Maio 2013 - Português na Rede

Aprenda a usar o pronome "cujo"

"Cujo" é um pronome cujo emprego poucos dominam.

Perdoe-me pelo trocadilho, mas ele cabe neste momento.

Serve para mostrar como se usa o "cujo".

Vamos em frente.

"Cujo" é um pronome relativo.

Como tal, é usado para unir orações.

Mas com uma característica especial, que o distingue dos demais relativos: expressa relação de posse, em que o antecedente do pronome é o "possuidor" e o subsequente, "a coisa possuída".

Observe:

Oração (1): "A mulher é advogada".

Oração (2): "O carro da mulher foi roubado".

Usando o "cujo" para ligar as orações, temos: "A mulher cujo carro foi roubado é advogada".

Outro exemplo - Oração (1): "Pernambuco é um Estado do Brasil".

Oração (2): "O governador de Pernambuco é Eduardo Campos".

Ligando com “cujo” as orações: "Pernambuco, cujo governador é Eduardo Campos, é um Estado do Brasil".

Viu como é simples?

Em todos os exemplos, "cujo" estabeleceu relação de posse, ligando o possuidor, que fica à sua esquerda, à coisa possuída, que fica à sua direita.

Para finalizar, três informações importantes:

1. "Cujo" é variável, concorda em gênero e número com a coisa possuída: "A menina cujos olhos são azuis me fez lembrar um amor do passado", "A Rede Globo, cujas novelas lideram com folga a audiência no horário noturno, transmitirá a Copa das Confederações".

2. Não se usa artigo depois de "cujo".

Assim, em vez de dizer/escrever "A loja cuja a dona é gaúcha ", diga/escreva "A loja cuja dona é gaúcha".

3. Pode haver preposição antes de "cujo".

Para tanto, basta que a regência do verbo da segunda oração exija essa preposição: "Ele almoça no restaurante de cuja comida ninguém gosta".

O verbo da segunda oração, "gostar", rege a preposição "de": uma pessoa gosta "de" algo ou "de" alguém.

Por isso houve o emprego da preposição "de" antes de "cujo".

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Tachar ou taxar?


Tachar é rotular negativamente:

Ele o tachou de corrupto.

Tacharam-na de irresponsável.

Tacharam de louco o artista.


Taxar é estabelecer taxa ou rotular (positiva ou negativamente):

Ele taxou todos os produtos.

Ela taxou o marido de irresponsável.

O professor nos taxou de estudiosos.

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Abreviatura de "atenciosamente"

Você está escrevendo a abreviatura correta de "atenciosamente"?

Aposto que não.

A abreviatura oficial de "atenciosamente" é "at.te".

A maioria escreve "att.", que na verdade é a abreviatura do inglês “attention”.

E você certamente é um dos que escrevem assim.

Estou errado?

Mas agora, depois de ler esta postagem, ao encerrar suas correspondências, você escreverá a forma certa: “at.te”.

Não é mesmo?

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Protocolar ou protocolizar?

Do leitor Alexandre Miranda, do Recife, recebemos a seguinte questão:

"Já faz algum tempo que eu vi, no Bom Dia Brasil, o jornalista Alexandre Garcia corrigir o então deputado Severino Cavalcanti, que disse que havia protocolado uma petição no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.


Alexandre Garcia não perdeu tempo: 'Doutor, o correto é protocolizado e não protocolado'. Então, quem está certo?"

Nossa resposta:

As línguas não são estáticas, elas mudam ao longo do tempo.

Antigamente o correto era apenas "protocolizar".

Hoje "protocolar"  também é correto, como demonstram os principais dicionários do país.

Moral da história: precisamos ficar atentos às mudanças da língua.

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Autopsia, biotipo, interim e necropsia ou autópsia, biótipo, ínterim e necrópsia?

Prosódia é a parte da língua que trata da correta pronúncia das palavras.

Erros de prosódia ou, como diria Caetano Veloso, “confusões de prosódia” são muito comuns.

Pensando nisso, preparamos uma lista de palavras que geralmente nos confundem, levando-nos ao dito “erro de prosódia”.

Assim, são palavras proparoxítonas, segundo a norma culta: 

abóbada, aeródromo, aerólito, ágape, álacre, âmago, anátema, antífona, antífrase, apóstata, aríete, arquétipo, autóctone, autópsia (alguns dicionários registram "autopsia"), azáfama, azêmola, bígamo, bímano, brâmane, cotilédone, crisântemo, dálmata, écloga, êmbolo, epíteto, êxodo, fagócito, hégira, ínterim, ímprobo, ínclito, leucócito, lêvedo, monólito, óbolo, ômega, pântano, périplo, protótipo, quadrúmano, revérbero, sátrapa, sílfide, sílica, trânsfuga, vermífugo, zéfiro, zênite.

