manha”), a palavra é masculina.

No segundo, há divergência.

O dicionário Aurélio registra “dengue”, a doença, como substantivo de dois gêneros, ou seja, pode ser “o dengue” ou “a dengue”.

Assim como o Aurélio, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) da Academia Brasileira de Letras vê “dengue” como substantivo de dois gêneros.

Para o Volp, portanto, também pode ser “o dengue” ou “a dengue”.

O dicionário Houaiss pensa diferente, classifica dengue como substantivo exclusivamente feminino.

Temos opinião semelhante à de Houaiss: na língua contemporânea predomina a forma “a dengue”, que, por ser mais usual, deve ter a nossa preferência.

Por fim, atenção à pronúncia do nome do mosquito que transmite a dengue, o Aedes aegypti.

Diga /édes egípti/.

A propósito, esse nome é uma locução híbrida, composta de palavras de duas línguas: do grego “aedes”, ‘desagradável’, e do latim “Aegypti”, ‘do Egito’.

Aedes aegypti significa, portanto, “desagradável do Egito”.

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Conjugando o imperativo

Título na capa de uma revista: “Diga-me o que tomas e direi quem és”.

Estaria tudo perfeito com o título se não fosse a falta de uniformidade das pessoas verbais, pois “diga” é terceira pessoa do imperativo e “tomas”, segunda pessoa do presente do indicativo.

Para que houvesse uniformidade, ambas as formas verbais deveriam estar na segunda ou na terceira pessoa, como nos exemplos a seguir:

1. As duas formas verbais na segunda pessoa:

• “Dize-me (tu) o que (tu) tomas...”

2. As duas formas verbais na terceira pessoa:

• “Diga-me (você) o que (você) toma...”

Em vez disso, o título equivocado fez uma salada, misturou “você” com “tu” – “Diga-me (você) o que (tu) tomas...” –, o que não é possível na língua culta.

O provérbio que certamente foi a fonte de inspiração do errado título é “Dize-me com quem tu andas, que te direi quem és”, que muitos erradamente dizem “Diga-me com quem tu andas, que te direi quem és”, com o mesmo erro da falta de uniformidade de pessoas.

Isso mostra que muita gente não está sabendo conjugar o imperativo afirmativo.

De fato, conjugar o imperativo afirmativo não é muito simples, exige uma pequena “engenharia”:

1. Da segunda pessoa do singular e da segunda do plural do presente do indicativo saem a segunda pessoa do singular e a segunda do plural do imperativo afirmativo, suprimindo-se o “s” final.

Vejamos isso na prática usando o verbo “dizer”:

• Segunda pessoa do singular do presente do indicativo: dizes.

• Segunda pessoa do singular do imperativo afirmativo: dizes - s = dize (tu).

• Segunda pessoa do plural do presente do indicativo: dizeis.

• Segunda pessoa do plural do imperativo afirmativo: 
dizeis - s = dizei (vós).

2. Do presente do subjuntivo saem as demais pessoas:

“Dizer”/presente do subjuntivo – ele diga, nós digamos, eles digam.

“Dizer”/imperativo afirmativo – diga você, digamos nós, digam vocês.

O imperativo negativo é mais fácil, pois todas as suas formas vêm do presente do subjuntivo:

“Dizer”/presente do subjuntivo – eu diga, tu
digas, ele diga, nós digamos, vós digais, eles digam.

“Dizer”/imperativo negativo – não digas tu, não diga você, não digamos nós, não digais vós, não digam vocês.

Para terminar, observe que tanto o imperativo afirmativo como o negativo são conjugados a partir da segunda pessoa do singular (tu).

A razão é simples: como o imperativo é o modo que exprime ordem, não pode haver a primeira pessoa do singular, pois “eu” não dá ordens a “eu”.

Além disso, quando se conjuga o imperativo, o pronome de terceira pessoa é “você” em vez de “ele”.

E a razão outra vez é simples: ordens são dadas de uma pessoa a outra e, quando falamos com outro, usamos “você”, e não “ele”.

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Por que não “câmpus”?

Sou um defensor de que, no lugar do latim “campus” (plural “os campi”), se escreva “câmpus” (plural “os câmpus”).

Algumas pessoas, porém, não aceitam esse aportuguesamento.

Elas justificam sua oposição à grafia “câmpus” dizendo que “nenhum dicionário registra essa palavra”.

É verdade, o aportuguesamento “câmpus” não consta nos dicionários.

Mas Aurélio, Houaiss e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) também não registram “arte-educador”, “empardecimento”, “decateto”, “pitaco”, “seminovo” e muitas outras palavras.

Nem por isso vamos dizer que essas palavras não existem.

Afinal, é impossível um dicionário registrar todas as palavras de uma língua.

Papel e impressão custam caro.

O Volp da Academia Brasileira de Letras é o maior acervo de palavras da língua em livro, com cerca de 380.000, mas nem assim esgota tudo.

E olhe que, apesar do volume que tem, ele não traz uma só definição.

Mostra apenas a grafia das palavras (da maioria, não de todas, frisamos).

Como seria, quanto custaria o Volp, se cada palavra tivesse todas as definições, exemplos, informações léxicas e gramaticais?

Mesmo um Grand Robert (em francês), com seis volumes, não traz tudo que se usa.

Talvez o Oxford (em inglês), em vinte volumes, sim.

Mas quantos podem adquiri-lo?

Nossa preferência pela grafia “câmpus” é por um motivo muito forte: coerência.

O latim era uma língua de casos, as palavras mudavam de terminação de acordo com a função sintática.

Então, para manter a coerência, teríamos campus/campi quando o termo fosse sujeito; campum/campos quando fosse objeto direto; campo/campis quando fosse objeto indireto e adjunto adverbial; e campi/camporum quando fosse adjunto adnominal.

Isso sim seria latim, e não a tradição sem base crítica de “campus”.

Por tudo isso, não é sensato deter a evolução natural da língua.

Grafemos, pois, “câmpus”, com acento, assim como bônus, cáctus, fícus, húmus, lócus, lúpus, ônibus, pínus, vírus e tantas outras palavras latinas aportuguesadas.

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Plural dos properispômenos

Já ouviu falar da palavra “properispômeno”?

Ela é de origem grega e nomeia as paroxítonas que têm um “o” fechado na penúltima sílaba.
“Bolso”, por exemplo, é um properispômeno.

O “chato” dessas palavras é o plural.

Ora elas conservam o “o” fechado, ora o “o” fica aberto.

Existem alguns expedientes que nos ajudam a saber a pronúncia de um properispômeno no plural.

Eles não são 100% eficientes, pois há exceções.

Mas são uma boa ajuda:

1. O “o” será aberto no masculino plural:

a) se o feminino tiver “o” aberto: porco - porca = porcos (´).

Exceção: sogro – sogra = sogros (ô).

b) se a palavra não tiver feminino: povo - não tem feminino = povos (ó).

2. O “o” será fechado no masculino plural:

a) se houver um correspondente gráfico feminino. “Bolso” tem “bolsa” como correspondente gráfico feminino. Logo, o plural é “bolsos” (ô).

Exceção: poço - poça = poços (ó).

b) se a palavra tiver homônimo verbal: sopro – eu sopro = sopros (ô).

Algumas exceções: olhos, socorros, trocos (ó).

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