Setembro 2011 - Português na Rede

A origem da expressão "conto do vigário"

Nas paróquias, o vigário normalmente substitui o pároco quando este se ausenta.

E o vigarista faz as vezes de uma pessoa honesta, mas na verdade é um enganador que se aproveita dos outros.

Foi a proximidade semântica entre essas palavras que originou a expressão "conto do vigário", em que "vigário" está por "vigarista".

Ou seja, conto do "vigário" é o mesmo que "conto do vigarista".

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Pronomes de tratamento

O uso de pronomes de tratamento na língua portuguesa começou com "tu" e "vós".

O primeiro nas comunicações sem formalidade e o segundo nas que exigiam distinção e respeito.

Com o tempo, surgiu a necessidade de outras formas de tratamento.

Como diz Said Ali, na obra Gramática secundária e gramática histórica da língua portuguesa, "assim aproximavam-se os vassalos de seu rei com o tratamento de Vossa Mercê, Vossa Senhoria (...), assim usou-se o tratamento ducal de Vossa Excelência e adotaram-se na hierarquia eclesiástica Vossa Reverência, Vossa Paternidade, Vossa Eminência, Vossa Santidade".

Era, pois, a subordinação política, econômica e religiosa que determinava o emprego das formas de tratamento.

No fim do século 16, com o aumento da burocratização do Estado, estendeu-se o uso das formas de tratamento a alguns funcionários públicos.

E mudanças foram se sucedendo: "Vossa Mercê" evoluiu para "vosmecê" e, depois, para o coloquial "você", que, para alguns, pode terminar em "ocê" ou mesmo em "cê". Pior sorte teve "vós", hoje pouco empregado.

Algumas formas, porém, estão aí firmes e fortes.

Verdade que, nestes tempos corridos e nada cerimoniosos, raros são os que sabem usá-las.

É por isso que listamos abaixo as principais formas de tratamento com sua respectiva utilização:

Sua ou Vossa Alteza (S. A. ou V. A.) - príncipes, arquiduques e duques.

Sua ou Vossa Eminência (S. Em.ª ou V. Em.ª) - cardeais.

Sua ou Vossa Excelência (S. Ex.ª ou V. Ex.ª) - presidentes da República, ministros, governadores, prefeitos, parlamentares, juízes, diplomatas e autoridades em geral.

Sua ou Vossa Excelência Reverendíssima (S. Ex.ª Revm.ª ou V. Ex.ª Revm.ª) - bispos e arcebispos.

Sua ou Vossa Magnificência (S. Mag.ª ou V. Mag.ª) - reitores de universidade.

Sua ou Vossa Majestade (S. M. ou V. M.) - reis e imperadores.

Sua ou Vossa Santidade (S. S. ou V. S.) - o papa.

Sua ou Vossa Senhoria (S. S.ª ou V. S.ª) - funcionários graduados, pessoas de cerimônia e oficiais até o posto de coronel.

Meritíssimo (MM.) - juízes.

Por fim, é importante saber que há diferença entre as formas com "sua" e as com "vossa".

Usamos "sua" quando falamos da pessoa: "Na entrevista de ontem, Sua Santidade pediu ao povo que não perdesse a fé".

E "vossa" quando falamos com a pessoa: "Vossa Santidade conhece o Brasil?"

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Malcriação ou má-criação?

Não existe a palavra "malcriação".

O que existe é "má-criação".

Nas formações com "mal" e "mau/má", precisamos considerar o termo que vem depois dessas palavras.

Se for um verbo/particípio, usaremos o advérbio "mal".

Teremos assim um nome composto de acordo com o padrão da língua, pois advérbios modificam verbos: mal-educado, maltratado, malcriado.

Se o segundo elemento for um substantivo, usaremos o adjetivo "mau/má".

Formaremos desse modo um composto conforme a regra, pois adjetivos modificam substantivos: má-educação, maus-tratos, má-criação.

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Inicial maiúscula: símbolos pátrios

Escrevem-se com inicial maiúscula os nomes dos símbolos pátrios brasileiros.

Assim, a Bandeira (do Brasil), a Pátria (= Brasil), o Hino Nacional (do Brasil), a Independência (do Brasil, especificamente a que se relaciona com o Grito do Ipiranga, proferido por dom Pedro I às margens do Riacho Ipiranga, em 7 de setembro de 1822).

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A Grande Recife ou o Grande Recife?

Se o nome da cidade aceita a anteposição do artigo “o”, é “o grande”: o Grande Recife, o Grande Rio.

Se não aceita, é “a grande”: a Grande Belém, a Grande São Paulo.

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Aspas e ponto em citação

Você está escrevendo e resolve pôr uma citação no seu texto.

E essa citação está entre aspas.

Então vem a dúvida: o ponto fica antes ou depois das aspas?
Se já teve essa dúvida, parabéns!

É sinal de que você se preocupa com todos os detalhes de seu texto e sabe que é importante a padronização dele.

Temos esse mesmo entendimento.

Afinal, é muito ruim para um texto a ausência de regras, a anarquia gráfica.

Por isso, nesta coluna, vamos mostrar como deve ser a pontuação em citações que ficam entre aspas.

Caso 1 – A frase começa e termina com aspas: o ponto fica antes das últimas aspas.

Exemplo:

-“O verdadeiro e o falso são atributos da linguagem, não das coisas.” Com esse pensamento de Thomas Hobbes, a professora iniciou a aula.

Caso 2 – A frase não começa com aspas, mas termina com elas: o ponto fica depois das últimas aspas. Exemplos:

- O prefeito disse que “ainda é cedo para se guiar por pesquisas”.

- A reportagem apurou que o Sport está interessado na contratação de X. Mas, segundo o dirigente Y, “isso não passa de mera especulação”.

- Quando lhe perguntaram sobre o risco de a seleção decepcionar na Copa, o técnico respondeu: “Infelizmente corremos esse risco”.

- O cantor não explicou o atraso e ainda ironizou: “Aqui no Brasil vocês não costumam chegar atrasados aos encontros?”.

Observe o último exemplo.

Veja que o ponto de interrogação ficou antes das aspas e que o ponto final ficou depois.

O mesmo pode ocorrer com as reticências e com o ponto de exclamação que pertencem a uma citação introduzida por dois-pontos.

Modernamente, porém, essa pontuação é vista como opcional, pois já existem autores que defendem o uso de apenas um sinal, o que faz parte da citação:

-O cantor não explicou o atraso e ainda ironizou: “Aqui no Brasil vocês não costumam chegar atrasados aos encontros?"

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