São paroxítonas:

acórdão, albúmen, alcácer, algaravia, aljôfar, almíscar, âmbar, ambrosia, austero, avaro, aziago, azimute, barbárie, batavo, bíceps, busílis, cáften, cânon, caracteres, cartomancia, celtiberos, ciclope, cível, cizânia, clímax, cóccix, cólon, dândi, decano, díspar, dólmã, efebo, elétron, enigma, erudito, estalido, estêncil, estigma, estratégia, exegese, fêmur, filantropo, filatelia, flúor, fórceps, fortuito, gêiser, glúten, húmus, impudico, inaudito, índex, jângal, látex, libido, líquen, mercancia, meteorito, mícron, miosótis, misantropo, múnus, necropsia (alguns dicionários registram "necrópsia"), néctar, nenúfar, nêutron, ônix, opimo, pegada, pênsil, perito, pletora, pólen, policromo, poliglota, primata, próton, pudico, quiromancia, recorde, refrega, rubrica, sótão, suéter, têxteis, têxtil, tórax, tulipa, vésper, vômer.

Observou que nem “biotipo” nem “biótipo” entraram na lista?

É porque atualmente as duas formas são aceitas.

A norma culta prefere “biótipo”.

"Biotipo", porém, é muito mais usual.

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A origem da palavra "mãe"

Ela veio do latim “mater”.

Chegou ao espanhol como “madre”.

Forma que o português inicialmente herdou e depois sofreu seguidas transformações:

1. virou “made”;

2. perdeu o “d”;

3. e nasalizou o “a”.

Hoje, "mãe" é uma das mais ternas palavras da língua portuguesa.

E a todas elas dedicamos esta postagem e desejamos um feliz Dia das Mães!

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Antiinflamatório e poliinsaturado ou anti-inflamatório e poli-insaturado?

Pela nova ortografia, usa-se hífen quando a vogal que encerra o primeiro elemento é igual à que inicia o segundo: 

anti-ibérico,

anti-imperialista,

anti-inflacionário,

anti-inflamatório,

auto-observação,

contra-atacar,

contra-ataque,

micro-ondas,

micro-ônibus,

micro-organismo (o Vocabulário da Academia Brasileira de Letras também registra "microrganismo"),

multi-instrumentista.

para-atleta,

poli-insaturado

semi-internato,

semi-interno.

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Desafio: o plural de “mau-caráter”

O correto é:

a) os maus-caracteres


b) os maus-caráter


c)os mau-caráter


d) os maus-carácteres


e) nenhuma das opções


Resposta



O plural de “caráter” é “caracteres”, com o acréscimo da letra “c” e o deslocamento da sílaba tônica de “-ra” para “-te”, sem o uso do acento agudo.

O plural de “mau” é “maus”.

“Mau-caráter” é nome composto formado por adjetivo + substantivo, ou seja, por duas palavras variáveis.

Assim sendo, o plural de “mau-caráter” é “maus-caracteres”.

A letra "a" é, portanto, a opção correta.

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"Precaver" e uma rápida explicação sobre os verbos defectivos

Precavei-nos, Senhor, de "precaver", um verbinho muito problemático! 

É regular, mas também é defectivo.

Defectivo é o verbo que não tem todas as formas.

Voltando a "precaver", por ser defectivo, ele só é conjugado nas formas arrizotônicas.

Para quem não se lembra do conceito de formas rizotônicas e formas arrizotônicas, uma breve explicação:

Forma rizotônica é aquela em que a vogal tônica cai na raiz (rizo = raiz + tônica = raiz tônica).

Forma arrizotônica é o contrário, ou seja, a vogal tônica fica fora da raiz.


Para se descobrir a raiz de um verbo, basta pegar o verbo no infinitivo impessoal e tirar a terminação de infinitivo (-ar, -er, -ir).

Em "precaver", retirando a terminação de infinitivo, temos "precav-", a raiz do verbo.

Posto isso, precaver no presente do indicativo só tem NÓS PRECAVEMOS e VÓS PRECAVEIS, as duas formas arrizotônicas desse tempo.


Repare que a vogal tônica dessas formas está fora da raiz: precavEmos, precavEis.

Por isso, são chamadas de formas arrizotônicas.

Outra característica de "precaver": ele não deriva de "ver" nem de "vir".


É verbo pra lá de regular.

Suas terminações são iguais às de qualquer verbo terminado em "-er" (vender, nascer...).

Logo, erra quem diz "precavejo", "precavês", "precavenho", "precavim", "precaveio", "precaviu", "precavinha", "precavinham", "precavenha", "precavém".

O certo:  precavi, precaveste, precaveu, precavia, precaviam.

Se você não quer se atrapalhar com "precaver", substitua-o pelo menos problemático "prevenir". 

Não é o ideal, pois o bom mesmo é empregar o verbo com segurança.

Mas, em caso de dúvida, trata-se de um recurso muito válido, pois evita um problema maior, que é conjugar equivocadamente o verbo "precaver".

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